O Ministério da Justiça apresentou na quarta-feira (13) uma proposta de lei para proteger os apátridas, pessoas que não têm sua nacionalidade reconhecida por qualquer país.
O projeto de lei do governo possibilita o reconhecimento dos apátridas pelo Estado brasileiro, facilitando sua naturalização no país. Por não terem uma nacionalidade, os apátridas não possuem acesso a serviços de saúde e educação, direitos de propriedade e de ir e vir.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) estima que os apátridas somem cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo. Não há uma estimativa sobre este contingente no Brasil.
Signatário das Convenções da ONU de 1954 e 1961, que tratam do enfrentamento e da prevenção à apatridia , o Brasil reconhece como brasileiros todas as pessoas que nascem em seu território – inclusive filhos de estrangeiros – e também filhos de brasileiros nascidos no exterior. Além disso, a Constituição de 1988 protege os brasileiros de uma possível perda involuntária de nacionalidade.
O anteprojeto de lei foi anunciado pelo secretário Nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), Paulo Abrão, durante o seminário do Ciclo de Altos Estudos Justiça sem Fronteiras, que acontece em Brasília e que trata do o combate à apatridia nas Américas e o papel do Brasil nesta questão.
O seminário contou com a participação como palestrante do oficial regional de proteção do ACNUR para o tema da apatridia nas Américas, Juan Ignacio Mondelli, que falou sobre a erradicação da apatridia nas Américas e o papel de liderança do Brasil. O seminário também contou com a presença do representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez.
O enfrentamento à apatridia é uma das pautas da conferência Cartagena+30, que em dezembro deste ano reunirá em Brasília, representantes da América Latina e do Caribe para consolidar e ampliar as conquistas da Declaração de Cartagena, que foi um marco para os refugiados na região.
Espera-se que os países se comprometam, durante o encontro, a aderir às convenções internacionais sobre apatridia, criem leis nacionais e lancem a década para a erradicação da apatridia nas Américas.
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