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Prefeito de Alcinópolis continua preso mesmo com habeas corpus do STJ

29 setembro 2011 - 04h44 Por Markito

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liberdade provisória ontem (28) ao prefeito de Alcinópolis, Manoel Nunes da Silva (PR), preso em Campo Grande por ser um dos supostos envolvidos no assassinato do presidente da Câmara do município, Carlos Antônio Carneiro. Apesar da decisão, o MSREPÓRTER entrou em contato com a delegacia e constatou que ele continua preso, pois ainda não foram executados os trâmites legais para sua soltura. O vereador foi assassinado no ano passado e Silva está preso desde julho deste ano.

A liberdade foi consentida em habeas corpus solicitado pelo advogado do prefeito, Jeferson dos Santos Rodrigues de Amorim, que teve o pedido relatado pelo desembargador ministro Adilson Vieira Macabu.

O prefeito está preso em uma cela da 3ª Delegacia de Polícia, no Carandá Bosque, e deverá ser solto ainda nesta quinta-feira (29). Para isso, o STJ deve enviar um ofício informando a decisão ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que deve, por sua vez, expedir o alvará de soltura, para que um oficial de justiça vá à delegacia e apresente o documento para liberar o prefeito.

Operação

Além do prefeito, mais cinco pessoas suspeitas de envolvimento na morte vereador Carlos Antônio Carneiro (PDT), foram presas na manhã do dia 20 de julho em Alcinópolis. Entre elas, o presidente da Câmara Valter Roniz (PR) e o vice-presidente Valdeci Lima (PSDB).

Pelo fato do crime ter acontecido em Campo Grande, a delegada Rozeman Geise Rodrigues de Paula é a responsável pelas investigações. O inquérito e a prisão preventiva tinha prazo de 30 dias, podendo ser prorrogados, e no caso do prefeito havia sido aprovada a prorrogação em caráter de prisão temporária.

O caso segue em segredo de justiça.

Assassinato

O vereador e presidente da Câmara Municipal de Alcinópolis, Carlos Antonio Costa Carneiro (PDT), de 40 anos, foi assassinado com três tiros, no dia 26 de outubro de 2010, ao lado do hotel Vale Verde, na avenida Afonso Pena esquina com a rua Guia Lopes, em Campo Grande.

Após disparar contra a vítima, o autor correu ao encontro de Aparecido de Souza, de 28 anos, que o esperava em uma motocicleta Yamaha, de placa HSN 2741, de Campo Grande/MS.

A dupla foi presa após ser perseguida por dois investigadores da DGPC (Diretoria Geral da Polícia Civil) que passavam pelo endereço em uma viatura descaracterizada e presenciaram o crime.

Segundo os policias, durante a perseguição chegaram a atirar três vezes contra os autores que foram impedidos de fugir após derraparem e caírem ao chão. Eles foram presos pelo Grupo Armado de Repressão a Roubos e Sequestros (Garras).

Os criminosos teriam sido contratados para executar o vereador pelo valor de R$ 20 mil.

Alcinópolis

Enquanto o caso não é julgado, em Alcinópolis o clima é de rivalidade. Conforme o vice-prefeito, Alcino Carneiro, que assumiu a prefeitura após a prisão do prefeito, é pai do vereador que foi assassinado. Ele e a família pedem justiça e chegaram a vir para Campo Grande quando os suspeitos foram presos, a fim de acompanhar a ação dos policiais, vestidos com camisetas com foto do vereador.

Alcino, prefeito interino, reclama que aliados de Silva, suspeito do assassinato do seu filho, estão fazendo “barbaridades” em Alcinópolis. “Eles chegaram a colocar fogo no meu quintal, ameaçam invadir a prefeitura, dizendo que assim que Manoel voltar, ocupará novamente o cargo de prefeito”, afirmou Alcino. Ele disse, ainda, que com a liberação do prefeito, teme mais ainda pela sua segurança e de sua família, que é uma das fundadoras da cidade.

“Pelo que ele fez com meu filho, um crime bárbaro por não aceitar as coisas erradas que ele fazia na prefeitura, ele não pode ficar em liberdade. Ou então, minha família tem que sair da cidade, até que a justiça seja feita”, afirmou Alcino, que disse ainda ter pedido apoio à secretaria de segurança do município, mas que ainda não obteve resposta.

Ana Maria Assis

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