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Adiado 6 vezes, julgamento de acusada de mandar matar ex-marido será hoje

20 outubro 2011 - 08h49 Por Markito

Após ser adiado seis vezes, o julgamento de Chyntia Carvalho Martins, apontada como mandante do assassinato do ex-marido, Alci Pedro Arantes, deve acontecer amanhã (21), em Campo Grande, às 8h. A vítima era irmão do prefeito de Rochedo, Adão Pedro Arantes.

O empresário Alci foi morto a tiros no dia 26 de outubro de 2006. No processo inicial, Chyntia chegou a ser denunciada, mas a ação estava sendo arquivada por falta de provas. O irmão de Alci conseguiu levantar as provas que a incriminavam e os dados foram enviados para o governo do Estado, que determinou a reabertura das investigações.

Alci Pedro Arantes foi assassinado dentro do carro. Ele tinha ido buscar a filha, e enquanto esperava a garota, foi morto na porta da casa da ex-mulher. Dois homens de motocicleta se aproximaram e atiraram. Nas investigações, Chyntia foi acusada de ser a mandante do crime, contando com a colaboração de João Batista Domingos, o “João Quentura”, responsável pela contratação dos pistoleiros.

Cada vez que o julgamento dela foi adiado, era alegado um motivo diferente, conforme um dos despachos do juiz responsável pelo caso, Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, um deles foi por excesso de trabalho da promotora de Justiça atual do processo, Luciana Rabelo Nagib Jorge.

Chyntia e Alci estavam em processo de separação na época em que ele foi morto. Ela foi acusada de mandar matar o marido com interesse na herança e seguro de vida. Eles estavam separados porque Alci descobriu que o filho mais novo dela não era descendente dele.

O advogado Gilson Gomes da Costa, que era apontado como intermediador entre Chyntia e os executores, foi absolvido da acusação em abril desse ano. Os outros envolvidos foram condenados e estão presos, entre eles “João Quentura” que confirma a participação de Chyntia no crime. Ela aguarda o julgamento em liberdade.

Espera da família

O julgamento de Chyntia é o mais esperado pela família de Alci. Os irmãos dele, a filha mais velha fruto de outro casamento, e as pessoas mais próximas já deram diversos depoimentos falando da expectativa pela Justiça. Acadêmica de Direito, Sandrielly Rezende Arantes, 23 anos, ainda lembra do pai, sente sua falta, e lamenta a incerteza da condenação de quem ela tem certeza que é culpada.

“O que mais dói é a certeza do nunca mais. Nunca mais ter o colo dele, nunca mais ter o olhar de orgulho vindo dele, nunca mais ter o apoio dele, nunca mais ter o carinho. Me doí muito saber que no futuro ele não vai estar! E aqui no presente ele me falta”, diz Sandrielly sobre seus sentimentos. Ela também falou ao MSREPÓRTER sobre o receio da impunidade. “Pior é saber que a justiça pode falhar. É ver que a vida dele pode, muitas vezes, significar pouco para esta justiça, que ainda quer discutir liberdade, sendo que sem vida não existe liberdade”.

A universitária afirmou, ainda, que se sente impotente com a situação. “Fico arrasada com isto. Em saber que aquilo que eu amo estudar, que é o Direito, muitas vezes não é eficiente. Às vezes parece um teatro. Uma encenação. Vamos fingir que o direito penal funciona. E me sinto ainda mais desprotegida por não ter ele do meu lado”, desabafou a jovem que perdeu o pai aos 18 anos. Ele tinha outras duas filhas, na época uma de 30 e outra de apenas 10 anos.

Pouco tempo antes de morrer, Alci havia feito um exame de DNA, ao suspeitar que o filho, de quase dois anos de Chyntia não era dele. A mãe havia dado o nome de Alci à criança. Mas, a suspeita foi confirmada, e este foi o motivo do pedido de separação, e posteriormente o que teria impulsionado a mulher a provocar o seu assassinato.

Ana Maria Assis

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