Em depoimento na manhã de hoje (21), o procurador aposentado Carlos Alberto Zeolla, denunciado por matar o sobrinho, Cláudio Alexander Joaquim Zeolla, 23 anos, no dia 3 de março de 2009, disse que o principal motivo que o levou a cometer o assassinato foi o fato de Cláudio ter agredido o avô. Isso o deixou muito nervoso e o fez “perder a cabeça”.
Uma das testemunhas ouvidas foi a mulher do sobrinho de Zeolla, Nátalia Pereira dos Santos. Ela afirmou que na época do assassinato havia voltado a se relacionar com Cláudio. Ela confirmou a agressão de Cláudio ao avô e disse que o motivo teria sido porque o avô defendeu a empregada em uma discussão por causa do uso do ventilador de Cláudio para descongelar a geladeira.
Colegas de Zeolla do Ministério Público também foram ouvidos e destacaram a dedicação exacerbada dele como procurador de Justiça, que costumava trabalhar além do horário de expediente.
Em seu depoimento, Zeolla afirmou que os dois anos e quatro meses que esteve na clínica psiquiátrica não foram a passeio. E disse ainda que se converteu e que agora “é fiel” da Igreja Universal do Reino de Deus.
“Deus perdoa os que são sinceramente arrependidos, a justiça de Deus não é a justiça dos homens”.
Conforme o depoimento de Zeolla, ele estava a duas noites sem dormir quando cometeu o crime. E contou que havia passado por uma cirurgia de redução de estômago, feito lavagem estomacal e intestinal devido ao procedimento, isso dois dias antes do crime. Segundo ele, no dia posterior a cirurgia ficou sabendo da agressão ao seu pai por meio de dois sobrinhos. Soube então que seu pai passou mal ao ponto de ir a um hospital para atendimento médico.
“Quando encontrei meu pai debilitado fiquei ainda mais nervoso. Ele era um “herói de guerra”, não suportei ver isso”, contou. Zeola disse que chegou a procurar o sobrinho no serviço, a fim de “lidar uma surra”, mas sem sucesso voltou para casa e não conseguiu dormir por mais uma noite.
Zeolla afirma que já fazia tratamento psiquiátrico e que naquele dia tomou muitos remédios, inclusive 6mg de Rivotril (tranquilizante), mas mesmo assim conseguiu descansar. Levantou cedo foi à casa do pai, viu ele e sua mãe abalados ainda com a agressão do neto, insistiu diversas vezes que o pai fizesse boletim de ocorrência. No entanto, não conseguiu convencê-lo porque ele dizia que “não queria prejudicar o neto”.
Em relação a entregar veículo automotor à pessoa não habilitada, Zeolla afirma que pediu para o menor de idade conduzir o carro sem revelar sua real intenção.
Disse ainda que pegou escondido a arma de seu pai e colocou na cintura por dentro da calça. Caminhou no Horto Florestal e como sabia que o sobrinho fazia acadêmica na Rua Bahia foi até la para esperá-lo.
Disse que não quis ser visto pelo sobrinho e chegou por trás porque haviam lhe falado que Cláudio estava forte e tomava anabolizante.
Segundo ele, desceu do carro e atirou. Em seguida foi até a saída para Três Lagoas, onde jogou a arma do crime.
Logo após isso, voltou para casa e a Polícia Militar já estava o esperando. Então foi preso e levado pela Polícia Civil. Todo esse processo foi feito com o próprio carro dele (Zeolla).
Neste momento do relato reforçou estar arrependido e contou que ao saber que o sobrinho estava em estado grave na Santa Casa, disse ter acionado um médico neurologista para tentar salvar Cláudio Alexander, o que não foi possível.
Emocionado contou que seu pai morreu depois de um ano e um mês depois do assassinato. Depois de três semanas da morte do pai, sua mãe também veio a falecer.
Carlos Alberto Zeolla é acusado de homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima. O advogado de defesa, Ricardo Trad, pede redução de 2/3 da pena, que pode chegar a 13 anos de prisão.
Ana Maria Assis e Karla Lyara
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