O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) registrou inflação de 0,83%, no mês de janeiro, indicando forte aumento em relação a dezembro de 2011, cujo índice foi de 0,58%. Tal aumento deve-se principalmente aos preços das mensalidades escolares, que subiram em média 5,43%. “Mas essa inflação é menor do que aquela apresentada no mesmo período do ano passado - 1,40% -, indicando uma tendência de queda durante este ano, no sentido de atingir o centro da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%”, lembra o coordenador do Núcleo de Pesquisas Econômicas e Sociais da Universidade Anhanguera-Uniderp (Nepes), Celso Correia de Souza.
O IPC/CG busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.
O grupo Habitação apresentou pequena elevação de 0,17% em seus preços em relação ao mês de dezembro. As maiores altas deste grupo ocorreram com produtos como: desinfetante 8,95%, ventilador 6,0% e refrigerador 5,72%. Quedas de preços ocorreram com pilha: fogão (-7,62%), forno microondas (-6,43%) e esponja de aço (-4,0%).
Apresentando alta inflação 0,73%, o grupo Alimentação refletiu o clima adverso do mês de janeiro, prejudicando as verduras e legumes que consequentemente encareceram. “Assim, os produtos que mais pressionaram a inflação para cima foram: chuchu 45,24%, mamão 24,73%, maracujá 21,57% e feijão 19,43%. Por outro lado, alguns produtos desse grupo tiveram quedas de preços significativas, tais como: limão (-28,92%), milho verde (-17,87%), acém (-11,21%), ponta de peito (-7,69%), paleta (-6,97%), costeleta suína (-6,65%), costela bovina (-5,95%) e lagarto (-5,36%)”, pondera Souza.
No item carnes, a maioria dos cortes sofreu queda de preços. Os cortes de carne bovina tiveram os seguintes comportamentos: baixas mais expressivas com acém (-11,21%), ponta de peito (-7,69%), paleta (-6,97%), costela (-5,95%) e lagarto (-5,36%). Aumentos ocorreram com o fígado 5,18%, picanha 4,74% e vísceras de boi 2,86%. “Em relação à carne suína, todos os cortes baixaram de preços, como a costeleta (-6,65%), pernil (-4,55%) e bisteca (-1,26%). O frango congelado teve aumento de 5,03% e miúdos com aumento de 1,12%”, completa o pesquisador.
Já no grupo Transportes observou-se moderada deflação de (-0,55%), devido principalmente as quedas de preços de automóvel novo (-1,75%), gasolina (-1,67%) e óleo diesel (-1,38%). Porém, aumentos de preços foram verificados nas passagens de ônibus interestadual 2,34%, etanol 1,91% e pneu novo 0,69%.
“Um dos vilões do IPC/CG no mês de janeiro, o grupo Educação apresentou fortíssima inflação 5,43%, devido a aumentos das mensalidades escolares que ocorrem principalmente nessa época do ano. Aumentaram de preços: ensino fundamental e médio 10,67%, ensino superior 6,46% e ensino infantil 5,65%. Baixaram de preços: curso de idiomas (-12,37%) e papelaria (-0,33%)”, relata Souza.
O grupo Despesas Pessoais apresentou moderada inflação de 0,51%. Aumentos de preços ocorreram com os produtos/serviços: manicure e pedicure 6,99%, produtos para limpeza de pele 4,97% e sabonete 4,62%. Quedas de preços ocorreram com fio dental (-5,25%), absorvente higiênico (-1,94%), xampu (-0,66%) e hidratante (-0,32%).
Também apresentando fortes aumentos nos preços de produtos e serviços, o grupo Saúde encerrou janeiro com inflação de 1,30%, destacando com aumentos expressivos: plano de assistência médica 4,16% e antimicótico e parasiticida 2,65%. Quedas de preços ocorreram com: hipotensor e hipocolesterínico (-3,17%), vitamina e fortificante (-2,12%), analgésico e antitérmico (-1,49%).
“Observou-se moderada deflação de (-0,31%) no grupo Vestuário, devido às liquidações de produtos desse grupo, típicas nessa época do ano. Produtos como bermuda e Short feminino 4,14%, camiseta masculina 3,80% e vestido 3,32% apresentaram altas de preços. Quedas ocorreram com blusa (-6,84%), tênis (-2,63%), calça comprida masculina (-1,17%), entre outros com menores quedas”, finaliza Souza.
Inflação acumulada
A inflação acumulada nos últimos 12 meses na cidade de Campo Grande foi de 5,97%, já abaixo do teto da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN) que é de 6,5% para 2012. A meta para a inflação estabelecida pelo CMN foi de 4,5%, com uma tolerância de (± 2%). Como as autoridades do Governo têm colocado, a tendência da inflação neste ano de 2012 é convergir para o centro da meta, que é de 4,5%, o que tudo indica, vai ocorrer”, analisa pesquisador do Nepes, José Francisco dos Reis Neto.
“O grupo Educação foi o que apresentou a maior taxa de inflação neste mês de janeiro de 2012, com 5,43%, seguido dos grupos Saúde 1,30%, Alimentação 0,73%, Despesas Pessoais 0,51% e Habitação 0,17%. Índices negativos ocorreram com: Transportes (-0,55%) e Vestuário (-0,31%). Já, quanto à inflação acumulada nos últimos 12 meses, todas estão positivas, destacando Vestuário com 9,60%, Educação 7,31%, Habitação 7,28% e Saúde 7,10%, com índices acima da inflação acumulada nesses últimos 12 meses, que foi de 5,97%”, complementa o pesquisador.
Os dez mais e os dez menos do IPC/CG - Os dez produtos que mais contribuíram para a elevação da inflação no mês de dezembro foram: Ensino superior, Ensino fundamental e médio, Plano de assistência médica, Feijão, Pescado fresco, Pré-escola, Abatidos, Arroz, Etanol e Alface. Já os dez produtos que menos contribuíram para alta da inflação foram Acém, Curso de idiomas, Gasolina, Leite pasteurizado, Costela bovina, Blusa, Automóvel novo, Diesel, Paleta e Óleo de soja.
Helton Verão/Com informações da assessoria
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