Diversos sentimentos em comum: dor, saudade, revolta, indignação e solidariedade. Esse foi o cenário da manifestação realizada na manhã deste domingo (30), pelos 30 dias da morte dos universitários Leonardo Fernandes e Breno Silvestrini, juntamente com familiares de vitimas de outras violências ocorridas em Campo Grande.
Casos como do segurança Jefferson Bruno Escobar, que morreu em março do ano passado. “Brunão”, como a vítima era conhecida, morreu na madrugada do dia 19 de março na frente da boate onde trabalhava. Ele retirou o acusado Cristhiano Luna de Almeida, da casa noturna e, já na calçada do local, houve agressão física. O segurança passou mal e morreu minutos depois.
O acusado foi levado para casa por um amigo e preso em flagrante pela PM (Polícia Militar). Ele foi solto em maio por determinação do TJMS. A liberdade dele está condicionada a não frequentar casas noturnas e clubes de lutas, a não ingerir bebidas alcoólicas, e também não pode chegar em sua residência após às 22 horas e ausentar desta comarca sem prévia comunicação e autorização do juízo processante.
Segundo o pai de “Brunão”, João Marcio Escobar, é preciso um apoio da autoridade local para dar um basta nestas violências. “Eles têm que tomar ciência de que Campo Grande já passou do limite da violência. Essa manifestação é pra mostrar que nós temos força e só quem perdeu um filho ou familiar pode saber quanto é a dor dessa perda”, desabafou João.
Outro caso que chocou a população foi do outro segurança de casa noturna da Capital, Jhon Eder Cortiana Gonçalves, 33 anos, que morreu no dia 11 de setembro de 2011, atingido por dois tiros, em frente à casa noturna onde trabalhava, localizada na rua 13 de Junho, área central.
Uma briga que teve inicio dentro da boate, entre os acusados e demais seguranças, fez com que fossem levados pra fora e la começaram a danificar os carros estacionados na rua. Jhon foi ajudar os colegas de trabalho para evitar que os rapazes dessem continuidade aos estragos e levou dois tiros.
O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas o segurança chegou morto na unidade de saúde do bairro Coronel Antonino. Dois jovens estão presos pelo crime. O pai da vítima, Livercídeo Gonçalves da Silva, esteve presente também na manifestação deste domingo e apoiou a iniciativa dos pais dos universitários.
Os familiares de Alan Dionizio Ojeda, 19 anos, também participaram da manifestação. O jovem morreu no dia 03 de junho deste ano, na avenida Marquês de Pombal, bairro Tiradentes, em Campo Grande.
O rapaz foi atropelado pelo Fiesta dirigido por Camila Cristina Correa Fernandes, 26 anos, que trafegava no sentido centro/bairro. Ela ficou em estado de choque e foi levada para atendimento médico. A tia do rapaz, Marta Dionísio, disse na manhã deste domingo que a família vai apoiar esta campanha de levar as assinaturas para Brasília.
“Eu acho engraçado, que a população fala que se revolta, mas na hora de demonstrar isso não aparece. Tenho certeza que se fosse um show aqui nesta data e horário estaria lotado de gente, mas como não é, não temo um grande número de pessoas. E eu peço a todos que se sensibilizem com todos esses casos presentes aqui, pois não é justo que os responsáveis fiquem soltos, como se nada tivesse acontecido com nossos meninos”, ressalta a tia.
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Fotos: Mariana Anjos