Já está em liberdade Hugleice da Silva, acusado de prática de aborto e ocultação de cadáver da cunhada, Marielly Barbosa Rodrigues, de 19 anos. Hugleice estava preso desde o dia 14 de julho no Instituto Penal de Campo Grande. Agora Hugleice vai responder o processo em liberdade.
A primeira turma do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS), por unanimidade, aceitou na tarde desta segunda-feira (19) o pedido de habeas corpus da defesa de Hugleice. O despacho foi assinado pela juíza de Sidrolândia, Silvia Eliane Tedardi da Silva.
O advogado do rapaz, José Roberto da Silva, esteve desde o início da tarde desta terça-feira no Fórum, em Campo Grande, onde aguardou o alvará de soltura de seu cliente. “Tivemos uma grande conquista. Meu cliente tem bom comportamento, colaborou e muito para as investigações. Agora é só acompanhar o processo”.
Outros argumentos como endereço fixo, bons antecedentes, trabalho, família constituída e ter apresentado de forma espontânea à polícia após ter a prisão decretada, também foram utilizados para o pedido de habeas corpus de Hugleice. Além do cunhado também foi preso em razão das mesmas acusações o enfermeiro Jodimar Ximenes Gomes. Segundo a polícia, ele é acusado de ter praticado o aborto que teria provocado a morte de Marielly.
O advogado do enfermeiro, David Moura Olindo, diz que também apresentou um pedido de liberdade para seu cliente e tem a expectativa que o TJ/MS analise o habeas corpus na próxima semana.
O caso
A morte da jovem estudante Marielly teve imensa repercussão em todo Mato Grosso do Sul e também na cidade de Alto Paraíso, onde a jovem foi enterrada. Um crime repleto de suspense, aonde as informações eram vistas como peças de um quebra-cabeças difícil de montar.
Na tarde do dia 21 de maio, Marielly desapareceu em Campo Grande no dia 21 de maio. O corpo dela foi encontrado em um canavial na cidade de Sidrolândia, a 70 quilômetros da capital, no dia 11 de junho. Antes disso, a família já havia iniciado campanha em busca da jovem. Na investigação, a Polícia Civil descobriu que a estudante morreu em decorrência de aborto mal sucedido.
O cunhado de Marielly e o enfermeiro foram presos, suspeitos de envolvimento na morte da jovem. Inicialmente, Silva negou que tivesse qualquer relação com o caso, mas confessou que teve um relacionamento com a garota e que a levou para abortar em Sidrolândia. Silva disse que pegou o telefone do enfermeiro com um caminhoneiro e marcou encontro na casa dele, em Sidrolândia.
O cunhado de Marielly disse à polícia que Gomes contou que o procedimento deu errado e a jovem morreu. Os dois teriam levado o corpo para o canavial. Silva nega que seja o pai da criança que a cunhada esperava.
Mesmo com as confissões de Silva, o enfermeiro nega participação no crime. O advogado Davi Moura de Olindo, advogado de Jodimar Gomes, declara que as provas contra o cliente são frágeis e que as investigações precisam tomar outro rumo para apontar a verdadeira causa da morte de Marielly.
Ceyd Moreles
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