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Economia

Variação no preço da Cesta Básica na Capital é a maior entre as pesquisadas pelo Dieese

9 junho 2013 - 03h00 Por Lucas Junot - com informações do Dieese

Após a variação negativa (-1,73%) registrada nos preços dos alimentos em abril, a pesquisa da cesta básica realizada mensalmente pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em Campo Grande voltou a registrar alta e custou R$ 281,40 ao trabalhador no mês de maio.

O aumento em doze dos treze itens pesquisados apontou uma variação de preços na capital da ordem de 3,59% no período abril/maio, a maior registrada entre as 18 capitais onde a pesquisa é realizada. No ano de 2013, os preços dos alimentos analisados na capital oscilaram 15,83%. A cesta básica custou R$ 271,65 aos trabalhadores no mês de abril.

Apesar da variação elevada, a cesta básica em Campo Grande reapresentou o menor custo aos trabalhadores da região Centro-Oeste

Comparando os resultados obtidos na capital sul-mato-grossense com o das outras capitais onde a Pesquisa Nacional da Cesta Básica é realizada pelos Escritórios Regionais do DIEESE, a cesta básica local permaneceu como uma das mais acessíveis.

Comprometimento do salário mínimo e jornada de trabalho aumentam

O trabalhador campo-grandense que recebe um salário mínimo comprometeu 45,11% do rendimento líquido dessa renda no mês de maio para aquisição da cesta básica – rendimento líquido que é obtido descontando-se 8%, referente à contribuição previdenciária, do salário mínimo. Este comprometimento foi de 43,55% em abril.

A jornada de trabalho necessária para adquirir a cesta básica aumentou consideravelmente em maio. Foram necessárias 91 horas e 19 minutos de trabalho para comprar a cesta, uma variação de 3 horas e 10 minutos. Em abril, o tempo despendido foide 88 horas e 09 minutos.

Cesta familiar custou R$ 29,25 a mais em maio para os campo-grandenses

O custo da cesta básica para a família é obtido multiplicando por três o valor da cesta apontado na pesquisa. O núcleo familiar para a pesquisa é composto de quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças – que, para efeitos de cálculo, consomem como um adulto.

Para atender as necessidades com alimentação, a família campo-grandense gastou R$ 844,20 em maio. Comparada com o custo da cesta familiar notada em abril, que foi de R$ 814,95, o aumento observado no período foi de R$ 29,25. Este custo implicou a necessidade de obter 1,24 vezes o salário mínimo bruto em maio para aquisição da cesta, contra 1,20 em abril.

Salário mínimo necessário teve aumento de R$ 67,55 em abril

O Decreto Lei n.º 399/1938, marco legal de referência para a pesquisa da cesta básica realizada mensalmente pelo DIEESE, determinou que o salário mínimo abastecesse as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Mensalmente também é estimado pelos pesquisadores o valor do salário mínimo necessário para o atendimento das exigências constantes na norma legal supracitada.

O DIEESE utiliza o custo mais elevado da cesta básica para elaborar esta estimativa que, em maio, foi registrado em São Paulo. Considerando o custo da cesta para os paulistanos, o salário mínimo necessário ao trabalhador brasileiro deveria perfazer a quantia de R$ 2.873,56, soma que corresponde a 4,24 vezes o salário mínimo bruto.

Comportamento dos preços

No mês de maio, doze dos treze alimentos que compõe a cesta básica registraram aumento de preços, o que justifica a variação de 3,59% no custo total da cesta – as variações nos preços do arroz, café, açúcar e manteiga em Campo Grande foram as maiores entre as capitais pesquisadas.

A banana foi o único produto pesquisado que apresentou variação negativa no preço médio (-1,47%). As oscilações positivas, em ordem decrescente, foram notadas nos preços médios dos seguintes alimentos: batata (14,01%), açúcar (13,24%), café (9,57%), feijão (8,55%), arroz (7,62%), óleo (7,54%), manteiga (4,39%), farinha de trigo (4,14%), pão francês (2,43%), leite (1,59%), carne (1,47%) e tomate (0,82%).

A falta de produto no mercado e a baixa produtividade nos campos fornecedores devem manter os preços da batata em elevação por mais um tempo – o que inspira criatividade para os consumidores, mas é boa notícia para os bataticultores, que devem aproveitar o bom momento até meados de julho, segundo estimativas do setor.

A expressiva variação no preço do açúcar pode ser explicada ao observarmos que além do aumento no percentual da mistura de etanol na composição da gasolina, que foi de 20% para 25%, a partir de 1º de maio, o governo brasileiro concedeu isenção de PIS/COFINS no preço do etanol. Aumento da exportação - que gerou 158,8 milhões de dólares para MS no 1º quadrimestre de 2013, segundo dados do MDIC, e de logística no transporte do etanol pressionaram os preços do produto no mês de maio.

Após um longo período de indefinição, o Conselho Monetário Nacional realizou a revisão dos preços mínimos pagos aos produtores do café. Mas, segundo os analistas do Conselho Nacional do Café os valores pagos são insuficientes para atender às necessidades dos produtores, que privilegiaram a exportação do grão, na tentativa de minimizar as perdas na comercialização, que ocorre há mais de um ano.

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