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Ceinf volta a ser alvo de reclamações de pais e funcionários

17 dezembro 2013 - 09h53 Por Mariana Rodrigues

 Pais de alunos, funcionários e até ex-funcionários que não quiseram se identificar procuraram a reportagem do MS Repórter para relatar algumas questões envolvendo o Ceinf Felipe Sáfadi Alves Nogueira, localizado no bairro Jardim Aeroporto, em Campo Grande. Cerca de 20 pessoas entre pais de alunos e funcionários do local reclamam da demissão de uma funcionária que trabalhava há seis anos no Ceinf.

De acordo com os pais, a recreadora tinha uma boa relação tanto com as crianças quanto com os pais, fato confirmado também pelas outras funcionárias que disseram que a colega de trabalho tinha uma boa relação dentro do Ceinf, mas que por ter um tom de voz alto, muitas vezes era repreendida pela diretora.

Segundo funcionárias a diretora já havia pedido várias vezes para que ela mudasse o tom de voz com as crianças por ter recebido algumas reclamações de pais de alunos. A ex-funcionária foi demitida na semana passada, segundo colegas, sem motivo, pois trabalhou normalmente no período da manhã e só foi avisada às 15 horas da última segunda-feira (9) que deveria comparecer à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) e somente na SAS foi informada da sua demissão.

Mas as reclamações não pararam por aí, as funcionárias e ex-funcionárias relataram que se sentem pressionadas pela atual gestão. “Os funcionários antigos se sentem perseguidos por ela que começou a trabalhar no Ceinf no começo deste ano”, disse uma ex-funcionária que trabalhou por mais de cinco anos no Ceinf e preferiu pedir demissão do local, pois, segundo ela não aguentou as pressões que estava sofrendo por parte da diretora do local.

Algumas funcionárias antigas que ainda estão trabalhando no Ceinf disseram que se sentem perseguidas pela atual administração. “Não temos um bom relacionamento com a diretora que vive de portas fechadas na sua sala, só estamos lá porque precisamos trabalhar”, relatou uma funcionária.

Uma funcionária que está afastada contou a nossa reportagem que a diretora interferia no preparo dos alimentos. “Ela contava os alimentos várias vezes ao dia, eu me sentia mal com isso, pois nunca tivemos problemas com falta de alimentos para as crianças. Teve uma época que ela chegou a tirar os alimentos da dispensa e colocou no almoxarifado, onde só ela tinha a chave, depois que fui afastada os alimentos voltaram para a dispensa”, disse uma funcionária que está afastava do Ceinf após apresentar sintomas de depressão.

Os pais dos alunos também comentaram que há uma grande troca de funcionários no local. “Meus filhos estão há dois anos nesse Ceinf, e notei que há uma troca muito grande de funcionários a gente sempre repara que tem recreadoras diferentes no local, isso é ruim porque a criança se acostuma com as meninas que cuidam delas e essa troca é ruim para as crianças”, contou uma mãe de duas crianças que ficam no Ceinf.

Outra mãe que não quis se identificar com medo de sofrer represália disse que das vezes que foram marcadas reuniões, elas aconteciam muito cedo, às 6h30. “Teve uma vez que foi marcada uma reunião com os pais às 6h30 da manhã, tem muitos pais que não tem condições de ir a uma reunião nesse horário, pois nessa hora estamos deixando nossos filhos na creche para ir trabalhar”, relatou a mãe de um aluno. Os pais disseram ainda que há poucas reuniões no Ceinf e eles encontram dificuldade em falar com a diretora, já que, segundo eles quase não fica no Ceinf.

Procurada pela nossa reportagem, a diretora que também não quis que seu nome fosse divulgado, afirmou que todas as acusações são políticas e infundadas, ela disse que tem uma boa relação com os funcionários e com os pais dos alunos. “É claro que não podemos agradar a todos, mas eu dou meu sangue por esse Ceinf e faço o possível para agradar a população. E não são todos os pais e sim uma mãe que sempre cria problemas aqui no Ceinf”, disse a diretora.

Sobre a troca de funcionários ela disse que quando assumiu o Ceinf no começo deste ano, algumas funcionárias estavam cursando Pedagogia e que preferiram sair para poderem atuar em suas áreas. Já sobre a funcionária que foi demitida na semana passada ela alega que a funcionária em questão teve um “episódio gravíssimo com uma criança” e que ela foi orientada a procurar os órgãos superiores e eles que decidiram por sua demissão.

Encaminhamos todas as denúncias para a SAS, que por meio de sua assessoria nos informou que as denúncias foram apuradas pela coordenação da DGAC (Diretoria de Gestão e Assistência à Criança da SAS) que foi até ao Ceinf e fez uma reunião com a direção, funcionários e pais de alunos, não sendo confirmadas as denúncias levantadas, e que a reunião foi registrada em ata. Questionada pela nossa reportagem, a própria diretora diz desconhecer que tenha ocorrido essa reunião no Ceinf.

Sobre a demissão da funcionária, a Assessoria alegou que a mesma foi demitida por critério técnico-administrativo.

Funcionários fora da função

A nossa reportagem foi informada que uma funcionária do Ceinf que teria sido contratada como Auxiliar de Serviços Diversos está desempenhando outra função já que está trabalhando na secretaria do local. Por esse motivo, o quadro de recreadoras estaria incompleto. A diretora nega o fato. Segundo ela, apenas a secretária fica com ela na Secretaria e a coordenadora fica na Coordenadoria, ou seja, apenas duas pessoas ficam na sala, esse fato foi relatado por alguns pais de alunos que dizem que na secretaria ficam três pessoas, e a coordenadora que fica em sua própria sala.

A Assessoria de Imprensa informou que essa informação não procede. “Todas as salas de aula contam com duas recreadoras e apenas a sala do pré I tem uma recreadora, uma vez que conta com 25 crianças e está de acordo com a legislação vigente”.

Já sobre a recreadora que estaria fora de sua função, a Assessoria informou que “não consta na SAS nenhum servidor em desvio de função na unidade. Entretanto, a  denúncia da servidora que exerce outra função será apurada. Se constatada irregularidade, será aberta Sindicância”.

Vale ressaltar que o mesmo Ceinf já foi alvo de denúncias em agosto deste ano, quando mães fizeram um abaixo assinado com cerca de 90 assinaturas, onde elas denunciavam o descaso do Ceinf com as crianças. Algumas mães chegaram a ir até a Câmara de Vereadores para reivindicar melhorias no local. No dia 31 de outubro de 2013, o Ceinf voltou a ser alvo de reclamações por parte dos pais das crianças que relataram que houve um surto de diarreia causado supostamente pelo leite em pó. 

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