Uma amizade pela internet e um sonho de conhecer outro estado. Essa combinação não terminou com final feliz para a jovem Joevelyn Aghata Portilho Martins, 18 anos. Ela saiu de Campo Grande no último dia 12 de outubro, com destino para Salvador, Bahia, para passar 10 dias na casa da amiga Jesebel Villas Boas, 21 anos, que se comunicava por telefone e pela internet há cerca três anos.
No sábado, dia 13, Joevelyn foi assaltada e espancada na cidade por um tatuador, ainda não identificado, sendo encontrada após um telefonema anônimo que tinha um corpo num determinado local. Quando chegaram até lá, a jovem estava somente de calcinha e a blusa que saiu da casa da amiga, quase sem vida. Há uma semana em sua casa, junto com sua família, a jovem se recupera do susto e conta a reportagem do site MS Repórter como tudo aconteceu.
“Cheguei em Salvador, na sexta mesmo, fui recepcionada no aeroporto por Jesebel e um amigo dela. Em seguida fui para a sua casa, onde lá conheci o seu marido, que só lembro de chamá-lo de Junior, 24 anos. Até então tudo parecia estar muito bem, fomos para sua casa, conversamos, o Junior perguntou o que eu queria comer na janta e ficamos tranquilamente na casa deles”.
“No dia seguinte, no sábado, à noite, fomos no mercado, todos juntos e foi quando meu passeio começou a tomar um rumo estranho. Escutei a Jesebel e o Junior, meio que discutindo, dando a entender que a minha presença estava incomodando e eu fiquei muito chateada com isso, mas não falei nada para ela”.
“Quando retornamos para a casa dela, eu tomei um banho e pedi para abrir o portão para mim, e ela disse, vamos conversar. Eu respondi que não, depois a gente conversava. Sai sozinha e fui dar uma volta pelas redondezas da casa dela, nada longe, até por que eu não conhecia a cidade e tinha o risco de me perder. Fui comer peixe assado e dar uma olhada pelas ruas da cidade. Foi então que próximo onde eu jantei que conheci um rapaz, de aproximadamente 25 anos, branco, mas não me lembro o nome dele, apenas que disse ser um tatuador ”.
“Este rapaz começou a conversar comigo, perguntou de onde eu era, por que meu sotaque era bem diferente. Eu disse que era de Mato Grosso do Sul e que estava ali a passeio. Conversamos bastante, isso umas 19h30, mais ou menos, ele disse que fazia tatuagens e eu disse que tinha vontade de fazer uma, até então tudo normal”.
“Em seguida falei que ia embora e voltar para casa da minha amiga. Ele disse, vamos por aqui que é mais perto e eu fui. Chegamos perto da casa, eu mostrei onde estava hospedada e ele disse, aqui é a casa da Bel, eu conheço ela, conheço o filho, onde ele estuda. Continuamos um pouco mais a conversa e eu esperando ele ir embora, para não incomodar mais a Jesebel chegando com mais uma pessoa na casa. Liguei para ela para avisar que estava ali na frente e ela não me atendeu”.
“Quando menos esperava, ele se aproximou, olhou pra mim e disse, aqui é Salvador, Bahia, me passa tudo o que você tem. Eu não acreditava que estava sendo assaltada e comecei a rir de nervoso. Ele segurou no meu pescoço e já foi me levando dali. Ele disse que ia me levar para um lugar que só depois eu saberia qual é e dizia o tempo todo que iria me matar”.
“Tentei ver algum sinal de arma nele, mas não encontrei, tudo indica que ele não estava armado. Tentei correr dele varia vezes, mas como era uma subida, ele me alcançava. No decorrer do assalto, ele ligou para uma pessoa e disse: estou com uma MS novinha, será que rola?. Eu não entendi o que significava essa frase e perguntei pra ele o que era será que rola, mas ele não respondeu e ia me levando”.
“Ele pegou todas as minhas coisas e me levou para um matagal, bem escuro. No local, ele começou a me bater muito na cabeça, sem parar, foi quando eu desmaiei pela primeira vez. Acordei logo depois e ele me bateu ainda mais, foi quando desmaiei de novo e só acordei no hospital, vendo a minha mãe”.
“Eu fiquei com muitos sinais de enforcamento e espancamento, mas pelo que eu lembro e que as enfermeiras que me atenderam disseram, eu não fui violentada. Eu fui encontrada com droga pelo corpo, até por que eu lembro vagamente, bem sonolenta, dele me dar alguma cosia para eu cheirar e ficou sinais de drogas pelo meu corpo”.
Segundo a mãe de Joevelyn, Elaine Freitas Portilho, enfermeira, 43 anos, essa história está muito estranha. “Eu achei estranho por que falavam que ela estava em determinado hospital e consciente e orientada, sendo que no outro dia descobrimos que estava entubada e inconsciente. Quando ela foi encontrada estava gelada, com pulso bem fraco e respiração com dificuldade. Toda a história está muito confusa, eu tenho certeza que essa menina esta envolvida nessa barbárie”.
“O pai de Joevelyn e minha irmã foram para Salvador logo que ficamos sabendo, mas eu fui somente no domingo e foi até melhor por que por aqui eu consegui contato para transferir ela para um hospital melhor. Ela abriu os olhos pela primeira vez quando eu cheguei e ela chorou muito quando me viu. Aquela cena pra mim foi a melhor coisa do mundo”, disse a mãe.
“Realmente foi um milagre de Deus, a Joevelyn estar viva. Os médicos disseram que da maneira que ela foi encontrada, as possibilidades de vida dela eram poucas. Acho que se demorasse, cerca de uma hora, para encontrá-la, ela não estaria viva mais. Ela foi encontrada após um telefonema anônimo, dizendo que tinha um corpo em um determinado local e os policiais foram atrás. Agradeço por essa pessoa que fez isso”, relatou a mãe.
De acordo ainda com Joevelyn, antes de receber alta do hospital, ela prestou depoimento do que tinha acontecido. “No hospital eu contei tudo para os policiais. A Jesebel não entrou mais em contato, nem por telefone e nem pela internet. Ela só tentou entrar duas vezes para me visitar, mas ela estava proibida de chegar perto de mim”.
A mãe destaca também que não se sabe até que ponto, mas indiretamente a Jesebel esta envolvida sim. “Muito íntimo, a maneira que o cara que pegou minha filha disse, aqui é a casa da Bel. Uma menina que vem de um estado para outro e sai, demora duas ou três horas para voltar, qual que é o dever da amiga? Não é ir atrás? Ainda temos muita cosia para descobrir e desvendar”.
“Outra coisa que nos deixou muitos intrigados foi o fato de que a Jesebel foi ligar somente na segunda-feira para nós e disse coisas totalmente diferente do que conta a minha filha e sem falar que cada hora ela falava uma cosia para a gente, versões diferentes para mim, para meu filho e para o pai dela. Ela disse que a Joevelyn foi para um bar e só voltou no outro dia, brava com ela. Que no domingo de manhã repreendeu ela, que a Joevelyn não pode fazer isso. Disse que a Joevelyn subiu encima de uma moto, com um cara e foi embora, que é o mesmo que ela encontrou e fez o assalto. Minha filha disse que não foi nada disso e que não subiu na garupa da moto de ninguém. Então temos muitas peças para montar desse quebra cabeça”.
“A Jesebel disse para a família que tinha ido a rádio, que tinha feito cartazes em busca da Joevelyn e lá a gente descobriu que nada disso aconteceu. Então eu não sei até que ponto essa menina esta envolvida, mas tem alguma coisa estranha. A minha irmã e o pai dela chegaram a ver a Jesebel e o marido na delegacia, quando foram prestar depoimento, mas não falaram com eles. Eles ficaram uma noite detidos, mas logo foram liberados”.
“É tudo muito estranho. A Joevelyn tem 18 anos, sempre na minha barra da saia e sempre dizia mãe quero ir para Salvador e eu sempre respondia, quando puder e der certo você vai, mas ainda está cedo. Mas a insistência dela foi tão grande, juntou dinheiro, comprou as passagens dois meses antes, comprou as coisas dela, estava tudo programado, ajudei arrumar a mala dela, ela fez uma lista do que ia levar para a guria conhecer, o tereré, por exemplo, mas não foi sincero e saudável da parte da menina, infelizmente”.
“A polícia da Bahia disse que está acompanhando o caso e investigando. O pai dela está com advogado aqui correndo atrás de uma explicação e na procura dos culpados. Nós ficamos sabendo que depois de dois ou três dias encontraram uma menina na mesma situação da Joevelyn, mas morta, no mesmo local. Então a gente fica sem saber. A Joevelyn entrou realmente numa cilada, essa menina é uma psicopata e tem problemas psicológicos. Tudo indica que alguém mandou fazer tudo isso com minha filha”.
“Parece uma intuição de mãe, mas no dia que ela viajou eu tirei bastante foto dela embarcando, no aeroporto, e eu estava indo para Bonito e falei para o meu marido, estou com uma sensação ruim, parece que eu nunca mais vou ver minha filha. Eu cheguei a falar isso para ele, ai ele disse para de bobeira, sua filha foi se divertir”, finalizou a mãe.
Joevelyn ficou com uma pequena dificuldade para andar, mas segundo ela é pelo fato de ter permanecido muitos dias deitada sem mexer as pernas. “Agora vou fazer tratamento com psicólogo e também fisioterapia para recuperar meus movimentos. Quanto as amizades pela internet, eu fiquei muito apreensiva, vai mudar muita coisa com relação a isso, vou ficar só com os meus amigos que já tinha, que já conheço. Novas amizades, só pessoalmente”, destacou Joevelyn.
“Não desejo o que eu passei para ninguém e ficar longe da família nunca mais. Agora vou retomar minha vida e fazer minha faculdade de Engenharia Civil”, finalizou a jovem.
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