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Consumidores reclamam do aumento abusivo na conta de luz e atendimento da Enersul

27 fevereiro 2013 - 10h27 Por Mariana Anjos e Ana Paula Duarte

Um assunto muito discutido entre consumidores é o aumento ou a queda da conta de energia elétrica. Uma divida que faz parte do cotidiano da sociedade, mas que geralmente ouve-se insatisfação com relação ao valor. O site MS Repórter recebeu a denúncia de dois consumidores que estão muitos irritados com o aumento abusivo que sofreram com as contas de dezembro, com vencimento de janeiro de 2013.

O artesão Francisco Ricardo Nogueira, 52 anos, conta que tem problema com a Enersul há muito tempo, ainda época que morava em outro imóvel. Na ocasião, o vizinho tinha a luz ligada na parede do seu imóvel. E isso ficou mais de ano. “Eu não pagava, só que o ‘gato’ era na minha parede, fui atrás da Enersul, mas nunca resolveram. Para conseguir uma solução tive que procurar e ir à justiça. Era só eles irem até o local e desligar o relógio, já resolvia o problema, mas faltou boa vontade deles e nada foi feito. Só resolveu depois que entrei na justiça”, contou.  

Segundo Nogueira, quando ele mudou para a atual casa, que fica no bairro Parati, em Campo Grande, os problemas com a empresa também surgiram. “Sempre vem a conta, as vezes sobe alguma coisa, a gente reclama, taxa de iluminação abusiva, mas até então não era coisa astronômica. Mas no mês de novembro, o pior aconteceu. Como eu uso pouco meus equipamentos no final de ano, por que meu trabalho de artesão não tem tanta procura nesta época, a tendência normal é diminuir o valor da luz e não aumentar”. 
 
"Em novembro diminuiu, eu pagava em torno de R$ 190, R$ 200 e caiu para R$ 155, até ai tudo normal, pois não estava usando nenhuma máquina, só os gastos básicos da casa. Em dezembro eu achei que fosse vir em torno dos R$ 150, até R$ 200 também, o que seria o esperado, mas a minha luz veio mais de R$  500, sem eu usar nenhum tipo de aparelho diferente, não comprei nada para dentro de casa e nem estava usando meus equipamentos, por que eu não tenho encomenda nesse período. Eu achei que fosse diminuir a conta e ela teve um aumento muito alto”, detalhou o artesão. 
 
O consumidor também cita que a média dos três últimos consumos nunca bate as contas, alem de ser notável que tem tributo sobre tributo nos impostos das contas de luz. “O problema é que quase ninguém olha os tributos descritos nas faturas de cona de luz, questionam os valores e taxas cobradas”, destacou.  
 
Ainda segundo Nogueira, essa conta de mais de R$ 500 venceu dia 25 de janeiro e ele não pagou por que pediu uma liminar para o juiz. "Desta forma a conta está bloqueada até a gente resolver na justiça. Fui ao juizado especial e dei entrada ao processo e até então está bloqueado este pagamento e enquanto não resolver não podem cortar. A minha audiência ficou para 1º de março, próxima sexta-feira. Fico indignado porque tudo dá a entender que a Enersul faz o que quer, não tem critério nenhuma para cobrar as pessoas, não tem respeito pelo consumidor".
 
“Eu chamei um eletricista, foi feito uma vistoria na instalação da casa, foi feito teste e deu tudo normal, não tem nada de errado com a instalação da minha casa, ai nós fomos ao medidor olhar, como eu não entendo muito de eletricidade, não tinha reparado, mas o eletricista, a primeira coisa que ele fez, na hora que ele pegou no lacre, o lacre saiu na mão dele, foi violado o lacre. E o detalhe é que não foi violado por uma pessoa que não entende, foi por uma pessoa que tem plenos conhecimentos de como funciona um lacre, por que ele desmontou o arame interior do lacre e não quebrou nada. Desta forma se a conta tivesse caído o valor, eles poderiam ver e ter pensando que eu tinha feito alguma coisa para pagar menos, o famoso ‘gato’, mas como aumentou, foi comprovado que eu não fiz, e sim que alguém mexeu para aumentar minha conta, o meu consumo”, enfatizou.
 
O consumidor conta que cansou de sair para ir ao mercado, umas duas, três vezes ao dia e pegar funcionários da Enersul mexendo na caixa de energia, com maquina na mão, caneta, plaqueta, toda hora tinha algum lá. Algumas vezes já perguntei o que faziam e sempre inventavam desculpas, que estavam fazendo medição, olhando, mas na maioria das vezes não deixavam a gente chegar perto, íamos para o lado deles e já se deslocavam para ir embora. "O meu relógio era na rua, era livre, justamente para facilitar o acesso deles, hoje eu tranquei, para eles entrarem e mexerem vão ter que falar comigo. Eles conseguem fazer a leitura normal, mas não conseguem abrir mais o relógio sem eu saber o porquê e pra que vão abrir. Uma das vezes que eu chamei a Enersul para ver se estava tudo certo, o rapaz trouxe uma máquina que tem como aumentar o relógio facilmente, ele colocou e me mostrou, com a justificativa de verificar se estava funcionado normalmente. Ele só ligou essa máquina no relógio e o giro aumentou com uma rapidez impressionante. Então qualquer funcionário que quiser vir e colocar esse aparelho e aumentar minha conta faz facilmente. Infelizmente a gente não tem como provar que foi algum funcionário deles, não estou fazendo uma acusação formal, estou apenas explicando que essa empresa está muito longe do que deveria ser, por que fazem as coisas do jeito que acham que deveria fazer”, relatou. 
 
Ele finalizou dizendo “não adianta ir à central da Enersul reclamar, eu já brigo com eles faz muito tempo e então eu sei que não adianta. Eu fui no Procon, eles mandaram uma equipe fazer uma vistoria e simplesmente falaram que meu relógio estava normal e desta forma não disseram mais nada e que só vão se pronunciar na justiça. E pode fazer uma pesquisa, de cada dez pessoas que for perguntada na rua sob atendimento e manutenção da Enersul, nove estão insatisfeito”, concretizou o artesão. 
 
A aposentada Maria Conceição da Silva Cruz, 49 anos, também está com grandes problemas com valores abusivos de luz. Segundo ela, não tem desconto na conta porque só é permitido para quem é aposentado pelo INSS e recebe um salário mínimo e recebeu neste inicio de ano uma conta bem acima do que já era de costume. 
 
“Eu senti que a luz foi aumentando há um tempo, pois vinha R$270 e agora pulou veio R$403, R$419, um aumento alto sem que tenhamos adquirido algum equipamento que justifique a mudança. Esse mês de janeiro baixou para R$390, mas espero que conforme as notícias que eu acompanho na TV e rádio a partir de março haja mais redução na conta. A presidente Dilma falou para acompanhar se a luz vai abaixar, a taxa continua a mesma, vai abaixar só consumo, aproximadamente 18 % vai ser tirado do consumo”, disse a aposentada.
 
A consumidora continua “eu moro numa casa pequena, não tenho muito aparelhos que gastam muita energia para vir esse absurdo de luz. Aqui em casa agente usa mais televisão, computador, geladeira e máquina de lavar. Não temos ar condicionado, freezer, não passamos roupa. Os produtos aqui são todos da linha A. Eu atualmente pago preços de pessoas que possuem bar e lan houses, porque os vizinhos que possuem os mesmos aparelhos que eu e a família é maior pagam a média de R$180 e R$170. Eu moro só com meus filhos”, destacou.
 
Ela ainda enfatizou que “fui na Enersul ano passado pedir revisão do relógio e pedi que eles olhassem o fio que vem da rua para casa, só que o rapaz falou que não podia olhar o fio que vem da rua para casa porque estavam sem escada no momento, mas verificaram o relógio e constataram que estava funcionando com a medida do IMETRO.  Mas continuo achando muito estranho porque a luz em vez de abaixar só vem aumentando e gostaria que eles verificassem o fio. Liguei no telefone 151 do Procon e falaram que precisa juntar as luzes que subiram de lá para cá, pois também se surpreenderam com o valor”, explicou. 
 
A aposentada finalizou dizendo que “mandei trocar a fiação de dentro da casa. Dividi as fases para não cair, porque antes caia muita fase, troquei as lâmpadas para frias e econômicas. Toda vez que a gente pede para o pessoal da Enersul vir em casa fazerem a revisão eles cobram uma taxa. Não sei se é certo ou é obrigatório”.
 
O site MS Repórter entrou em contato com a Enersul, que por meio de sua assessoria de imprensa informou que vai verificar os casos expostos na matéria e não quis se pronunciar sobre quais os procedimentos adotados em casos como esses. Assim que tivermos uma reposta mais concreta iremos postar aqui no site. Acompanhem nossas postagens. 

 

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