O motivo pelo qual o morador de rua Levi da Costa teve 40% do corpo incendiado teria sido uma dívida no valor de R$ 450,00 da compra de entorpecentes. Cinco envolvidos foram apresentados nesta manhã de sexta-feira (16) na 2ª Delegacia de Polícia.
Usuário de drogas, Levi tinha dívida com líderes do tráfico na região do bairro Morada Verde, e no último sábado (10), por volta das 2h30, foi torturado e teve o corpo queimado por um grupo de traficantes. De acordo com investigações da Polícia Civil, conduzidas pelo delegado Weber Luciano de Medeiros, sete pessoas estão envolvidas na tentativa de homicídio, entre elas, Luis Henrique dos Santos, 53 anos, pai do traficante que matou atropelada uma menina de seis anos ao fugir da polícia, no dia 28 do mês passado.
Além dele, Renato dos Santos de Almeida, 28 anos; Luiz Ricardo Vieira, 23; Wagner Miranda da Silva, 34 anos e Lucilene Tavares dos Santos estão presos em caráter temporário pelo envolvimento no crime e foram apresentados na manhã de hoje. O delegado explica que mais dois suspeitos estão soltos, Thiago Misael Segóvia de Moura, conhecido como “Thiaguinho”, e Thiago Vieira da Silva, chamado de “Tio Chico”.
Conforme depoimentos dos presos e apuração da polícia, Thiaguinho foi quem jogou a gasolina da vítima (combustível retirado da motocicleta de Wagner), e “Tio Chico” acionou o isqueiro e ateou fogo. Weber chamou a dupla de “chefinhos do tráfico” para esclarecer a atuação dos dois na quadrilha.
O delegado Weber afirmou que dentro de 15 dias pretende representar pela prisão preventiva de todos os envolvidos, a não ser de Wagner e Luiz Ricardo, pois ambos não participaram da tentativa de homicídio em si, apenas fazem parte do grupo que pratica pequenos delitos na região do Morada Verde. Thiago Vieira chegou a ir até a delegacia, mas acompanhado do advogado, e não estando em flagrante, se apresentou e foi liberado. No entanto, Thiago Segóvia não se apresentou, e está foragido.
Conforme o delegado, a ação do grupo começou com Lucilene, que atraiu a vítima até a Rua Falcão. Ela, que se declarou garota de programa, era amante de Levi. A rua fica nos fundos do bairro Morada Verde, e no local, Luis Henrique, Segóvia, Renato, Vieira e a própria Lucilene amarraram as mãos de Levi e o espancaram com socos, chutes e pauladas.
Em seguida, jogaram a gasolina em seu corpo e roupas, ateando fogo nele. Levi rolou pelo asfalto, e saiu correndo por uma viela do bairro, em chamas e gritando por socorro. O grupo de traficantes assistiu a cena, e chegou a perseguir a vítima, que conseguiu fugir.
No Bairro Nascente do Segredo, populares viram a situação de Levi e chamaram por socorro. Ele foi atendido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado à Santa Casa, onde se encontra em estado grave.
Criminosos
Na presença da imprensa, os cinco suspeitos apresentados negaram a tentativa de homicídio. Luis Henrique, pai do traficante que matou uma criança, se diz inocente, e chegou a interromper o delegado que dizia que ele era perigoso e um dos mentores do crime. “Não sou mentor de nada, só estou aqui porque sou o Bateria, sou conhecido”, disse citando o próprio apelido pelo qual é conhecido na região. Em sua extensa ficha criminal, o “Bateria” possui prática de dois homicídios.
Quando perguntado se era pai do traficante que atropelou a criança, Luis Henrique surpreendeu. “Sim, sou pai dele. Meu filho é um bom pai, um bom filho. Uma pessoa boa. Ele é um exemplo”, afirmou.
“Eu não tenho nada a ver com isso. Nego tudo”, repetia Luis Henrique. Ele ainda ressaltou que conhece a regra do crime, e que atear fogo “não existe”. “Eu jamais faria isso. Sou quebrado. Estou pagando condicional de boa. Eu sou o Bateria, um cara falado, por isso estou aqui”, disse ele. Enquanto o delegado dizia por quais crimes os suspeitos seriam indiciados, Luis Henrique balbuciava: “Não vai dar nada não. Deus é maior”.
Outro suspeito, Renato, negou envolvimento com o crime. Ele se diz usuário de drogas apenas, no entanto, confirma que pegou a corda para que amarrassem as mãos de Levi e também confirmou que o viu com o corpo incendiado correndo e pedindo socorro. Sobre prestar ajuda, afirmou: “Eu não ia ajudar ele, ele tava pegando fogo, aí eu ia pegar fogo também”.
Wagner confessou que estava com o motocicleta de onde foi tirado o combustível para atear fogo na vítima, mas disse que não estava no momento da tortura e tentativa de homicídio. O delegado afirmou que não representará pela prisão preventiva dele.
Conforme o delegado Weber, os suspeitos estão sendo indiciados por tentativa de homicídio qualificado, pela crueldade com que foi praticado, pelo motivo fútil (dívida), sem formas de defesa da vítima e ainda, associado à formação de quadrilha ou bando. Para o delegado, a repercussão na mídia nacional sobre o caso não influenciou no andamento das investigações. “Para a polícia, o trabalho ocorre independente de sexo, raça, classe social. O nosso trabalho é realizado de qualquer maneira”, disse à imprensa.
Ana Maria Assis
Leia Também
Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção de CNH exclusivamente digital
Equipamentos e 522 viaturas:
Projeto de IA do Detran-MS