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Educação

Projeto auxilia na diminuição da violência nas escolas de MS

17 maio 2012 - 14h40 Por Markito

Aos 15 anos de idade, a estudante A.F, de uma escola estadual de Dourados, já passou por várias experiências infelizes. Ao invés de curtir seus ídolos, compartilhar suas primeiras emoções com as amigas, ela decidiu ir para outro lado: o caminho das drogas e da rebeldia. “Droga é uma felicidade passageira, depois que passa o efeito você volta a ser nada. É muito triste. Não existem limites e a gente nem percebe”, concluiu a menor.

Esta é a triste realidade de muitos jovens nesta faixa etária. Além das drogas, o problema da agressividade acaba servindo como escudo para se defenderem do que não conseguem explicar. Afinal, os jovens pensam que sabem tudo. A verdade é que a violência vem sendo uma constante nas escolas em todo o mundo. Apesar de ser um tema antigo, somente nos últimos anos vem se popularizando sob o conceito de bullying – palavra inglesa que significa intimidar e atormentar.

Mesmo não tendo números oficiais, a prática de atormentar os colegas envolve 45% dos estudantes brasileiros, segundo estimativa do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar (Cemeobes), com sede em Brasília. Vale ressaltar que este índice está acima da média mundial, que varia entre 6% e 40%.

Contra o bullying, as escolas investem em estratégias de prevenção. Em Mato Grosso do Sul um livro vem servindo como base para esta mudança de comportamento e já está sendo aplicado em várias escolas brasileiras, é o livro “Tosco”, escrito pelo psicólogo Gilberto Mattje e publicado pela Editora Alvorada.

Estima-se que desde seu lançamento, em 2009, o “Projeto Tosco em Ação: Prevenindo a Violência na Escola”, já tenha alcançado mais de 200 mil pessoas entre professores e alunos envolvidos diretamente com as atividades. Nestes quatro anos, o projeto conseguiu abranger as escolas da rede municipal de Campo Grande, todas as Unidades Socioeducativas de Internação e Semiliberdade de MS, e aproximadamente 340 escolas da rede pública estadual, envolvendo seus 79 municípios.

Os professores que já estão trabalhando com o projeto são unânimes em afirmar que se trata de uma evolução na educação. Além do estímulo à leitura, o que os surpreende é o interesse provocado pelo livro e a identificação imediata. “O livro tem influenciado de tal forma os alunos que muitos nos procuram para confidenciar suas histórias, pois em algum momento se identificaram com os personagens do livro ou até mesmo com o protagonista. Colher os frutos positivos desta leitura é muito gratificante”, contou a professora Marta Arantes, da Escola Bom Jesus de Três Lagoas.

O mesmo resultado vem sendo experimentado na Escola Lígia, de Rio Brilhante. “Temos em nossa escola um aluno que após a leitura do Tosco passou a ter outro comportamento, agora positivo. A melhor parte é que agora ele é um aluno que está "antenado" com vários assuntos. Resultado: tirou dez em Língua Portuguesa, bem diferente da média seis que vinha apresentando. O livro está ensinando aos jovens que não se achavam importantes socialmente, a darem a volta por cima”, reforçou a Coordenadora do Projeto Tosco na Escola Lígia, Gelci Ribeiro.

A coleta dos dados é feita pela internet. Os questionários são acessados e respondidos online pelos professores e alunos que participam do Projeto. A estimativa é que pelo menos 140 mil pessoas estejam envolvidas diretamente com a pesquisa. As respostas já estão chegando das escolas participantes.

Mariana Anjos / Com Informações Idest.com

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