O centro de Campo Grande acordou de forma diferente hoje (12), ao invés do tradicional barulho dos carros, das buzinas, os moradores acordaram com os gritos que pediam por justiça em favor das mulheres que são vítimas das constantes agressões.
Os familiares das jovens Dayane Silvestre Uliana, 26 anos , morta a tiros pelo ex-marido, Júlio César Martins Ferreira, 38 anos, e de Giovanna Nantes Tresse, 18 anos, supostamente agredida pelo namorado Matheus George Tannous, 19 anos, que está foragido, se reuniram pelo mesmo objetivo: dar um basta na violência contra a mulher e pedir que a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher) tenha atendimento 24 horas.
A Passeata pela Paz, organizada pela prima de Dayane, a operadora de caixa Letícia Escobar Silvestre, 19 anos, contou com cerca de 70 pessoas entre familiares, amigos e pessoas ligadas a movimentos feministas, além dos vereadores Otávio Trad, Carla Stephanini e Luiza Ribeiro.
De acordo com Letícia, o objetivo da passeata “é chamar a atenção das autoridades para os constantes casos de agressão que as mulheres vem sofrendo”. Letícia contou ainda que a prima nunca comentou com a família sobre as agressões, pois tinha medo, pois Júlio a ameaçava. “Ela não denunciava por medo, ele sempre a espancava mas não deixava marcas no corpo dela, ele batia na cabeça ou em lugares que não ficavam marcados e quando deixava marcas ela dava um jeito de esconder”, disse Letícia. “Fazemos um apelo para que as leis para crimes praticados contra as mulheres sejam mais rigorosos”, pediu Letícia.
O primo de Giovanna, Allan Andrade, 17 anos, falou do estado de saúde da prima. “Ela está bem, mais ainda não consegue falar devido aos ferimentos que teve na boca”. Questionado se Giovanna se lembrou das agressões, Allan disse que a jovem ainda não se lembra do que ocorreu no réveillon.
A passeata que teve concentração na Praça Ari Coelho percorreu a rua 13 de Maio, Sete de Setembro e parou em frente a Deam, ao longo do caminho o pedido era de justiça, tjanto nos cartazes quanto nas músicas improvisadas para chamar a atenção das autoridades. “Chega de impunidade! Justiça, amor e paz. Protejam nossas mulheres, impunidade nunca mais!”, cantavam.
“Quem ama não bate, não judia e não maltrava” e “Ei Puccinelli, e se fosse sua filha?” eram ouvidos durante o trajeto pelos manifestantes que pediam que a Delegacia da Mulher ficasse aberta 24 horas.
Ao chegarem em frente a Deam, os familiares gritavam: “Quem me proteje? Delegacia fechada”. Eles ficaram um tempo na frente da Delegacia e então oraram o Pai Nosso e diziam em voz alta o nome de Giovanna e Dayane, vítimas da violência pelos seus parceiros.
A manifestação teve o apoio da Polícia de Trânsito que fez o acompanhamento durante todo o percurso. Os manifestantes sairam da Deam e seguiram para o 4º DP nas Moreninhas, onde Júlio César está preso.
Delegacia 24 horas
Na última quarta-feira (8), a vereadora Luiza Ribeiro encaminhou um oficio à governadora em exercício, Simone Tebet, solicitando uma audiência para entrega do abaixo-assinado que reivindica a ampliação do plantão das delegacias especializadas de atendimento a mulher, criança e adolescente (DEAM, DEAIJ e DEPCA). “Os números de violência e a brutalidade dos crimes praticados, principalmente contra as mulheres no Estado demonstram a urgência e necessidade do atendimento da DEAM nas 24 horas e a ainda a ampliação do número de unidades porque 12 delegacias de atendimento à mulher para atender todo estado é pouco”, disse a vereadora. O abaixo-assinado coletou 10 mil assinaturas e realizou diversas manifestações em 2013 no sentido de sensibilizar o poder público sobre a necessidade de plantões para que as vítimas tenham atendimento imediato e qualificado.
Casos
Dayane Silvestre Uliana estava parada no semáforo no cruzamento das avenidas Manoel da Costa Lima e Bandeiras, em Campo Grande, quando Júlio seu ex-marido, encostou a moto ao lado do carro de Dayane e efetuou três disparos. A vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no posto de saúde do bairro Guanandy. Ela deixou um filho de 1 ano e dois meses.
O acusado se apresentou à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), na última quinta-feira (9), acompanhado do advogado e alegou que matou a mulher porque a amava demais. Ele confessou a autoria dos disparos que atingiram Dayane. Julio teve a prisão preventiva decretada e foi encaminhado para o 4º DP.
Já no cao de Giovanna, a família da jovem acredita que ela tenha sido espancada pelo namorado na noite da virada do ano. Ela teve o rosto quebrado em quatro partes, mas Matheus nega que a tenha espancado e se defende das acusações dizendo que Giovanna teria caído várias vezes após ter ingerido bebida alcoólica. O caso teve repercussão pela internet, após vários compartilhamentos de fotos que mostravam o rosto da jovem devido as supostas agressões. No último dia 7 de janeiro, Matheus George Tannous, compareceu a Delegacia da Mulher juntamente com seus advogados. Ele prestou depoimento foi liberado em seguida.
Na noite do dia 8 de janeiro, a justiça pediu a prisão preventiva de Matheus, requerida pelo Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul, por meio das Promotorias de Justiça da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Ele não foi encontrado pela justiça e é considerado foragido.