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Polícia

PM será indiciado por duplo homicídio culposo e excesso de legítima defesa

26 julho 2011 - 12h37 Por Markito

O policial militar Marcos Ambrósio será indiciado por duplo homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e excesso de legítima defesa, no caso do assalto ao mercado no bairro Caiçara, em Campo Grande, ocorrido no dia 5 de julho. O inquérito deve ser concluído na próxima segunda-feira (01/08), conforme informações do delegado que investiga o caso, Valmir de Moura Fé.

Segundo informações da polícia, embora Marcos não tivesse intenção de matar ele foi imprudente ao atirar sete vezes dentro do estabelecimento, assumindo o risco de atingir outras pessoas, que estavam no local. Durante as investigações foi constatado que um dos tiros atingiu o portão de uma residência em frente ao mercado. Na casa havia sete crianças. Felizmente ninguém foi atingido.

Depoimento - Em depoimento ao delegado Moura Fé, no dia 18 desse mês, o policial disse que não fazia bico no local, e que agiu para cumprir o seu dever, e proteger as pessoas que ali estavam. A tentativa frustrada de evitar o assalto resultou na morte do gerente do estabelecimento, Carlos Ferreira, de 41 anos, e também de um dos assaltantes, Maycon Aquino Paes, de 18 anos. As imagens gravadas pelo circuito interno do mercado mostram o momento da ação. A dupla chega ao mercado em uma bicicleta, entra no estabelecimento, anuncia assalto e começa a retirar dinheiro dos caixas. Durante o assalto, as imagens mostram o PM, à paisana, que entra no mercado atirando.

Ação - Durante a ação do polcial, o primeiro disparo atinge um dos criminosos, Maycon Aquino Paes, de 18 anos, que morre em seguida. O segundo disparo atinge a coxa do outro assaltante, um adolescente. E esse mesmo tiro teria, segundo a perícia atingido o gerente do estabelecimento, Carlos Ferreira, de 41 anos.

O menor que foi baleado chegou a ser atendido no Hospital Universitário. Em depoimento na Deaij, Delegacia de Atendimento a Infância e Juventude, disse que ele e Maycon decidiram assaltar para comprar mais droga. O menor infrator está na Unidade Educacional de Internação Novo Caminho, em Campo Grande.

Força - Na semana passada, o delegado Moura Fé, ouviu depoimento de três oficiais da polícia militar para entender e acrescentar aos laudos, a conduta correta do momento da abordagem de um policial. O chamado “Uso Progressivo da Força” consta de um modelo de pirâmide, onde o primeiro passo é a presença do policial, em seguida ordem verbal, no último patamar da pirâmide está o uso de uma arma letal (antes usa-se a não letal, como por exemplo, munição de borracha). 

O policial militar envolvido no caso, disse em depoimento que se identificou como sendo da polícia, antes de atirar. Ele disse que atirou porque viu o momento em que Maycon pegou na cintura e fez menção de sacar uma arma. Disse ainda que atirou contra o adolescente porque ele teria ameaçado atirar primeiro. Em contrapartida estão os depoimentos das testemunhas, que relatam não ter ouvido o policial militar se identificar antes de atirar. Imagens de dez câmeras de circuito interno do estabelecimento foram analisadas pela polícia. 

Ceyd Moreles

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