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Capital

Após morte de empresário, famílias de vítimas de crimes pedem penas mais severas

13 abril 2014 - 07h30 Por Mariana Rodrigues

 Centenas de pessoas se uniram na manhã deste domingo (13), em frente a Prefeitura Municipal de Campo Grande pedindo o fim da impunidade. Pessoas que não se importaram com o mau tempo e deixaram suas casas em pleno domingo para unirem suas forças, já que têm em comum o sentimento da perda de algum ente querido.

A população campo-grandense presenciou na semana passada um crime bárbaro que chocou a todos. Erlon Peterson Pereira Bernal, 32 anos, foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) após anunciar a venda de seu carro, um Golf, em um site de compra e venda. A família do empresário procurou o movimento Mães da Fronteira, liderado por Lilian Silvestrini e Angela Fernandes, mães de Breno Silvestrini e Leonardo Fernandes, mortos após terem o veículo em que estavam roubado, para que um manifesto fosse realizado pedindo penas mais severas para os assassinos.

Familiares e amigos de vítimas de outros crimes que revoltaram a população estiveram presentes no ato desta manhã, como por exemplo, Rodrigo Rech, morto em março deste ano por um policial civil aposentado, Dayane Silvestre Uliana, 26 anos, morta com três tiros na cabeça pelo ex-marido e Eliza Samúdio, morta a mando do ex-goleiro Bruno.

Vestidos de branco e com uma faixa preta no braço, esses familiares e amigos caminharam desde a prefeitura até o Parque das Nações Indígenas, onde lá expressaram suas dores através de palavras de revolta.

Mãe de Leonardo Fernandes e vice presidente do Mães da Fronteira, Angela Fernandes, comentou que é contra a redução da maioridade penal e a pena de morte. “O que recupera o ser humano é ele ter obrigações”, disse. Ela comentou ainda que os Direitos Humanos fala muito sobre a forma desumana como os presos são tratados, mas para ela, “desumano é pegar uma pessoa em plena vida e deixá-la o dia inteiro sem fazer nada”, relatou sobre a falta de trabalho para os internos.

Sobre como surgiu a ideia da manifestação, ela disse que foi procurada pela família de Erlon. “Eles não sabiam como fazer e nos procuraram”. Questionada sobre o que passa pela sua cabeça ao ver um crime como esse, ela diz que passa um filme em sua cabeça. “Eu sabia exatamente o que os pais estavam sentindo. Para nós (Mães da Fronteira), o nosso sonho dourado era que nenhuma mãe ou pai chorasse essa dor, tem que haver mudança de valores. Falta dignidade, as pessoas colocam o dinheiro acima de tudo, a vida hoje não vale nada”, desabafou.

Outra família que estava presente no ato público era a de Dayane Silvestre Uiliana, 26 anos, morta pelo ex-marido. “Pedimos justiça e pena máxima para esses assassinos. Hoje foi minha filha, mas amanhã pode ser com outra família, tem que ter pena máxima para que eles não saiam nunca”, disse Maria Deunid, 52 anos, mãe de Dayane. Maria estava com o neto e disse que até hoje ele chama pela mãe.

A mãe de Eliza Samúdio, Sonia Moura, contou ao MS Repórter que não ficou satisfeita com o desenrolar do julgamento do ex-goleiro Bruno. “Ele foi preso, mas até agora não me falaram onde estão os restos mortais da minha filha. Não é feito nada em prol para saber o que foi feito com o corpo dela”, disse. Sobre o fato de Bruno sair da cadeia, ela comentou que as leis “são muito brandas para esse tipo de crime. As pessoas estão cada vez mais frias e sem amor”, comentou.

Sobre o neto, Sonia disse que ele reconhece a mãe e sabe que ela está morte. “Ele a reconhece em fotos, ele me chama de mãe, mas tem consciência que eu sou avó, mas fiz questão de preservar o lugar da mãe dele”. Relatou.

A manifestação ocupou uma pista da Avenida Afonso Pena, vários cartazes e gritos pedindo Justiça podiam ser vistos e ouvidos ao longo da caminhada. Na chegada ao Parque das Nações, o irmão de Erlon, ainda muito abalado, agradeceu a todos que estavam presentes e saíram de suas casas para participar da manifestação.

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