Um dia antes do julgamento do jornalista Agnaldo Ferreira Gonçalves, acusado pela morte de Rogério Mendonça Pedra, o Rogerinho, a avó do menino, Adriana Mendonça Pedra disse ao MSREPÓRTER que “o momento é de esperança e que a família acredita piamente na justiça”. O crime aconteceu em uma briga de trânsito em 18 de novembro de 2009.
A discussão foi entre Aldemir Pedra Neto, tio de Rogerinho, que conduzia a caminhonete L-200 e o jornalista Agnaldo Ferreira Gonçalves. O motivo da briga seria uma "fechada" no trânsito. De acordo com o inquérito do Ministério Público, o jornalista efetuou disparos com uma arma de fogo que levaram à morte do menino.
O acusado responderá pela prática de homicídio (crime previsto no art. 121) em relação ao garoto, tentativa de homicídio em relação aos demais parentes que estavam no veículo, além de porte ilegal de arma.
Na argumentação, a tese do MP é que o acusado, ao efetuar vários disparos, em via pública, contra o veículo conduzido pelo tio da vítima, “sabendo que este estava com duas crianças em seu interior assumiu o risco de produzir a morte de todas os que estavam no veículo".
A avó de Rogerinho conta que mesmo com todas as argumentações, a família queria que o jornalista fosse condenado por homicídio qualificado. Os motivos mencionados por Adriana têm fundamento de acordo com o parágrafo segundo do artigo 121 do Código Penal Brasileiro, que qualifica o crime quando é por motivo fútil no inciso segundo, e ainda, mediante “outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido”, no inciso quarto.
“Ele tirou uma vida humana, ainda de uma criança e dificultou a vítima de se defender. Não tinha como eles correrem. Atirou sabendo que tinha duas crianças no carro”.
Adriana disse que a neta que estava no veículo, hoje com sete anos, ainda se lembra da cena frequentemente e teve que fazer tratamento com psicólogos para superar o trauma do acontecido.
A família da vítima espalhou vários outdoors pela Capital com a foto de Rogerinho e a frase: “Justiça seja feita”. O motivo, explica a avó, é frisar e relembrar a população do caso. “Muitos casos aconteceram depois da morte do meu neto. Precisamos de uma corrente pedindo justiça”.
De acordo com ela, a dor fica ainda pior em épocas de celebrações, como o natal, por exemplo. “A dor não tem cura, a ferida é interna e desestabiliza qualquer família. Tivemos que reaprender a viver, agora sem ele”, desabafa.
O julgamento está marcado para esta terça-feira, 29 de novembro de 2011, mais de dois anos após o crime.
Karla Lyara
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Adriana Pedra com o neto no colo (Arquivo pessoal)