Na manhã desta quinta-feira (21), uma multidão uniformizada se reuniu na praça Ari Coelho, na Capital, com o intuito de lembrar as pessoas sobre o Dia Internacional da Síndrome de Down, data que tem o objetivo de valorizar as pessoas com a síndrome e conscientizar a sociedade sobre a importância da promoção de seus direitos.
A síndrome de Down, ou trissomia do 21, é uma condição geneticamente determinada. Trata-se da alteração de cromossoma mais comum em humanos. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a cada 600 a 800 nascimentos, uma criança tem síndrome de Down.
Há 19 anos, a Escola Juliano Varela, em Campo Grande, atende crianças com Síndrome de Down. Atualmente frequentam 670 crianças desde a barriga da mãe até o mais velho aluno, aos 70 anos, Adão Rodrigues da Silva , que fez a matrícula nessa quarta-feira. Ele é reconhecido como o homem portador de síndrome de Down mais velho do Brasil.
"O que a gente oferece é a parte clínica e a parte pedagógica. Na clínica todas as intervenções que o down precisa como fonodialógo, fisioterapia, psicólogo e na pedadógica é a escolarização. Fora isso também a questão do mercado de trabalho pra quem tem uma idade avançada, 16 anos, a gente encaminha. Nós estamos no 2º ano da caminhada Don’t Let me Down, a ONU instituiu o dia 21 de março como o dia internacional de comemoração aos direitos conquistados pela pessoa com down, em celebração aos direitos que conseguiram socialmente, até então eram conhecidos como mongoloides e não podiam namorar, estudar, etc. Essa caminhada é exatamente pra isso", reforça a diretora da Escola Juliano Varela, Rosely Gayoso.
Angela de Morais Felizardo soube que o seu filho possuía a síndrome quando ele nasceu, hoje com 4 meses ele já frequenta a escola para estimulação precoce. “O Vanderlei Cabeludo me indicou, meu marido entrou na internet e encontrou a escola. É a melhor coisa pra ele crescer e conviver normalmente com os outros” completa a mãe contente.
Foi exatamente ao som da música Don’t let me Down, dos Beatles que a caminhada começou rumo a Rua 14 de julho, onde depois veio a Banda Down Rítmica, a primeira banda de fanfarra do Brasil formada por portadores da síndrome de Down. Acompanhando a banda da escola estava Maria Aparecida Rozatti orgulhosa do fillho Fernado, 33 anos, que toca na Banda. “Se eles ficarem sem fazer nada ficam com depressão, lá eles namoram, brincam, brigam e tem educação de qualidade” conta Maria.
Ela notou uma diferença em Fernando quando ele passou a frequentar a escola. “Ele passou a ter objetivo, levantar de manhã no horário, usar uniforme e ter disciplina em geral” disse a mãe. Maria reforça que as pessoas precisam se conscientizar que tem gente especial, e essas pessoas também podem ser inclusas na sociedade. “Lá ele é feliz” completa.
Em meio a pernas de paus e triciclo do motoclube de Campo Grande, Rotary Club, para as crianças tudo parecia uma grande brincadeira. Havia também muitas pessoas que não sabiam o que estava acontecendo entre as Ruas 14 de Julho, Barão do Rio Branco, Pedro Celestino e Avenida Afonso Pena. “Não sabia que hoje era comemorado o Dia Mundial da Síndrome Down, mas acho que tem que apoiar mesmo, bacana a ideia” disse o mototaxista Júnior Cesar.
O senhor Diogo Soares estava passando pelo local e gostou de saber sobre o que a caminhada tratava. “Existe preconceito, mas logo vai acabar como em outros países” contou.
Por volta das 9h30, todos se reuniram na Praça Ari Coelho onde foi organizado uma roda de capoeira pelo professor, ele ensinou e praticou alguns passos com alunos da escola. Por fim formou-se um coral cantando o refrão da música "O que é, o que ?", do Gonzaguinha: “Ah meu Deus! Eu sei, eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita é bonita, é bonita e é bonita...’”
Cerca de 500 pessoas participaram da caminhada, entre alunos, família e universitários. A Ciptran (Companhia Independente de Polícia de Trânsito) esteve na região central para orientar os condutores sobre trânsito.
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