No dia 4 de outubro é comemorado o Dia Mundial dos Animais, e em Campo Grande a data é marcada pela luta de protetores em prol do bem estar dos bichos.
Alertar a população sobre a guarda consciente, protestar contra todas as formas de crueldade, mostrar às autoridades a necessidade da criação de um sistema de saúde animal e retirá-los de situações de abandono e maus tratos são algumas das batalhas travadas por quem busca dar voz aos que não falam por si mesmos.
Desde 15 de outubro de 1978, os direitos dos animais estão fixados na Declaração Universal dos Direitos do Animal, criada pela UNESCO. O objetivo deste documento é assegurar a preservação das espécies de todo o planeta e garantir o seu bem-estar. O Dia Mundial do Animal celebra-se desde 1930 em homenagem a São Francisco de Assis, um grande protetor dos animais, que morreu em 4 de outubro de 1226.
Falta de apoio
Descaso. Esta é a palavra que resume a situação de muitos animais pelo mundo todo. Em Campo Grande, infelizmente, a regra não é diferente.
Para a fundadora da organização não governamental (ONG) Abrigo dos Bichos, Maria Lúcia Metello, dois pontos já melhorariam muito a realidade vista nas cidades de todo o país. O primeiro é a conscientização da população para a guarda responsável. “As pessoas devem ter animais apenas se tiverem condições de cuidar bem deles”, explica. O segundo é a necessidade da criação de um programa público de saúde para os bichos, uma espécie de SUS animal. “É preciso que haja uma política nacional, atualmente nada é feito e todos fingem não ver o problema”.
Trabalho dos protetores
Além do Abrigo dos Bichos, a Capital conta com mais duas ONGs trabalhando pela mesma causa, a Fiel Amigo e a Vira Latas MS. Porém as ações são um pouco diferentes. Um exemplo disso é a manutenção dos animais após o resgate.
Enquanto a Fiel Amigo cuida de, em média, 50 cães e gatos, o Abrigo dos Bichos não possui local para manter os animais recolhidos, contando com a ajuda de voluntários, que fazem de suas casas lares temporários para aqueles que precisam. “Prestamos socorro aos animais, mas não podemos ficar com eles. Cuidamos para que fiquem saudáveis para que possamos encaminhá-los para a adoção”, relata Maria Lúcia.
Mas uma coisa elas têm em comum: todas se mantêm através de doações e do voluntariado. “Ganhamos um terreno, e agora buscamos ajuda para construir nossa sede própria, onde poderemos prestar atendimento veterinário gratuito aos animais de pessoas carentes”, conta bancária Magali Alvarenga, voluntária da ONG Fiel Amigo desde 2009.
Para este tipo de atendimento é que Maria Lúcia crê na necessidade de políticas públicas voltadas à saúde animal. “Hoje, funcionamos como uma espécie de SUS animal. Sempre aparecem muitos animais atropelados, abandonados, doentes etc. As pessoas não têm consciência da guarda responsável e nós fazemos esse papel”, desabafa. Ela conta o que a ONG faz para conseguir realizar esse trabalho. “Firmamos parcerias com clínicas particulares para que os animais tenham tratamento gratuito ou pelo menos mais barato, mas essas instituições não são beneficentes, por isso muitos tratamentos temos que pagar. O que o governo precisa desenvolver, com muita urgência, é um sistema gratuito de atendimento de emergência, para que animais doentes ou machucados não fiquem agonizando nas ruas por conta da falta de atendimento e da omissão de seus responsáveis”.
No Dia Mundial dos Animais, a mensagem que fica de quem luta pela causa é que a conscientização e o comprometimento da população com a guarda responsável somada à ajuda do governo para o desenvolvimento de políticas públicas podem salvas muitas vidas do sofrimento e do descaso. “As pessoas precisam se conscientizar de que os animais sofrem. Sentem dor, fome, frio e medo como qualquer um de nós, e não podem ser deixados nas mãos de quem não zela por eles ou serem abandonados á sua própria sorte”, completa Maria Lúcia.
Evento contra a crueldade animal
Como parte das comemorações ao Dia Mundial dos Animais, será realizado no próximo sábado (8), a partir das 16h, o Evento Mundial pelo Fim da Crueldade Animal (WEEAC na sigla em inglês).
O evento, simultâneo em várias cidades do mundo, será realizado em frente ao Parque das Nações Indígenas e os protestos serão contra todas as formas de crueldade a que os animais são submetidos, como maus tratos, zoofilia, sacrifício em rituais religiosos, entre outros. Isso tudo além das causas mundiais, como a extração de peles de animais ainda vivos, o abate de golfinhos no Japão e de focas no Canadá.
Os organizadores pedem que os participantes levem consigo uma vela, que será acesa ao entardecer para a realização de uma vigília silenciosa.
Serviço
Para maiores informações sobre o evento e sobre as ONGs, basta acessar a página das instituições na internet.
Abrigo dos Bichos: http://www.abrigodosbichos.com.br/
Fiel Amigo: http://www.fielamigo.com.br/
Vira Latas MS: http://viralatasms.blogspot.com/
Camila Bertagnolli
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