Um comportamento de queda da inflação em Campo Grande vendo sendo registrado desde abril e em junho ficou muito próximo de zero, fechando em 0,01%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) divulgado mensalmente pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas (NEPES) da Universidade Anhanguera-Uniderp.
Na visão do coordenador do NEPES da Anhanguera-Uniderp, Celso Correia de Souza, “esse fato sinaliza que fatores climáticos têm contribuído para a produção de produtos hortifrutícola que afetou muito a inflação do grupo Alimentação neste início de ano, e que as medidas do governo, como o aumento da taxa Selic, têm surtido efeitos sobre a economia”, diz.
O grupo Alimentação, que vinha impulsionando o aumento da inflação, cedeu e, no mês de junho, fechou em 0,02%. No grupo Transportes houve uma pequena deflação, da ordem de -0,20%, devido às quedas nos preços dos combustíveis. O mesmo aconteceu com o grupo Vestuário, que chegou a -0,28%. Os grupos Saúde, Despesas Pessoais e Habitação apresentaram inflações de 0,13%, 0,12% e 0,08%, respectivamente. No grupo Educação esse índice foi de 0%.
Inflação Acumulada – Nos últimos doze meses foi registrada em Campo Grande uma inflação acumulada de 5,86%, ainda acima do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. Em maio, esse índice era de 6,21%. “Quando analisamos apenas o primeiro semestre de 2014, a inflação encontrada é de 3,93%, abaixo do teto estabelecido pelo CMN, de 6,5%”.
Nos últimos doze meses as maiores inflações acumuladas por grupos foram: Alimentação (9,30%) e Educação (8,10%). Nestes primeiros meses do ano destacam-se os grupos Educação, com 7,73%, Alimentação 6,69% e Habitação, com 3,94%, todas superiores à inflação acumulada do IPC (3,93%). O grupo Transportes registrou uma deflação de (-0,64%).
Os dez mais e os dez menos do IPC/CG – Os vilões da elevação da inflação do mês de junho foram: acém (0,03%), vestido (0,02%), bebidas não alcoólicas (0,02%), chocolate em pó (0,02%), Aluguel apartamento (0,01%), paleta (0,01%), calça comprida (0,01%), short e bermuda masculina (0,01%), aluguel de casa (0,01%), e alho (0,01%). Já os dez itens que mais colaboraram para a queda da inflação nesse período, em Campo Grande, foram: gasolina (-0,03%), alcatra (-0,03%), patinho (-0,02%), queijo muçarela/prato (-0,02%), calça comprida masculina (-0,02%), arroz (-0,02%), contrafilé (-0,02%), refrigerados (-0,01%), tomate (-0,01%) e linguiça fresca (-0,01%).
Segmentos
Em junho, o grupo Habitação apresentou uma pequena inflação em seu índice, da ordem de 0,08% em relação ao mês de maio. Alguns produtos/serviços deste grupo que sofreram majorações de preços foram: lâmpada (9,28%), TV a cabo (8,03%), esponja de aço (6,08%), entre outros. Quedas de preços neste grupo ocorreram com ventilador (-7,15%), álcool (-7,08%), refrigerador (-4,88%), liquidificador (-4,74%), entre outros itens.
O índice de preços do grupo Alimentação apresentou uma pequena elevação, da ordem de 0,02%, cedendo bastante em relação aos meses anteriores, quando registrou variações bem mais altas. Os maiores aumentos de preços ocorreram em produtos como: abacaxi (14,45%), maizena (13,77%), vísceras de boi (10,82%), abobrinha (10,72%), entre outros. Fortes quedas de preços ocorreram com os seguintes produtos: chuchu (-8,01%), limão (-7,51%), melancia (-7,07%), queijo muçarela/prato (-6,53%), entre outros.
O coordenador do Nepes da Anhanguera-Uniderp afirma que o grupo Alimentação sofre muita influência de fatores climáticos e da sazonalidade, principalmente, de verduras, frutas, legumes e carne bovina. “Alguns produtos aumentam o preços ao término da safra, outros diminuem seus valores em época de safra. Quando o clima é desfavorável há elevação de preços”, diz. No caso do queijo muçarela/prato, o professor explica que mesmo estando na entressafra do leite, “o produto e seus derivados aumentaram muito no final do ano passado e não estão se sustentado, com a diminuição do consumo e, consequentemente, quedas nos seus preços”.
Fato semelhante ao leite está ocorrendo com a carne bovina. Apesar do início da entressafra, em que os preços tendem a aumentar, a maioria dos cortes estão com os preços em quedas. Por conta do aumento da carne bovina no final do ano passado e início de 2014, “está havendo uma retração no seu consumo, com migração para as carnes suínas e de frango, que estão com preços bem mais convidativos”, analisa Correia. Os cortes que mais sofreram majorações de preços foram: vísceras de boi (4,65%), picanha (4,18%), fígado (3,84%), paleta (3,56%), entre outros. Quedas de preços ocorreram com patinho (-5,01%), filé mignon (-4,97%), contrafilé (-2,63%), coxão mole (-2,19%), entre outros. O frango resfriado teve aumento de 0,58% e miúdos de frango, 0,15%. Quanto à carne suína, o aumento de preço foi com a bisteca (3,12%) e a costeleta (0,29%). Queda de valor foi registrada no pernil (-3,23%).
No quesito Transportes, o levantamento demonstra uma pequena queda de 0,20% devido a diminuição de preços dos combustíveis, como a gasolina (-0,94%) e etanol (-0,36%). Aumentos de preços ocorreram com passagens de ônibus intermunicipal, (5,10%).
O Grupo Educação foi o único que apresentou estabilidade nos preços de seus produtos e serviços, registrando o índice de 0%.
Já o grupo Despesas Pessoais apresentou uma pequena inflação, da ordem de 0,12%. Alguns produtos que tiveram aumentos de preços foram: creme dental (3,92%), fio dental (3,34%), cinema (1,87%), entre outros. Quedas de preços ocorreram com sabonete (-2,69%) e xampu (-0,03%).
O grupo Saúde apresentou uma pequena inflação em seu índice, da ordem de 0,13%. Os produtos desse grupo que registraram majorações foram: material para curativo (4,02%), analgésico e antitérmico (1,80%), anticoncepcional e hormônio (1,18%), entre outros. Já, os produtos que tiveram quedas foram: antiinflamatório e antireumático (-1,21%), vitamina e fortificante (-0,49%) e antialérgico e broncodilatador (-0,30%).
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