Emoção, carinho, indignação e revolta. Estes foram os sentimentos demonstrados por milhares de pessoas que compareceram na manhã deste domingo (02), no final da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, para participar de uma passeata pela paz, em protesto pelo assassinato dos dois universitários mortos na última quinta-feira (30/08), após terem o carro que estavam roubado.
Os pais dos jovens Breno Luigi Silvestrini de Araújo, 18 anos, e Leonardo Batista Fernandes, 19 anos, fizeram questão de participar da manifestação, apesar de afirmarem não saber quem montou a mobilização e muito menos terem incitados este protesto. Apesar disso demonstraram sua indignação, sofrimento e revolta no local. Todos que se aproximavam faziam questão de abraçá-los e dizer palavras de conforto, onde as lágrimas eram inevitáveis.
Rubens Silvestrini, pai de Breno, disse na ocasião que essa manifestação foi uma surpresa e eles tiveram uma conversa em família, juntamente com a família de Leonardo e acharam por bem, pela sociedade que se comoveu unto com a gente em participar também. “O pensamento nosso é por que eu participaria de um manifesto desse que eu não sei de onde surgiu, mas eu perdi meu filho, meu amigo Paulo perdeu o filho dele, dois jovens lindo, com um futuro brilhante pela frente, então pensei que um movimento como este repercuta de uma maneira que alguém não perca seu filho e não passe pela dor que nós estamos passando nesse momento. isso poderia mudar alguma coisa”, relatou emocionado Rubens.
Ele também destacou que o Brasil é um país muito difícil, com um sistema muito difícil, pois o problema na educação repercute no problema da segurança publica, então acredito que seja uma pequena contribuição para chamar a atenção da sociedade e dos governardes para tomarem alguma providencia. “Pode ser que não renda frutos, mas estamos fazendo a nossa parte” finalizou o pai com os olhos marejados.
A concentração do manifesto ocorreu na frente da Casa do Papai Noel, todos vestidos de branco e caminharam até a frente do Shopping localizado na Avenida. A passeata foi estimulada nas redes sociais pelos publicitários Wilame Mauricio, 28 anos, e Filipi Minatel, 23 anos, além da estudante de Arquitetura Mirela Medeiros, 22 anos.
Os jovens que tiveram a iniciativa contaram que não conheciam os jovens assassinados, mas que assim que ficaram sabendo da barbárie que tinham feitos com eles já tiveram a idéia de mobilizar os jovens e sociedade em geral para o manifesto pela paz, com o tema “Eu não vou ser o próximo”. “Nós queremos pedir mais segurança, pois foi entre oito e nove horas da noite que tudo aconteceu. É um absurdo, na frente de uma universidade, onde passa diariamente milhares de jovens e adultos chegando e saindo de suas aulas. Isso poderia ter acontecido com qualquer um de nós e não pode ficar assim”, desabafaram.
Paulo Fernandes, pai de Leonardo, disse que foi até a manifestação em prol de seu filho. “Eu quero justiça em cima desses três animais, que não sei nem se podemos chamar de animal, por que um animal não é capaz de fazer uma barbaridade dessa com nossos meninos como fizeram. Nossos meninos eram, vamos dizer, um santo dentro de casa, nunca forma de violência, nunca foram de fazer nada contra ninguém. Não tinham motivo nenhuma para fazer essa crueldade, poderiam roubar o carro e deixar os meninos. Já aconteceu diversas barbaridade dessas, onde a sociedade se comove, mas após uns 30 trinta, em média, todo mundo esquece e vai acontecer a mesma coisa, mais jovens e adolescentes sendo mortos por ‘animais’ que deveriam estar mortos” desabafou o pai muito emocionado.
As mães dos meninos, muito abaladas, pediram para falar com toda a imprensa presente no local. Ângela Batista Fernandes, mãe de Leonardo, fez questão de agradecer por todas as pessoas que estão sendo solidários com a dor das duas famílias. “Eu tenho muito orgulho pelos filhos que nós tivemos, por termos criado pessoas dignas, cidadãos decentes. Não temos compreensão do que aconteceu, só podemos ter mesmo é fé para superar tudo isso, mas eu não quero alimentar nenhuma revolta, que quero pedir encarecidamente aos jovens e as demais pessoas que pensem muito na hora de votar, que cobrem de seus políticos atitude e educação, pois sem isso não vai se elevar a qualidade moral desse país”, disse ela.
“Vocês estão vendo tanta dor de duas famílias destruídas por essa violência. Eu queria pedir par a sociedade, que este manifesto de hoje não pare aqui. Peço que a gente não deixe morrer essa vontade de uma sociedade melhor”, afirmou a mãe de Breno, Lilian Silvestrini.
Jorge Al-Contar, estudante, 18 anos e sua mãe, Luiza Al-Contar, 48 anos, conheciam os meninos e demonstraram estar muito revoltados com a tragédia. “Eu era mais próximo do Breno, mas também conhecia o Leonardo. Eles eram pessoas maravilhosas, muito calmas, tranqüilas, que não incomodavam ninguém. É um absurdo o que aconteceu. Parece que quanto mais tem criminalidade, mais a as punições são escassas. Fizemos questão de vir aqui e demonstrar nossa indignação e pedir mais segurança”, contaram.
Caso - Os jovens Breno Luigi Silvestrini de Araújo, 18 anos, e Leonardo Batista Fernandes, 19 anos haviam desaparecido após saírem de um bar localizado na Avenida Ceará. Durante barreira realizada pelo Departamento de Operações da Fronteira (DOF) na BR-262, o carro em que eles estavam, uma Pajero, foi encontrado em Corumbá, por volta da 1 hora da madrugada de sexta-feira (31).
Os corpos foram encontrados no início da tarde de sexta-feira (31) pela equipe da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos) na região do Indubrasil, próximo a rotatória que leva a Rochedo na Capital. A confirmação da morte e o local de onde estavam os corpos foram esclarecidos após a prisão de Dayani Aguirre Clarindo, 24 anos.
A jovem apontou os outros dois participantes do crime, Rafael da Costa Silva, 22 anos, marido de Dayani, Weverson Gonçalves Feitosa, 22 anos, outro participante Raul Andrade Pinho, 18 anos e um adolescente que seria irmão de Rafael também foram presos.
(Matéria atualizada às 11h50 para acréscimo de informações)
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