Em vinte dias de inquérito policial, o delegado Valmir de Moura Fé, responsável pelas investigações no assalto que terminou na morte de duas pessoas em um mercado no bairro Caiçara, aguarda apenas um laudo da Corregedoria da Polícia Militar para encerrar o caso. Conforme informações da polícia militar, dentro desses dez dias que ainda faltam para que o inquérito seja encerrado, a PM deve encaminhar diretamente ao delegado, o resultado da conduta do policial militar no dia do fato.
Em depoimento ao delegado, no dia 18 desse mês, o policial disse que não fazia bico no local, e que agiu para cumprir o seu dever, e proteger as pessoas que ali estavam. A tentativa frustrada de evitar o assalto resultou na morte do gerente do estabelecimento, Carlos Ferreira, de 41 anos, e também de um dos assaltantes, Maycon Aquino Paes, de 18 anos. As imagens gravadas pelo circuito interno do mercado mostram o momento da ação. A dupla chega ao mercado em uma bicicleta, entra no estabelecimento, anuncia assalto e começa a retirar dinheiro dos caixas. Durante o assalto, as imagens mostram o PM, à paisana, que entra no mercado atirando.
O primeiro disparo atinge um dos criminosos, Maycon Aquino Paes, de 18 anos, que morreu em seguida.O segundo disparo atinge a coxa do outro assaltante, um adolescente. E esse mesmo tiro teria atingido o gerente do estabelecimento, Carlos Ferreira, de 41 anos.O menor que foi baleado chegou a ser atendido no Hospital Universitário. Em depoimento na Deaij, Delegacia de Atendimento a Infância e Juventude, disse que ele e Maycon decidiram assaltar para comprar mais droga.
O menor infrator está na Unidade Educacional de Internação Novo Caminho, em Campo Grande. Na semana passada, o delegado Moura Fé, ouviu depoimento de três oficiais da polícia militar para entender e acrescentar aos laudos, a conduta correta do momento da abordagem de um policial. O chamado “Uso Progressivo da Força” consta de um modelo de pirâmide, onde o primeiro passo é a presença do policial, em seguida ordem verbal, no último patamar da pirâmide está o uso de uma arma letal (antes usa-se a não letal, como por exemplo, munição de borracha).
O policial militar envolvido no caso, disse em depoimento que se identificou como sendo da polícia, antes de atirar. Ele disse que atirou porque viu o momento em que Maycon pegou na cintura e fez menção de sacar uma arma. Disse ainda que atirou contra o adolescente porque ele teria ameaçado atirar primeiro.
Em contrapartida estão os depoimentos das testemunhas, que relatam não ter ouvido o policial militar se identificar antes de atirar. Imagens de dez câmeras de circuito interno do estabelecimento foram analisadas pela polícia.
O policial militar deve ser indiciado por duplo homicídio culposo ou doloso, quando se assume o risco de matar.
Ceyd Moreles
Leia Também
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS