Sites de notícias e até emissoras de televisão correram a passos largos para o Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), na manhã desta terça-feira (4), a fim de fazer a cobertura de uma ação conjunta do Ministério Público (MP) e da Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe).
A “denúncia” se espalhou feito rastilho de pólvora. O MS Repórter foi o primeiro a chegar ao local, mas em poucos minutos carros identificados, repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e auxiliares tomaram a frente do IPCG.
No portão do estabelecimento um aviso solicita: “Toque a campainha”. Ao abrir a pequena janela, uma moça se espantou com a presença da imprensa. O olhar deste repórter imediatamente voltou-se para dentro, esmagado na pequena fresta que sobrava entre a mulher e o pequeno quadrado que a emoldurava. Nada excepcional. Quase não havia movimento.
Cara, crachá, a devida apresentação, o questionamento sobre quais os veículos presentes e o veredito: “o diretor vai falar com vocês”. Havíamos conseguido. Nem sabíamos o que, mas o diretor iria falar conosco.
Mais alguns minutos depois e o imponente portão se abriu. Era o diretor, Erani Antonio Bueno. “O que vocês querem saber”, questionou. “Sobre a denúncia, a vistoria, a operação”, responderam os repórteres quase em uníssono.
“Uma vistoria de praxe, realizada pelo Ministério Público, nos mais diversos setores do estabelecimento. Celas, setor de saúde, cantina, normal...”, contou o diretor.
Depois do instante silêncio por parte dos repórteres, das expressões de frustração, alguém disparou, “nada foi encontrado?”. “Não”, respondeu Bueno. “Quantos presos o Instituto tem hoje?”. “1165”, resumiu o diretor.
“Ele não quer é falar”, pensamos. Ainda havia uma esperança. O MS Repórter entrou em contato com a assessoria de comunicação da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen). “Essas vistorias são praxe nos estabelecimentos penais, não entendemos essa informação que vocês receberam, porque não houve nada... a não ser que o Ministério Público tenha tido um motivo especial dessa vez...”, comentou a assessora.
Já sem a esperança do início, a última tentativa: Assessoria de comunicação do Ministério Público. Enfim conseguimos entender. A promotora Jiskia Sandri Trintin realiza, a cada 15 dias, uma inspeção no estabelecimento. Conforme a assessoria, essa é a função da promotora. Verificar as condições em que os presos estão alocados, situação do presídio, direitos dos presos, entre outras questões, normais, de praxe, corriqueiras, do tipo “nada demais”. Mas pra que polícia? Procedimento padrão, para resguardar a promotora. Fim de papo.
Ainda do lado de fora do IPCG, sem fato, sem acontecimento, sem “valor notícia”. Mais silêncio e todos agradeceram e despediram-se entre si. “Bom trabalho pessoal, até a próxima”. Cada equipe para seus respectivos veículos, uns rumo à redação, outros para outra pauta e assim segue o cotidiano dos comunicadores de Campo Grande.
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Foto: Lucas Junot