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Caso Giovanna: Familiares e amigos da jovem agredida se reúnem em protesto

7 janeiro 2014 - 07h57 Por Mariana Rodrigues

 A família da jovem Giovanna Nantes Tresse de Oliveira, 19 anos promoveu uma “Caminhada pela Paz” na avenida Afonso Pena, nesta manhã (7). Segundo o organizador do movimento, o primo da vítima Allan Andrade, 17 anos, “o protesto serve para reforçar a Lei Maria da Penha”. A jovem está internada na Santa Casa de Campo Grande desde o dia 1º, após ter sofrido agressões supostamente pelo seu namorado com quem morava.

A manifestação havia sido organizada ontem (6) pelo primo da vítima, o analista comercial Allan Andrade. Desde o dia que ficou sabendo das agressões ele começou a compartilhar via redes sociais as fotos das agressões e nessa segunda-feira organizou através do Facebook uma passeata. De acordo com a página criada por Allan, cerca de oito mil pessoas foram convidadas, sendo que aproximadamente 200 confirmaram presença, porém o que se viu hoje pela manhã foi uma manifestação tímida, com cartazes, alguns familiares e poucos amigos dos jovens.

O tio da vítima, Leandro Roberto de Oliveira, 40 anos, pai de Allan estava no local para dar apoio ao filho, pois disse temer pela vida do mesmo após a exposição que teve ao divulgar o caso de sua prima.

Hoje pela manhã, Matheus George Tannous, 19 anos, deveria prestar depoimento na DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), porém não compareceu. Segundo seu advogado, Armando Soares Garcia, o jovem não possui condições psicológicas para depor, e continua afirmando que não agrediu Giovanna, que tudo não passou de um acidente.

“Depois que acontece a agressão ele fica doente, acho que é uma forma dele adiar tudo isso”, disse o tio de Giovanna, Leandro Oliveira. Ele revelou ainda que não tem contato com os familiares de Matheus e que a família dela não faz questão disso. “O contato agora é só em juízo, não tem como falar com uma pessoa como essa e também não fazemos questão. Nunca aprovei o relacionamento dos dois, pois o Matheus sempre se mostrou muito ‘tranquilo’, não queria trabalhar e nem estudar mais”, comentou Leandro.

Leandro também disse que Matheus e o pai, o médico Michel Georges Tannous, não tinham uma boa relação como pai e filho. “A impressão que tive da relação dos dois é que o pai dele era muito ausente, eles só se falavam por telefone”, relatou.

Outro ponto comentado pelo tio da vítima é se sua sobrinha poderia chegar a omitir alguma coisa para livrar o namorado das acusações ou até mesmo voltar a ter um relacionamento com ele e Leandro não descartou a possibilidade. “Tudo é possível. Mas acho que ela precisa passar por um psicólogo primeiramente, até pra ela conseguir assimilar tudo o que está acontecendo e por tudo que ela passou, é um direito dela”, disse.

Allan disse que até ontem (6), Giovanna ainda não sabia da repercussão que seu caso tinha tomado e nem da sua exposição pela mídia e redes sociais.

Outros casos

Marcada também pela violência em sua família, a professora aposentada Eny Fernandes e a jovem Mirian Priscila Fernandes dos Santos, mãe e filha respectivamente de Zilca Fernandes Marques, 46 anos, assassinada no dia 22 de agosto de 2012 pelo marido Evandro José Barbosa Fernandes em Campo Grande, compareceram até a avenida Afonso Pena para conhecer a família de Giovanna e prestar solidariedade. “O povo tem que pedir justiça, se esse garoto não for punido, amanhã ele estará matando igual mataram minha filha. Hoje ele só espancou, mas se não for punido depois estará matando”, afirmou.

Eny disse que sua dor é maior já que sua filha não sobreviveu, mas quer que casos como esses de agressões a mulheres tenham fim. “Só de ver aquela menina quebrada dá vontade de gritar para todo mundo ouvir que a violência contra a mulher tem que ter um basta. Espero que o agressor seja punido” disse Eny.

Depoimento

De acordo com a delegada da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Rosely Molina, uma nova data será marcada para o depoimento de Matheus, sobre uma perícia no local onde os jovens moravam, ela disse que essa é uma das diligências a ser tomada e que o local não foi interditado, pois “isso não tem muita relevância em relação ao caso”.

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