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Já ouviu falar em Tanatopraxia? Saiba o que é e a necessidade deste trabalho

1 maio 2014 - 08h58 Por Mariana Anjos
Quando se perde um familiar ou amigo a dor sempre é muito grande e o sentimento de perda também. O que geralmente nunca paramos para pensar é em quem arrumou e preparou o corpo para aquele momento da despedida. Apesar de parecer estranho esta função, é necessário e há pessoas que exercem este trabalho e por incrível que pareça, gostam do que fazem. Este é o profissional de Tanatopraxia, que resumindo, faz toda a preparação do corpo para o velório e sepultamento.
 
O MS Repórter conversou com um desses profissionais, que garante que gosta do que faz e faz com amor. “Atendo família que acabou de perder alguém, preparo-as para receber a pior notícia na qual é a perda de um ente querido. Após o atendimento faço a remoção para a funerária onde temos o cuidado com o corpo, onde vamos começar todo o procedimento de higienização, além disso, damos banho, fazemos barba, conforme pedido dos familiares, ou seja, preparamos o corpo conforme causa da morte e toda essa preparação é chamada de tanatopraxia”, conta David Lourenço, 29 anos, que exerce esta função há cerca de 12 anos.
 
Também segundo ele, este profissional faz de tudo para tirar aquela expressão de morte. “Maquiamos o corpo para os familiares guardarem uma lembrança boa e não de morte, ma, na medida do possível, uma boa imagem”, conta David. Ele também relatou que um dos momentos que ele fica um pouco abalado é quando tem que arrumar crianças. 
 
“Ainda não tenho filhos, mas gosto muito de crianças e arrumar aquele corpinho tão pequeno não é fácil. Uma vez tive até que ir ao psicólogo, necessário para a nossa função, pois estava arrumando uma criança uma vez e tive a sensação que havia uma pessoa me olhando fazer meu trabalho, sendo que estava sozinho no local, foi estranho demais, mas a psicóloga disse que é por causa do psicológico abalado e o cansaço, já que estava há muitas horas sem dormir”, relatou.
 
Ao ser perguntado sobre por que escolheu esta profissão, ele disse que foi a necessidade e afirma que em muitos lugares é bem remunerado. “Quando iniciei estava estudando e fiquei apertado com as contas e foi o que me salvou, pois, pode não acreditar, mas ouve um tempo que ganhava muito bem em funerária. Aqui em Campo Grande não se ganha muito bem, por que em muitos que trabalham clandestinamente e ficam em portas de hospitais atravessando os que pagam seus impostos”, reclama David.
 
“Esta nossa profissão sofre muito preconceito, pois quando começamos a falar sobre o que fazemos geralmente as pessoas saem de perto, não gostam. Sem duvida temos que ser mais valorizados e reconhecidos, pois é um trabalho necessário, em um momento triste par a família, mas indispensável para a hora do velório”, relata David.
 
“Não penso em parar, gosto do que faço e exerço com amor, como deve ser toda profissão”, finaliza.

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