“Não reaja em hipótese alguma”. A recomendação é do delegado Cláudio Martins, da Delegacia Especializada na Repressão aos Furtos e Roubos de Veículos, Defurv, de Campo Grande (MS). Apesar de parecer óbvia, a dica vem acompanhada de um dado alarmante: o aumento considerável nos casos de sequestros relâmpagos, onde as vítimas são levadas juntamente com seus veículos e depois deixadas em algum local distante.
Conforme informações do delegado Martins, os autores desses roubos fazem parte de quadrilhas muito bem organizadas, geralmente formadas a partir de algum comando feito de dentro de presídios. “É tudo muito bem articulado. Por telefone eles combinam local do assalto. Geralmente são pessoas que não se conhecem. Depois de executarem o crime não mantêm mais contato, e isso dificulta a identificação”, relata o delegado.
Esse tipo de ação é conhecido pela policia de “Disque-Ladrão”, e geralmente resulta na formação de células, ou ramificações. Cada assaltante articula sua própria quadrilha, com novas pessoas, para agir novamente. “Cada um fomenta seu próprio grupo, mas a polícia está atenta, trabalhando para realizar flagrantes e prisões desses elementos, bem como recuperar veículos roubados”, explica o delegado Martins.
Um ponto crucial para o aumento no roubo de veículos está na Lei nº 133, de 08 de junho de 2011, conhecida como "Lei de Regulação e Saneamento Veicular", promulgada pelo presidente Evo Morales, dando anistia a veículos irregulares no país. Apesar do consulado Boliviano no Brasil afirmar que carros furtados não serão regularizados, o fato não inibe a ação de criminosos. “É um combate diário. Os bandidos no exterior dizem que não estão cometendo crime, porque apenas compram o veículo, não roubam. Que os criminosos estão aqui no nosso país. Sabemos que o Estado é uma rota, tanto para o contrabando de mercadorias, como tráfico de drogas e também veículos roubados para a Bolívia e para o Paraguai. A polícia tem a missão de investigar, identificar e prender quem faz essa prática”.
Entre os casos que o delegado chama a atenção é com o sequestro relâmpago, registrado onde um jovem, de 19 anos, foi abordado por dois assaltantes ao estacionar o carro na rua Luiz Freire e Benchetrit, quase esquina com a avenida Ceará, no bairro Vila Manoel da Costa Lima. Ele foi obrigado a entrar no veículo e ficar de cabeça baixa no banco traseiro. O tempo todo teve uma arma apontada para a cabeça dele. A vítima foi deixada em uma área na saída para Rochedo. O estudante conseguiu carona com um caminhoneiro na estrada, e chamou a polícia. O carro dele ainda não foi localizado.
Para o delegado Claudio Martins, as vítimas são escolhidas previamente dependendo da situação. “Cada caso é estudado e não existe uma região ou bairro especifico para ocorrer o fato. Os bandidos vão escolher a casa que eles acharem que possui veículos de interesse no momento, e esperam a hora certa para agir”. Ainda segundo o delegado, os assaltantes também aproveitam locais onde estão ocorrendo grandes eventos ou de grande movimentação, como a frente de boates, aonde a vítima vai demorar a sair do local. “Eles escolhem o carro, aguardam a pessoa se aproximar, e agem. O tempo que a pessoa leva dentro de uma festa, de um show ou de uma boate, é o tempo que o bandido leva para pensar no crime”.
Quem é roubado, é escolhido pelo bandido e deve manter a calma, obedecer, ter paciência, não se apavorar. “Somente assim a vida poderá ser preservada”.
Outro caso, também registrado neste mês na Capital é de um casal, que sofreu sequestro relâmpago na Vila Planalto e foram deixados no distrito de Indubrasil. O casal estava chegando em casa, em uma caminhonete Nissan Frontier, placa HSA-4398 de Campo Grande, cor cinza, quando foram rendidos por dois homens armados. Eles levaram a caminhonete das vítimas, que ainda não foi localizada pela polícia.
Ainda nesse mês, três jovens foram vítimas de seqüestro, seguido de roubo, na Avenida Afonso Pena. Os assaltantes roubaram monitor de DVD, celulares, dinheiro, corrente, relógio e roupas, e depois, abandonaram as vítimas próximas a Uniderp, na Avenida Ceará.Em todos os casos os acusado não foram identificados e estavam armados. “A maioria tem experiência nesse tipo de ação e pretende levar somente o veículo, por isso é importante a não reação da vítima”, reitera doutor Cláudio Martins.
Ceyd Moreles
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