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Em um dia histórico, Campo Grande realiza 1º casamento entre casais do mesmo sexo

7 julho 2013 - 07h30 Por Mariana Rodrigues

 Neste domingo (7), 11 casais do mesmo sexo subiram ao altar para oficializar a união homoafetiva. Os casais, todos formados por mulheres não esconderam a emoção do momento que teve direito a tudo em qualquer cerimônia matrimonial.

A cerimônia foi realizada pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, na manhã deste domingo e contou com a presença de familiares e amigos dos casais. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a legalidade da união homoafetiva, em fevereiro de 2012 foi emitido parecer favorável do STJ sobre a matéria. Agora em 2013 o Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul autorizou a união civil entre pessoas do mesmo sexo.  

Campo Grande foi a primeira cidade do Estado a realizar o casamento coletivo entre casais do mesmo sexo. De acordo com a defensora pública, Dra. Neila Ferreira Mendes o ato foi um grande passo dado “estamos dando um grande passo contra a discriminação, a Constituição Federal não aceita a discriminação, a pessoa que discrimina outra, seja pela sua sexualidade ou por qualquer outra coisa comete um crime”, disse.

De acordo com Neila, o fato dos casais homoafetivos conquistarem o direito à certidão de casamento, faz com que eles passam a sejam vistos com outros olhos pela sociedade. Em relação a novos casamentos, a defensora informou ainda que depende dos movimentos sociais se organizarem. “Se os movimentos sociais procurarem a Defensoria Pública, nós novamente iremos ser parceiros na realização”. Segundo a defensora pública, nenhum cartório pode se recusar a realizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“Pra mim esta data significa um momento de grande felicidade, pois esses 11 casais estão realizando um grande sonho de seguir a felicidade delas que é estar ao lado da pessoa que amam e escolheram para caminhar juntas pelo resto da vida”, comentou a defensora pública sobre o casamento.

Entre os familiares das noivas estava José Rodrigues Alves, 68 anos, e sua esposa Irene Moreira Alves, 61 anos, eles sempre aceitaram o relacionamento da filha e disseram que nunca tiveram preconceito quanto a isso. Ele foi o único pai que acompanhou sua filha até o altar. “Para mim é um momento de muita alegria, pois para minha filha essa união é muito importante”, disse ele emocionado. Para ele o que importa é a felicidade da filha e não o fato dela estar se casando com outra mulher. “Elas vivem há muito tempo juntas, há sete anos, e sempre viveram em harmonia e felizes”, comentou. A mãe comentou ainda que sua filha conheceu a companheira depois de relacionamentos anteriores com homens que acabaram não dando certo “minha filha teve dois companheiros anteriormente e teve duas filhas, devido a decepção muito grande com os homens ela resolveu se relacionar com mulheres” disse Irene.

Entre os casais, estava a policial Militar Silvana Gomes, 33 anos e a corretora de Imóveis Veronice Lopes, 35 anos. Juntas há três anos elas oficializaram a união e não escondiam o nervosismo.

Veronice tem um filho de 18 anos que a acompanhou até o altar, ambas disseram que nunca sofreram preconceito devido até o fato de serem muito bem resolvidas e se aceitarem em primeiro lugar. “Se eu falar que eu sofro preconceito é porque nem eu mesma me aceito, se eu viver com naturalidade todos irão me ver como uma mulher comum que sou, porque eu nunca sofri nenhum tipo de preconceito”, disse Veronice.  Há cinco anos na Polícia Militar Silvana disse que nunca enfrentou nenhum tipo de dificuldade no local onde trabalha “a Polícia é uma família pra mim”.

Jeferson Lopes Moraes, 18 anos, filho de Veronice nunca teve nenhum tipo de preconceito com o fato da mãe ser casada com outra mulher. “Eu nunca tiver nenhum problema pelo fato dela ser casada com outra mulher, pelo contrário sempre respeitei. Fui criado sempre por duas mulheres, devido a isso sei reconhecer o verdadeiro valor que as mulheres têm”, disse ele orgulhoso. Só que nem tudo são flores, Jeferson disse que já rompeu um namoro de três meses, pois sua namorada não aceitava o relacionamento de sua mãe com outra mulher. Questionado sobre a cerimônia, Jeferson disse que a emoção é muito grande “acho que estava mais nervoso do que ela, além de emocionado, pois minha mãe é tudo para mim”, completou.

A cerimônia foi realizada pelo juiz Catalino Duarte Silva e contou com a presença da imprensa, familiares, amigos das noivas, do vereador Eduardo Romero e do presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB-MS, Julio Valcanaia. A Polícia Militar também esteve no local para fazer a segurança e evitar possíveis manifestações, mas a cerimônia seguiu tranquila.

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