Julgamento do procurador de Justiça aposentado, Carlos Alberto Zeolla, 46 anos, acusado pela morte do sobrinho, Cláudio Alexander Joaquim Zeolla, 23, começou esta manhã, às 8h, mas deve terminar apenas no final da tarde. Hoje foram ouvidas as testemunhas do assassinato do rapaz de 23 anos, além do advogado de defesa, Ricardo Trad, e do promotor de justiça, responsável pela acusação, Fernando Martins Zaupa.
O julgamento teve de ser estendido ao longo do dia, devido à réplica da acusação e tréplica da defesa. Isto porque ambos discordam da legitimidade de laudos que pode comprovar ou não a inimputabilidade do réu, ou seja, que podem declarar que Zeolla é incapaz de se responsabilizar pelo crime cumprindo pena em regime fechado, por ter agido por impulso emocional e descontroladamente.
O fato é que, o argumento do promotor expõe as condições em que o réu cometeu o crime, em ato pensado, com discernimento do que estava fazendo, por ter levado roupas para trocar após cometer o crime, por ter jogado os cartuchos do revólver utilizado e, ainda, jogado a arma fora, na saída para Três Lagoas. O promotor, ainda, frisa a sua malícia de ter atacado o réu pelas costas, dando-lhe um tiro na nuca.
Já o advogado criminalista Ricardo Trad, utilizou o sentimentalismo, os valores familiares e a impulsividade no momento da emoção para defender Zeolla, que teria matado o sobrinho por ele ter agredido o seu pai, Américo Zeolla, na noite anterior. Trad também relembrou depoimentos que evidenciavam a “bondade” e a doença de Zeolla. Colegas de trabalho diziam que o réu era dedicado e humano, enquanto que a ex-mulher, Cenise Chaca, confirmava que Zeolla tinha problemas psicológicos, falava de suicídio e tinha depressão.
Ainda nesta tarde, o julgamento deve continuar, e o maior impasse é em relação a legitimidade dos laudos, enquanto o promotor defende a total capacidade de Zeolla, o advogado defende a inimputabilidade do réu. São cinco laudos anexados ao processo, dois apontam Zeolla como incapaz, dois semi imputável, e um como imputável.
No plenário, a família de Zeolla mostrou-se emocionada diante algumas falas do advogado, que fez Zeolla chorar quando falava do amor dele pelo pai, que teria sido agredido pelo sobrinho, posteriormente assassinado. O advogado RicardoTrad passou em um momento a fala para o advogado José Belga Trad, que citou frases de Rui Barbosa em homenagem ao seu pai, advogado de defesa, e comparou o amor que sentia pelos seus pais, com o amor que Zeolla sentia pelos seus.
Ana Maria Assis
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