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Cultura

Audiência Pública sobre Pichação causa grande discordância de opiniões

4 abril 2013 - 06h38 Por Mariana Anjos e Mariana Rodrigues

Discussão, polêmica, discordância, revolta, vaias e aplausos. Esse foi o cenário da Audiência Pública sobre Pichação, realizada na noite dessa quarta-feira (3), na Câmara Municipal de Campo Grande. A ideia de organizar o evento foi da Comissão Permanente do Meio Ambiente, presidida pelo Vereador Eduardo Romero e demais membros. O intuito foi de encontrar alternativas para acabar com pichações pela cidade e sim torná-las em manifestações artísticas, sem agredir e vandalizar locais públicos e privados sem autorização.

Segundo o vereador Eduardo Romero, a ideia de realizar a audiência, primeiramente surgiu como morador de Campo Grande, por se sentir incomodado em andar pela cidade, tanto pelo centro, quanto pelos bairros e ver o crescente das pichações, letras que você não consegue identificar. “Às vezes notamos algumas palavras desconectadas da situação e de qualquer forma criando uma sensação de mal estar, de abandono, de vandalismo. E também acaba se tornando um problema com o patrimônio público e privado. Por isso surgiu a discussão, para pensarmos o que é possível fazer para acabar com essa situação, como é que nós podemos encontrar alternativas para resolver esse problema”, contou .

“Será que a gente resolve isso criando espaços para manifestações artísticas, por exemplo, será que se todas as obras do município reservar os seus tapumes para manifestações de grafites, isso ajudaria? Será que oficinas artísticas nas escolas com os jovens estudantes é uma alternativa? Por que a lei, ela já incrimina quem faz isso e ai já da detenção de três meses a um ano, mais multa. Essa parte da lei, de punir, ela já existe. Então nós queremos encontrar alternativas para que a gente possa resolver a questão”, relatou também o Vereador.
 
O vereador ainda salientou “o que nós não podemos é aceitar é que a pichação seja tida como manifestação artística, por que não é, ela é um ato de vandalismo, ela depreda, ela acaba com o patrimônio público ou privado. O que nos queremos é encontrar alternativa para que as linguagens artísticas sejam respeitadas, sejam representadas, mas elas não sejam punidas em detrimento de atos de vândalos. A pichação é crime, estraga a cidade, acaba com o patrimônio privado e com o patrimônio público. O grafite e o muralismo, que são alternativas, são linguagens artísticas que podem inclusive render para a pessoa, pode virar profissão”.
 
Na ocasião, a plateia se fez em grande número, por jovens que se demonstraram o tempo todo, a favor da pichação e das manifestações que vem sendo feita pela cidade. Representando eles, na mesa, junto às autoridades que compuseram a mesa da Câmara de Vereadores esteve a jovem Marina Peralta, que leu um texto, segundo ela, escrito em conjunto com os demais jovens e esboçou sua opinião sobre o assunto em questão “Pichação”. “A Pichação é um dedo na ferida da sociedade dos políticos. Ela representa a juventude e fala o que não é dito nos gabinetes, tanto que nessa tela que estamos vendo aqui não mostra as pichações feitas que se referem aos políticos, que tem várias pela cidade”, destacou a jovem.  Ela se refere ao slide de imagens pichadas que estava sendo transmitido o tempo todo na audiência, mostrando locais públicos marcados pelas pichações, sendo alguns com autorização devidamente concedida.
 
“A pichação é uma forma de denunciarmos algo que vemos de errado. É uma maneira de mostrar que a cidade é nossa. Pichação não é crime, crime é não assinar a CPI da Saúde e deixar a UEMS como está e os alunos tendo que fazer greve”, concluiu Peralta, se referindo a questão polêmica também que foi evidenciado pelos vereadores de abertura ou não da CPI da saúde em Campo Grande e com relação a greve dos estudantes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), que reivindicam infra estrutura e condições de darem continuidade em seus estudos. 
 
Após autoridades exporem suas opiniões, foi aberto ao público para os interessados falarem também, o que causou tumulto, discordâncias e debates mais exaltados. Estiveram presentes, alguns vereadores da cidade, autoridades policiais, da cultura, apresentadores de programas, representantes da classe dos artistas plásticos, além de jovens de universidades, escolas publicas locais e representante de órgão em defesa da criança e do adolescente. 

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