O Aterro Sanitário de Campo Grande vem chamando muita atenção no começo deste ano e muitas pessoas ainda lembram da morte do garoto Maycon Correa de Andrade, que foi soterrado após deslizamento no local há pouco mais de um ano. Rafael Alves, de 23 anos, criador do projeto “Não feche os olhos”, estava compondo a música Our eyes are still closed quando viu a notícia e então resolveu dar um novo rumo para ela.
O objetivo principal do projeto é conscientizar e dar destaque para causa da comunidade que mora próximo ao lixão. O evento beneficente acontece no dia 1º de fevereiro, às 22h, no Hangar Live Music, que fica localizado na rua Trindade nº 413.
“O nome da música é os nossos olhos continuam fechados porque eu me incluo nisso também e ai eu quero levar pra cidade isso para que nós possamos realmente abrir os olhos e não só a população, mas as empresas, as pessoas que querem ajudar.” explica ele.
Em dezembro, ele começou a convidar a galera conhecida do rock de Campo Grande e juntou todos na mesma música que tem 9 minutos de duração. Para arrecadar 100% da bilheteria investiu em uma boa divulgação através de site, vídeo e Facebook que já chegaram a atingir 24 mil visualizações.
“Só que não pode ser um evento como qualquer outro, tem que ser um evento diferenciado. Então, nessa premissa, decidimos fazer uma divulgação bem feita, se você for analisar de um projeto independente. Não existe nada similar” enfatiza o guitarrista.
Sobre a receptividade das pessoas, Brucy Bertholi, 22 anos, diz que está sendo legal disse que uma amiga chorou quando ouviu a música, pois a música consegue transmitir o sentimento e a tragédia.
“Quando o Rafael pensou nisso ele quis passar a tristeza que a mãe sentiu com a perda do filho e uma forma de passar com música e vídeo é mais impactante do que apenas contar história” conta Brucy, um dos integrantes do projeto.
O grupo pretende arrecadar 10 mil reais só com a venda dos ingressos, sem contar doações e a venda dos materiais que farão lá. Eles contam com a participação da população agora.
“Eu estou contando com máximo de pessoas que eu posso, agora depende da cidade porque na verdade o projeto é Campo Grande, não sou eu, eu só tornei ele realidade, agora quem realmente faz o projeto são os cidadãos, a gente precisa das pessoas, se não tivermos pessoas ajudando não faz sentido nenhum” disse.
A música será lançada só depois de 1º de fevereiro, vai ser exclusiva pra quem for ao evento, e o videoclipe será lançado junto com a música depois. Rafael Alves ainda revela que já existe uma música em pré-produção que vai ser lançada em dois ou três meses no máximo com outro evento no mesmo projeto e novas participações.
“Agente não vai só doar dinheiro, agente quer fazer um projeto que seja transformador na comunidade. Este evento na verdade é um pontapé inicial.” conta Rafael.
A venda de ingresso já é 100% online no site www.naofecheosolhos.com.br. Para acessar é só clicar na aba de ingressos, onde é necessário fazer um cadastro básico com suas informações, fazendo o cadastro você será direcionado para área de compras, cada pessoa pode comprar um ingresso porque não haverá ingresso físico, vai ser nome na lista, e a compra é feita através do pag seguro,onde será enviado no e-mail com a confirmação que pode ser imprimido, na hora do evento a pessoa só precisa passar o nome. Ingresso será vendido em dinheiro no local pelo mesmo valor de R$15,00.
Além de Rafael Alves e Brucy Bertholi, participam do projeto Edu Fanaia, Fred Oliveira, Daniele Navarro (Rhevan), Luciano Carvalho (Hollywood Cowboys), João Pedro Grefe (Time Travellers), Tiago Além (Projeto Aioa), André Antunes (BigField Paradise) e Carlos Henrique (Brown Dino).
A Instituição
O Instituto de desenvolvimento evangélico (IDE) desenvolve trabalho social com crianças e adolescentes que vivem no bairro Dom Antônio Barbosa, através da associação Asas do Futuro, que é patrocinado pela Petrobrás. No local são realizadas oficinas de informática, música, artesanato, aulas de reforço e ballet, luteria onde os adolescentes criam instrumentos musicais e customização.
Jessé Fragoso da Cruz, de 25 anos, é supervisor do IDE e diz que a inciativa desperta aquelas pessoas que querem ajudar e não sabem como, quem tem poder aquisitivo e não quer ajudar vê credibilidade e isso abre caminhos.
“As pessoas podem ajudar de várias formas: primeiro como voluntário (ajudar e acompanhar), segundo com doação de alimentos, e terceiro a pessoa física e jurídica com dinheiro, quando tem renda investe para pagar professores” complementa Jessé. “O IDE tá com projeto para as pessoas”.
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