O policial militar Samuel Araújo Lima, 34 anos, que matou uma e baleou mais quatro pessoas na madrugada de réveillon deste ano, está preso desde então e tenta liberdade por meio de liminar, sem sucesso no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Ele se envolveu em uma briga com uma família, moradora do bairro Pioneiros na Capital, que resultou a morte de Wilson Meaurio.
Alegando princípio da inocência (ninguém é culpado antes que se prove o contrário), que o réu é trabalhador e pessoa de bem, e que não há requisitos para a prisão preventiva, o advogado do policial, Ronaldo de Souza Franco, pediu a revogação da prisão do acusado, que foi negada pelo juiz de direito Alexandre Tsuyoshi Ito. Ainda assim, o advogado tenta reverter a decisão, a partir de recurso pedindo habeas corpus, que será analisado pela 2ª Turma Criminal do TJMS.
Em nome do Ministério Público, o promotor de Justiça Renzo Siufi deu parecer contrário ao pedido do advogado. Ele destacou em seu texto as provas da existência dos crimes, sustentando que há indícios suficientes de autoria. “Encontram-se presentes requisitos da prisão preventiva consistentes na garantia da ordem pública e na conveniência da instrução criminal”, salientou o promotor em seu parecer.
O juiz, por sua vez, justificou sua decisão de manter a prisão preventiva do réu conforme o parecer do Ministério Público, para garantir a ordem e a tranquilidade no andamento do processo, além disso, destacou a segurança da população. “É evidente que delitos desta espécie transmitem insegurança não só a sociedade local, mas a toda campo-grandense que se encontra saturada com a reiteração de delitos desta espécie e clama aos poderes incumbidos, mormente ao Poder Judiciário, para que tomem atitudes firmes a fim de coibir os praticantes de delitos desta espécie” afirmou o juiz em seu texto.
O magistrado também considerou indevida a liberdade do réu. “Sendo, no momento, incabível a libertação do acusado sob pena de causar instabilidade social e prejuízo a credibilidade da Justiça”, concluiu.
Crime
No dia 1º deste ano, por volta das 00h40, nas proximidades das ruas Barão de Limeira e Padre Damião, no bairro Pioneiros, Márcio Pereira Soares, Mailson Pereira Meaurio e Samuel Araújo Lima iniciaram uma discussão de trânsito.
Márcio e Mailson teriam começado a agredir Samuel com socos, chutes, garrafas, pedras e pedaço de pau, com o objetivo de matá-lo. Conforme o que consta no processo, Samuel se desvencilhou e conseguiu abrigo na casa de um morador.
Neste momento, Márcio e Mailson começaram a depredar o veículo de Samuel. Em seguida, o policial militar ligou para sua irmã, Sueli Araújo Lima (também acusada), solicitando que fosse ao local e levasse a arma de fogo dele (de Samuel). Ao chegar, Sueli disparou vários tiros, em via pública.
Depois disso, Sueli, Márcio e Mailson correram do local, entrando em uma casa na rua Barão de Limeira. Mesmo neste momento, em que as agressões já tinham terminado, Samuel se apoderou da arma que estava com sua irmã, foi até a casa e disparou vários tiros acertando fatalmente uma pessoa e ferindo outra. Em seguida ele ainda entrou na residência e atirou mais, atingindo mais três pessoas, fugindo logo depois. Márcio também está preso em caráter preventivo.
Ana Maria Assis
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