A manhã desta sexta-feira (30), foi marcada pela dor e emoção dos familiares e amigos de Leonardo Fernandes, 19 e Breno Silvestrini, 18, assassinados há exatamente um ano, após serem sequestrados ao saírem de um bar em Campo Grande. Um ato simbólico foi realizado no mesmo local onde os corpos foram encontrados, no KM-354, saída para Aquidauana.
Várias pessoas entre amigos, familiares e autoridades foram até o local, prestar uma homenagem aos jovens que perderam suas vidas de forma tão cruel. O deputado estadual Fábio Trad, o juiz Odilon de Oliveira e a delegada que tomou conta do caso na época, dra. Maria de Lourdes Cano, além da vereadora Juliana Zorzo e do comandante geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel Carlos Alberto Davi dos Santos, estiveram presentes.
O local recebeu o nome de “Memorial Breno e Leonardo”. “Esse lugar é um duto, local onde se passa água, mas foi aqui que eles foram assassinados e é aqui que vamos marcar o recomeço de um novo tempo”, disse a mãe de Breno, Lilian Silvestrini. Visivelmente emocionada, ela cobra mais segurança nas fronteiras, “se não houvesse essa facilidade de entrar e sair, os criminosos não teriam essa ideia maluca de roubar um carro brasileiro e levar para a Bolívia, trocar por droga, pra trazer de volta ao Brasil e reverter em dinheiro e nisso vão vidas”.
Lilian disse ainda que esse ato é para conscientizar a população a não aceitar crimes como esse e tantos outros que acontecem no Brasil, e que muitas vezes acabam ficando impunes. “Nomeamos esse lugar de memorial para que fique sempre marcado o quanto a vida humana hoje não vale nada, vale mais um carro para roçar por droga”, desabafou.
O pai de Breno, Rubens Silvestrini falou que através de ações que vem sendo feitas desde a morte dos jovens muitas coisas foram conquistadas. “Conseguimos sensibilizar a sociedade, conseguimos uma coleta de assinaturas para levar para Brasília, para que haja uma mudança no Código Penal, para que aumentem as penas dos criminosos, conseguimos abrir os olhos de alguns políticos que estavam ausentes de uma briga por mudanças. Mas nossa maior conquista até aqui, é a sensibilização da sociedade em prol de uma causa maior que é a valorização da vida humana”, disse Rubens. Ele enfatizou ainda que os jovens devem ser orientados sobre o uso das drogas, que se deve mostrar que não há vida boa no mundo das drogas “temos que mostrar para nossos jovens que se pode ter uma vida legal fora das drogas”.
A delegada Maria de Lourdes Cano, se emocionou ao lembrar o momento em que os corpos foram encontrados e quando teve que dar a notícia para a família. “Eu digo que toda vez que você faz alguma coisa, mesmo que profissionalmente, como se fosse para você mesmo, o resultado vem com a justiça”. Ela destacou ainda que as fronteiras precisam de ações mais efetivas, e que a dos crimes que acontecem nas fronteiras não é culpa dos policiais.
Na placa que foi colocada no local onde os corpos foram encontrados diz o seguinte: "Aqui onde foi derramado sangue inocente, nasceu a vontade de lutar por um mundo melhor onde a vida e a paz sejam os valores que o ser humano deve ter".
Crime
Os dois jovens perderam suas vidas na noite do dia 30 de agosto de 2012, por criminosos de alta periculosidade, que conviviam tranquilamente no meio social. Eram cinco os integrantes da quadrilha, Weverson Gonçalvez Feitosa, 22, Raul Andrade Pinho, 18, Rafael da Costa Silva, 22, o irmão de Rafael, menor de idade, que não teve o nome divulgado, e a mulher de Rafael, Dayane Aguirre Clarindo, 24.
O crime teve como motivo o furto da caminhonete Pajero, veículo da mãe de Leonardo, que seria trocado na Bolívia. A escolha da quadrilha para o furto era entre a Pajero ou uma Frontier, que também estava nas proximidades do Bar 21, no bairro Miguel Couto, na Capital.
Os jovens saíam do local, quando ao abrirem o carro, desativando o alarme, foram rendidos por Weverson Gonçalvez Feitosa, 22, e Rafael da Costa Silva, 22.
Leonardo foi no banco da frente e pediu desde o começo da ação que os criminosos poupassem a sua vida e a de seu amigo, Breno. Ele pedia para que levassem o veículo, mas que os deixassem viver. Rafael que estava no banco traseiro, resolveu dar uma coronhada com o revolver em Leonardo.
Raul, que também é parente de Rafael, dava a cobertura no trajeto, sendo que Dayane e o menor infrator seguiam em um Fiat Uno, acompanhando a Pajero até o local do crime, na região do Indubrasil, na BR-262. Chegando ao local, Weverson e Rafael desceram com as vítimas até o matagal. Elas mais uma vez pediram que tivessem as vidas poupadas.
Breno levou o primeiro tiro, a queima-roupa, não tendo o jovem nem tempo de se defender, ou perceber o que acontecia. Antes, porém chutaram as partes íntimas do adolescente, fazendo-o cair para que em seguida ele levasse o tiro.
Leonardo percebendo que seu amigo havia sido alvejado, tentou se afastar no momento em que já estava sendo agredido por Weverson também nas partes íntimas. O jovem caiu e Rafael disparou o segundo tiro, que atingiu a cabeça do adolescente, que também morreu no ato.