A Sociedade de Cardiologia do Estado Rio de Janeiro (Socerj) promove amanhã (11), em parceria com o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), uma campanha de prevenção da saúde cardiovascular da mulher. O evento será no Largo do Machado, na zona sul da cidade, a partir das 8 horas.
Segundo informou a cardiologista Ana Patricia Nunes de Oliveira, do Departamento de Cardiologia da Mulher da Socerj, o objetivo do evento é esclarecer a população sobre os fatores de risco da doença cardiovascular. Além das causas genéticas, que não podem ser modificadas, existem fatores de risco em que, se houver uma intervenção, pode-se reduzir a incidência de casos de doença cardiovascular. Entre eles, citou a hipertensão, diabetes, sobrepeso, obesidade e hábitos como tabagismo e alcoolismo.
Ana reiterou que onde ocorre um controle mais rigoroso dos fatores de risco, os novos casos da doença são amenizados. Segundo ela, no Brasil, a assistência primária à saúde é muito precária. Por isso, alertou que não se deve apenas tomar o remédio contra a hipertensão.
“Precisa tomar o remédio de hipertensão e ter a pressão bem controlada, nos níveis ditos normais de 12 por 8. É preciso ter o controle adequado da glicemia, dos níveis de colesterol; orientação nutricional, orientação da perda e manutenção da perda de peso. São fatores muito básicos, de atenção primária à saúde, mas que precisam ficar muito bem esclarecidos, porque é a manutenção dos valores no longo prazo que vão começar a ter impacto na redução das doenças cardiovasculares”.
Além de mais barata e eficaz, a prevenção é ainda mais importante entre as mulheres, nas quais a incidência dessas doenças é mais precoce, advertiu a cardiologista, “devido à epidemia de obesidade, por uso de métodos contraceptivos, por toda essa atmosfera propícia em que a mulher está se envolvendo”.
Números da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que os problemas cardíacos respondem por 8,5 bilhões das mortes entre mulheres de todo o mundo. Um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina de 2011, citado pela Socerj, indicou que as doenças cardiovasculares representam 36,9% das mortes em mulheres, contra 28,8% em homens. Outra pesquisa recente da American Heart Association mostra que 60% das mulheres desconhecem as doenças cardiovasculares.
Ana Patricia explicou que as doenças cardiovasculares causam mais mortes nas mulheres do que nos homens por uma questão anatômica. “As coronárias nas mulheres são mais finas. Elas são mais propensas a sofrerem alterações. Ou seja, você vai ter uma menor proteção no leito coronariano da mulher”.
Ela esclareceu que, até os 50 anos, a mulher tem uma proteção natural do estrógeno. Quando as mulheres entram no período de menopausa, começam a aparecer casos de doença cardiovascular. A médica observou, porém, que, mesmo em mulheres mais jovens, isso pode ocorrer. “É o ambiente hormonal que protege a mulher e ela deixa de ter essa proteção fisiológica”.
A Socerj estima que 250 mulheres participarão da campanha amanhã (11), que oferecerá exames gratuitos durante toda a manhã, no Largo do Machado. Serão medidos peso, altura e circunferência abdominal das mulheres que comparecerem ao local, que terão verificadas também a pressão arterial, antes de serem submetidas à dosagem rápida de colesterol, triglicerídeos e glicose. Em seguida, elas passarão por orientação de médicos da Socerj e do INC.
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