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Em cemitérios tem de religiosos recrutando fiéis e verbas a profissionais estrangeiros

2 novembro 2013 - 13h10 Por Leide Laura Meneses

 No dia de finados encontra-se de tudo nos cemitérios da capital. Tem religiosos de todos os tipos como cristãos, católicos, testemunhas de jeová, espíritas e por aí vai e também pessoas que estão trabalhando, ou pelo menos tentando trabalhar. No cemitério Santo Antônio, encontramos o senhor Frederico Dourado, que é boliviano e vive em Campo Grande há 14 anos. Estava no cemitério, junto com seu amigo oferecendo serviços de limpeza dos túmulos.

As pessoas davam o que estava dentro das condições, às vezes, apenas moedas, mas a limpeza e tintura dos túmulos eram feitas de forma eficaz. Frederico tem 47 anos, ainda fala meio enrolado e já viveu na Argentina, Chile e Peru. Era metalúrgico, mas os 35 anos da profissão o fizeram perder parte da visão e por isso optou por fazer trabalhos "mais leves", segundo ele. "Agora trabalho fazendo formas para bolo, faço esculturas, trabalhos em madeira e assim vou vivendo", explica. Frederico ainda conta que fez três anos da faculdade de arquitetura, mas desistiu e hoje sonha em fazer teologia pois frequenta a Igreja Batista e contou que também toca instrumentos musicais. Recentemente reformou uma escultura numa praça da vila progresso, pois vândalos haviam destruído parte  dela. Um profissional de grande gabarito e diversas habilidades, limpando túmulos no Dia de Finados. 

  

No Cemitério Santo Antônio também encontramos Ilza da Conceição Rosa, que não tem nenhum familiar enterrado no cemitério e vai homenageá-los ali, porque fica próximo a casa dela e também  visita túmulos de familiares de amigos e outros que chamam sua atenção.  Venho aqui todos os anos porque é uma maneira de lembrar dos familiares, entes queridos e amigos. É um dia de reflexão para todos e de homenageá-los", comenta. 

 

Logo na entrada vários religiosos abordam as pessoas com panfletos e cartazes, chamando a atenção para a religião. O que chama a atenção são alguns homens que pedem a colaboração para entidades filantrópicas. São da Conferência Santa Cecília, que é ligada a igreja católica e solicitavam ajuda pois colaboram com alimentose até com construções ou reformas de assistidos que mais necessitam.Segundo o presidente da Conferência, Ademar Zadi eles estão ali no cemitério para "uma demonstração de humildade e angariar fundos para creche Santa Asilo dos Velhos e Lar São Francisco. "Dividimos entre essas entidades e uma parte fica para a conferência que é uma entidade ligada a Igreja Católica", explica.  

 

De frente para quem saia do cemitério encontramos Janaina Garcia, da Igreja da Graça, fazendo evangelismo por causa do dia de finados. "Para confortar o coração das pessoas, estamos oferecendo abraço grátis, colocamos o nome das pessoas para oração, distribuímos folhetos com balinha para as crianças e folheto com horário de cultos", detalha. Segundo ela, essas ações são feitas em datas comemorativas e também nas ruas do centro em alguns  finais de semana. 

 

Chegando para iniciar as suas abordagens Wellington Leite, da Igreja adventista do 7°dia  disse que abordaria as pessoas para passar mensagens de esperança. "Vou distribuir mensagens de esperança de uma vida melhor, onde não haverá mais morte nem sofrimento, a gente sabe que é um momento difícil e nós estamos aqui para confortar, e mostrar que existe algo além dessa vida", ressalta. 

 

Já indo embora nos deparamos com Amarildo Gonçalves, de 27 anos, autônomo, é a primeira vez que trabalha de ambulante no cemitério e está vendendo flores, velas e água. "Sou autônomo e me adapto ao tipo de comemoração ou evento que vai acontecer, mas essa é a primeira vez que venho no cemitério", comenta.  

 

No cemitério Memorial Parque encontramos a Marilene Barbosa que foi visitar o túmulo do sogro e disse que visita o local não só no Dia dos Finados mas também no Dia dos Pais e Natal. "A gente lembra dos antepassado, e não é porque morreu que nós temos que esquecer. É importante porque foi uma vida que passou e deixou ensinamentos", explica 

 

No mesmo cemitério, Memorial Parque estava a economista Giulsileyd do Nascimento, que estava com sua familia e também levou a filha de quatro anos. "Esse é um dia que nós viemos no cemitério para homenagear nossos entes querido que partiram e nos deixaram com muitas saudades". Ela também costuma ir ao cemitério em outras datas, assim como a Marilene Barbosa. Giulsileyd ainda explica o porque traz a filha ao cemitério. "Eu trago a minha filha porque ela não conheceu a bisavó dela e é importante mostrar as nossas raízes para eles", finaliza. 

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