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Evento realizado pela Deam comemora o Dia Internacional da Mulher

11 março 2014 - 07h37 Por Mariana Anjos e Mariana Rodrigues

 Na manhã desta terça-feira (11), a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Mato Grosso do Sul (Deam), realizou o evento “Mulheres de Atitude”, para comemorar o Dia Internacional da Mulher, comemorado no último sábado (08) e também os 28 anos de criação da delegacia. Na ocasião foram homenageadas algumas mulheres que se destacam no meio policial, representando todas que estavam presentes, além de palestras sobre a violência contra a mulher e da sua importância dentro da sociedade.

A vice-governadora, Simone Tebet, presente no evento, representando o Governador do Estado, André Puccinelli, que está em viajem internacional, falou sobre a violência que as mulheres sofrem e o preconceito. Para ela todo dia é dia mulher. “Temos que apagar a mancha urgente da nossa história que é a macha da violência. Por mais que ainda temos estatísticas ruins em alguns setores, a mulher ganha menos que o homem, no mesmo cargo que ocupa, ainda que tenhamos na saúde, problemas que envolvem a mulher que não são solucionados, nada é mais grave, nada agride mais, o direito a vida, a integridade física, a liberdade, a própria democracia e o direito de ser cidadão, do que a violência contra a mulher, pois é uma violência muito grande, muito séria e que precisa ser apagada o mais rápido possível”, destacou.

Com relação ao preconceito, Simone diz que quando se descobrir as causas principais se consegue a solução. “Pra mim, é uma visão muito pessoal, eu acho que o problema está na educação e na cultura. Educação no sentido de dar a mulher condição de saber o que é certo e o que é errado, que ela não precisa se submeter a esse tipo de situação, que ela tem todo o respaldo e que é igual em gênero, com relação aos homens. Cultural no sentido de apagar o mais rápido possível da mente dos homens dos séculos passados que era normal e de direito fazer certas violências em legítima defesa. Hoje isso mudou, homem incentiva mulher, respeita a mulher, cuida, mas uma pequena minoria ainda não vê desta forma, isso ainda está dentro de uma questão cultural, na minha opinião. Só o tempo e a educação que podem, senão resolver 100%, minimizar muito a situação”, enfatiza.

“Com relação ao meio político é muito machista, é um mundo aonde a lei das cotas veio pelas mãos das mulheres, pela bancada do batom, que impôs que fosse estabelecido 30% das vagas nas eleições preenchidas por mulher, mas na prática nós não chegamos a 12%. Nós temos de direito, mas não temos de fato. Chamam-se as mulheres para preencher as cotas, senão fica vazio, prejudica a legenda, mas nãos é dada a oportunidade devida para que essa mulher tenha espaço. Tem grandes lideranças nos bairros, dentro das escolas, no mercado de trabalho, mulheres que gostariam de fazer política, mas não fazem por que sabem que não tem condições de competir, muitas vezes economicamente, com as condições que os partidos muitas vezes oferece, então enquanto isso acontecer a gente vai continuar sendo a minoria da minoria”, finaliza a vice-governadora.

Uma das homenageadas no evento foi a primeira delegada do estado de Mato Grosso uno, Lurdes Rondom Santos Pereira, delegada por 37 anos, aposentada desde 1992. Relatando que na época em que ainda era delegada sofria muito preconceito, ela fala orgulhosa da crescente atuação da mulher dentro das delegacias.  “Na época éramos treze em todo o Brasil. Hoje só aqui em Campo Grande já temos mais de vinte”, comentou afirmando ainda que sofria muito preconceito naquela época. Para Lurdes a violência contra a mulher sempre teve, a diferença para os dias atuais é que existe mais publicidade. “A violência contra a mulher parece que virou moda. O marido e os filhos devem respeitar a mulher de dentro da sua casa para que não haja essa coisa terrível que está acontecendo no Brasil”, finalizou.

Para a delegada de Polícia da Delegacia da Mulher em Coxim, Sandra Regina de Brito Araújo, a Delegacia da Mulher oferece um tratamento diferenciado para as mulheres vítimas de agressão. “Os números são relevantes, assustadores e é uma exigência diferente o trabalho na delegacia de atendimento à mulher, porque nós temos que fazer um atendimento humanizado, compreender a sistemática e tem todo um trabalho psicológico, temos que fazer um trabalho diferenciado com atendimento a essas vítimas que nos procuram, porque nós não sabemos quais são seus conflitos internos, quais são seus conflitos particulares, seus problemas financeiros, seus problemas emocionais. Então todo esse contexto nós temos que levar em consideração no atendimento e não fazer um atendimento frio baseado somente lei, nós temos que fazer um trabalho humanizado, um trabalho diferenciado para com essas mulheres”.

Sandra disse ainda que a Lei Maria da Penha veio para encorajar as mulheres. “As mulheres podem não saber o conteúdo da Lei, mas elas se sentem fortalecidas, porque elas sentem que tem uma Lei a favor delas, então elas tomam mais coragem de romper realmente o ciclo de violência e procurar ajuda e isso tem melhorado de forma significativa a busca de ajuda para que ela tenha paz dentro do seu lar”, comentou.

Sobre a comemoração dos 28 anos da Deam, a delegada titular Rosely Molina comentou que o Estado é pioneiro no atendimento à mulher. “As delegacias da mulher no Brasil iniciaram em 1985 e em 1986 MS já tinha sua Delegacia da Mulher e estamos aí, 28 anos de trabalho e dedicação com as mulheres sul-mato-grossenses. A Delegacia da Mulher tem verificado um número crescente na sua estatística, mas é um sinal de que as mulheres estão buscando mais, estão procurando, e o Estado possui todo um aparato para atender, para defender, para acolher e recepcionar essas mulheres e resgatar a dignidade de todas elas”, disse.

As mulheres estão denunciando cada dia mais seus agressores, desta forma o número de boletins de ocorrência tem aumentado, para Molina esse fato é por conta de que as mulheres estão mais corajosas para tomarem essa atitude. “A gente verifica que antes do advento da Lei Maria da Penha, os números eram bem pequenos, a gente tinha uma média de 1.300 a 1.600 boletins de ocorrência, com a Lei Maria da Penha, logo em 2006 nós já passamos para 4 mil boletins e, até o no começo desse mês de março, já ultrapassamos os 1.200 boletins registrados, então demonstra que a mulher tem buscado mais, que a mulher confia na Polícia Civil, que a gente faz um trabalho com muita dedicação, com muita presteza e tentamos fazer com que os mecanismos existentes na Lei Maria da Penha sejam realmente aplicados com eficiência e eficácia”, afirmou.

Molina disse ainda que o preconceito com relação a mulher é menor atualmente. “Hoje, em todo o ramo de atividade você vê mulher, nós somos aqui no estado mais de 50% só de mulheres e é isso, a gente tem que buscar espaços de poder, não só na profissão, mais também no próprio poder político e em todas as áreas, porque nós somos mulheres que estão aí fortes atuantes e que merecem realmente ocupar o seu lugar de destaque aqui no Estado de Mato Grosso do Sul”.

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