Ricardo Trad, advogado de defesa de Cristhiano Luna de Almeida, 23 anos, falou em entrevista ao MSREPÓRTER, sobre o processo em que o rapaz está sendo acusado de matar o segurança Jefferson Bruno Gomes Escobar.
O advogado chegou a reclamar da pressão que a mídia faz sobre o caso, e lembrou que está tentando junto ao Tribunal de Justiça retirar as qualificadoras do crime (motivo torpe e recurso que impossibilita defesa da vítima). Segundo ele, a resposta ao pedido deve ser dada na próxima segunda-feira (12).
Para Ricardo Trad, Cristhiano não teve intenção de matar o segurança, e classificar o crime como doloso já é um erro. E, ainda, erro mais grave é atribuir qualificadoras ao homicídio. “No caso mais grave, do jornalista Agnaldo, que atirou em um veículo e acabou matando uma criança estando armado, a Justiça retirou as qualificadoras. Neste caso do Cristhiano, há a dúvida do que causou a morte do segurança. A imprensa precisa conhecer os autos do processo, para ver estes detalhes”.
Trad frisou que uma massagem cardíaca mal feita pode ter ocasionado a morte da vítima, e que um especialista em artes marciais chegou a assistir aos vídeos e afirmar com precisão que Cristhiano não estava dando golpes de luta, tampouco golpes para matar alguém, mas que estava apenas “se defendendo de três seguranças que o imobilizaram”.
Recentemente, Trad atuou na acusação no caso “Rogerinho”, e vai atuar também na acusação no caso do vereador de Alcinópolis que foi assassinado em Campo Grande. O advogado afirma que já defendeu culpados, mas que a busca da Justiça é a mesma, não procurando a impunidade, mas a pena justa. “Jesus foi crucificado pelo povo. Esta é a opinião pública”, afirmou em relação à atuação da mídia e a revolta da população no caso do Cristhiano.
Ricardo Trad relembrou cenas que as pessoas viram na TV, como quando o jovem passou a mão em um dos garçons do bar. “Ele realmente teve um comportamento inconveniente. Mas depois dali, foi retirado por vários seguranças, imobilizado, e tentou se defender. Não teve intenção e nem assumiu o risco de matar ninguém”, destacou.
Se a resposta for positiva para a defesa, Cristhiano vai a júri popular por homicídio sem as qualificadoras, e a data do julgamento será marcada somente após esta decisão.
O Caso
Cristhiano, após incomodar diversos funcionários de um bar em Campo Grande com brincadeiras inconvenientes, foi retirado do local pelos seguranças. Na ocasião, ele teria golpeado com um chute o segurança Bruno no peito, o que conforme a acusação teria provocado a morte do jovem.
Ele se entregou à polícia logo após o ocorrido, sem ainda saber sobre a morte do segurança. Acabou sendo preso, e ficou na cadeia por dois meses. Depois disso, Ricardo Trad conseguiu um Habeas Corpus, mediante o cumprimento de diversas condições determinadas pela Justiça, como não sair de casa após às 22h e não ingerir bebida alcoólica. A rotina de Cristhiano desde então mudou, e ele aguarda o julgamento em liberdade por estar cumprindo estas condições.
A entrevista com o advogado Ricardo Trad será publicada na íntegra na segunda-feira, 12 de dezembro, no site MSREPÓRTER. O advogado fala sobre sua carreira, casos polêmicos, a experiência no Tribunal de Júri e sobre sua paixão pelo Direito Penal.
Ana Maria Assis
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