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Polícia

Pai de Santo acusado de estupro em Campo Grande nega crimes e se diz evangélico

9 setembro 2013 - 04h54 Por Mariana Rodrigues

 Nesta segunda-feira (9), a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher), apresentou o acusado de estuprar duas mulheres em Campo Grande. O homem que se dizia “Pai de Santo” foi identificado como Giunaldo Pereira Ferreira, 46 anos, mas se apresentava para suas vítimas como José de Abaderiá. As delegadas Rosely Molina, Marília de Brito Martins e Fernanda Félix Carvalho Mendes, responsáveis pelas investigações, disseram que o acusado abordava suas vítimas através de folhetos informativos onde constava seu telefone e os trabalhos espirituais que praticava.

As vítimas foram abordadas nos dias 02 de agosto de 2012, e 28 de julho de 2013. Segundo a delegada Rosely Molina, o acusado não tinha um perfil para atacar as vítimas, já que a primeira era uma senhora de 51 anos e a outra uma jovem de 23 anos. Após a prisão preventiva de Ferreira, mais um caso apareceu e com as mesmas características dos crimes anteriores, porém ainda está sob investigação.

No caso de uma das vítimas ele foi até sua casa e disse que o trabalho espiritual que teria que ser realizado era muito pesado e que precisava ir até uma mata para terminar o ritual, eles foram em uma moto Strada que  Ferreira utilizava, que foi apreendida. Chegando até a mata, na saída para Cuiabá, ele tirou a roupa e disse estar “possuído” pelo “exu 7 flechas”, e acabou  praticando a conjunção carnal com a vítima. Já no caso da jovem de 23 anos, ele a levou também para uma mata, e lá ao perceber que havia alguma coisa errada, a mulher tentou fugir e foi ameaçada com uma faca e uma arma de fogo. As vítimas moram no bairro Universitário e Guanandi, em Campo Grande. Já o acusado, segundo as delegadas, não possuía endereço fixo, o que dificultou que a polícia o capturasse, mas no momento em que foi preso, ele residia no bairro Noroeste. “Na casa dele havia um arsenal de imagens e figuras, velas, demônios”, disse Molina.

Da primeira vítima Ferreira chegou a cobrar pelo “trabalho” realizado, como a casa onde ele foi encontrado era muito frequentada, as delegadas responsáveis pelo caso acreditam que possam haver mais vítimas. Ferreira não confessou nenhum dos crimes, conforme relatou a delegada Molina, “ele não acha que tenha cometido nenhum crime, pois alega estar incorporado por uma entidade”. “O que temos que deixar claro é que não estamos duvidando da religião de ninguém e nem da credulidade de ninguém, ele é que abusava da credulidade dessas vítimas para praticar o crime”, disse Molina.

Para imprensa, Ferreira disse ser inocente e ainda revelou ser evangélico, ele disse ainda que nunca ficou com ninguém sem consentimento e que não possuía arma de fogo e negou ser “Pai de Santo”. “Nunca fui Pai de Santo, sou até evangélico, gosto muito de frequentar igrejas evangélicas, sou cristão e leio a bíblia todos os dias”, disse Ferreira em sua defesa. Sobre os panfletos distribuídos com seu telefone ele diz desconhecer. Quando questionado sobre as imagens encontradas em sua residência ele disparou “está amarrado em nome de Jesus esse negócio de Pai de Santo, o que tenho a dizer é que eu não tenho conhecimento dessas coisas”.

O acusado não tem antecedentes criminais, pelos crimes que praticou ele pode pegar de um a cinco anos de prisão por conjunção carnal e de seis a 10 anos por estupro.

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