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Mães da ‘Cotolengo’ denunciam transporte precário das crianças em Kombi da Prefeitura

22 abril 2013 - 06h04 Por Mariana Anjos

Na manhã desta segunda-feira (22), as mães da Instituição Cotolengo – Orionópolis Sul-mato-grossense convocaram a imprensa para denunciar as condições precárias do transporte das crianças. A instituição cuida, em período integral, de aproximadamente 33 crianças e jovens com paralisia cerebral grave, sendo que destas, uma média de 11 são transportadas pelos veículos em questão. No local é feito todo o tratamento de reabilitação, com fisioterapia e fonoaudióloga, além de toda a alimentação e cuidados com a higiene.

Ao chegar uma das Kombi que carrega as crianças até o local, já que alguns pais não tem condições de levá-los, o motorista não autorizou que a imprensa tirasse foto, o que só foi liberado após uma ligação dos pais presentes para a Sesau. Neste primeiro veículo havia seis crianças e adolescentes, sendo que dois deles são carregados na traseira da Kombi, em cima do motor, além de que as demais são trazidas com cinto, que não é adaptado para esses passageiros, já que eles não têm controle de seus movimentos e, em sua maioria, têm dificuldade em manter a cabeça e o corpo reto.

Fátima Vera de Assis, dona de casa, moradora do Bairro Aero Rancho, é avó de uma das crianças que vem em cima do motor, na parte traseira da Kombi, Sahra Vitória Assis de Abranche, 9 anos, que freqüenta a instituição desde o ano passado. Segundo ela, não tem condições nenhuma dessa Kombi carregar essas crianças. “No ano passado tinha um carro adaptado para as crianças, não era novo, mais ainda tinha e era um pouco melhor, mas ele vive no conserto. Minha neta vem ali atrás, sem nenhuma segurança. Se acontecer algum acidente e bater atrás, ela será a primeira atingida e jogada longe”, desabafa.

Ela ainda ressalta que a Kombi não tem nenhuma identificação externa que deixe um alerta para os demais motoristas tomarem mais cuidado, pelo fato de estarem carregando crianças com deficiência. “Esta Kombi é provisória, segundo disseram pra nós, mas ate agora, desde o ano passado, o outro veículo não fica pronto. E outro detalhes, no calor essas crianças sofrem ainda mais, pois esquenta muito e eles ficam irritados. Minha neta, por exemplo, em cima do motor, é terrível, pois ali esquenta”, relata Vera.

Rosa Maria de Souza, 38 anos, moradora do bairro Vila Nasser, é mãe de uma das adolescentes que também vem nesta Kombi, Tamires de Souza, 19 anos. De acordo com ela, que em a filha na instituição desde o ano de 1999, faz muito tempo que solicitam por um melhor transporte. “É muito perigoso a maneira que essas crianças são carregadas, pois elas não têm controle sobre o corpo e precisam, em sua maioria, serem transportadas em locais que possam dar suporte para as suas deficiências”, ressalta Dona Rosa.

De acordo ainda com ela, a Prefeitura sempre da à resposta que estão comprando um novo veículo que nunca chega. “A nossa situação é bem complicada, pois nem trabalhar as mães podem, pois são beneficiadas com um salário mínimo por mês para manter as despesas com o filho especial. Se a gente arrumar um emprego registrado perdemos o beneficio. E sem falar que, como que vamos trabalhar, já eu frequentemente acontece alguma cosia com o transporte, falta de gasolina ou manutenção, e temos que ficar em casa com as crianças, por que não temos como trazer. Desta fora fica ainda mais difícil”, conclui.

A Dona de Casa Luciane da Silva Mansini Barbosa utiliza a instituição há cinco anos. Ela é mãe do jovem Marcos Vinícius, 17 anos. Ela não precisa de transporte para levar seu filho, pois mora perto e tem condução, mas estava todo o tempo em apoio às demais mães. “Temos que nos unir, pois toda e qualquer melhoria é para bem vinda e a gente nunca sabe o dia de amanha e meu filho pode precisar um dia do transporte, mas esse que estamos tendo é uma vergonha e precisa de solução o mais rápido possível, antes que aconteça alguma tragédia”, disse Luciane Mansini.

A Assistente Social da instituição, Patrícia de Oliveira, destacou que esse fato da situação precária do transporte trás transtornos as crianças, que muitas vezes já chega irritado na Cotolengo. “Tem crianças de colo que chegam aqui com dor de ouvido, com dores no corpo, pela maneira incomoda que são trazidos e no caso dos maiores que são transportados sem apoio total que necessitam do corpo, podem retardar o trabalho feito da instituição, com a reabilitação deles”, entizou.

No local, no momento em que uma das mães ligou para a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), no setor de Assistência Social, para solicitar a liberação das fotos das crianças dentro da Kombi, passaram a informação que já tinha sido feito o pedido da compra de novos veículos para atender a instituição, mas sem data prevista pra entrega. O site MS Repórter entrou em contato também com o setor, que informou o mesmo, que já foi feito a solicitação, mas não tem data prevista para entrega.

Em seguida a pessoa, que não quis se identificar, disse ainda pra procurarmos o setor de compras, para saber uma data prevista da entrega. Em seguida nos foi dito para entrar em contato com o setor de transporte ou a central de compras. O setor de transporte ninguém atendeu, cujo telefonista informou estar em horário de almoço. Já a central de compras informou para ligarmos na Secretaria de Educação, cujo também já estava em horário de almoço.

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