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Cultura

Escolas de samba da Capital estão na reta final para os preparativos do Carnaval 2012

8 fevereiro 2012 - 06h57 Por Markito

Faltando 9 dias para os desfiles das Escolas de Samba de Campo Grande, os barracões estão a todo vapor. Papel, pano, lantejoulas, panos coloridos, esculturas, armação de carros alegóricos, cola, tesoura, uma infinidade de materiais para a construção de carros, acessórios e fantasias. A ansiedade e o nervosismo são inevitáveis para quem está trabalhando. O empenho é para que nada dê errado no dia do grande desfile.

No Barracão da Escola de Samba Unidos da Vila Carvalho, Alexsandro Oliveira Pereira, de 19 anos, faz colagem de alguns acessórios em meio às fitas verdes. O jovem conta que participa do Carnaval desde criança e há 7 anos está na escola.

“Eu era da bateria e resolvi fazer o curso de confecção da própria escola. Hoje, passo o dia na produção e à noite vou para o ensaio da bateria”, conta. Como a maioria das pessoas que trabalham no Carnaval, ele concilia a paixão pela festa com outro emprego em uma conveniência da cidade.

Da máquina de costura de Leozimar Lima, de 45 anos, as peças começam a surgir. “A costura é a base de tudo, daqui que a gente manda para a montagem e colagem”, explica. “Léo”, como também é chamada, é amante não só do Carnaval, mas da cultura de um modo geral.

Com qualificação em costura industrial, já trabalhou em vários projetos culturais em Mato Grosso do Sul e outros estados como Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador. “Mas o Carnaval além de ser cultura, é fascinante, o desfile é um momento mágico”, diz sorrindo.

No entanto, para Léo, as pessoas e, principalmente o poder público, precisam ver o Carnaval não só como uma festa, mas também como fonte de renda. “Muitos artistas são lembrados só nessa época, mas o ano todo as pessoas estão trabalhando e o Carnaval pode gerar renda e emprego. As pessoas podem fazer cursos na própria escola, se qualificar fazendo oficinas para costura, colagem e montagem de fantasias. Além disso, a cidade que faz um bom Carnaval vai receber gente de fora e movimentar os hotéis e o comércio”, destaca.

Ivan França, de 33 anos, é outro integrante da equipe de produção e confecção. “Sempre fui apaixonado por Carnaval, acompanhava os desfiles do Rio de Janeiro e as escolas daqui também. Comecei a ir aos ensaios da Vila Carvalho e virei passista, agora também participo da confecção”.

A preocupação de França é em dobro. Além de preparar as fantasias, ele vai aos ensaios da bateria para ter preparo físico no dia do desfile. “Na avenida, a gente fica praticamente 50 minutos, sambando, sorrindo e tentando contagiar o público com a sua alegria”.

Coreógrafo de bandas e fanfarras, ele lembra que poucas pessoas lembram que o Carnaval é também história, pesquisa. “Aqui a gente aprende muito, muitas histórias que a gente canta na avenida as pessoas não conhecem”,comenta.

De acordo com o presidente da Escola de Samba Unidos da Vila Carvalho, José Carlos de Carvalho, mais de 600 pessoas vão desfilar, são 12 alas mais os carros alegóricos. Ao todo, a Escola tem mais de 3 mil integrantes, mas nem todas participam todos os anos.

São 60 pessoas trabalhando na produção de adereços, alegorias, costura, artesanato, estilistas, eletricistas, serralheiros, grupos de dança e de teatro. A Escola de Samba foi tricampeã por duas vezes, nos anos de 2005, 2006 e 2007 e nos anos de 2009, 2010 e 2011. Ao longo dos 43 anos de existência, conquistou 15 títulos de campeã. Este ano, a Escola desfila com o enredo "Campo Grande" e samba enredo "Morena Prosa".

Os preparativos também estão a todo vapor na Escola de Samba Igrejinha. Com 36 anos de história, a escola já conquistou 20 títulos no Carnaval. “Estamos correndo contra o tempo. Faltam alguns detalhes e estamos fazendo tudo com muito capricho”, conta o presidente da Escola de Samba Igrejinha, Paulo Freire.

Este ano, leva para o desfile o enredo “Ueze Zahran – de sonho e trabalho um Império se fez”. De acordo com Freire, o objetivo é despertar o interesse de toda a sociedade e, principalmente, chamar a atenção dos empresários para que possam participar e incentivar mais o Carnaval.

Na Igrejinha, são mais de 20 pessoas entre voluntários e componentes trabalhando de manhã, à tarde e à noite. O desfile terá 10 alas, com 40 pessoas cada uma, além de 30 baianas, 70 instrumentos na bateria e quatro carros alegóricos.

“A expectativa é muito grande, queremos desfilar com detalhes que mostram que o nosso Carnaval de Campo Grande é profissional. Queremos mais acertar do que errar”.

Para Freire, o Carnaval é um evento de igualdade, em que cada um se expressa de sua maneira. “Além disso, o nosso trabalho envolve estudos, fazemos pesquisas aprofundadas sobre temas e personalidades históricas. E este ano queremos surpreender o público campo-grandense”, finaliza.

Adriana Oliveira

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