A delegada Ariene Cury, titular da Dedfaz (Delegacia Especializada na Repressão de Defraudações e Crimes Fazendários), disse na manhã desta terça-feira (12), que há indícios que uma acadêmica de medicina da Uniderp Anhanguera esteja envolvida na fraude do vestibular da instituição, Ariene informou que já tem o nome completo da acadêmica, mas preferiu não revelar para não atrapalhar nas investigações.
Ela estaria na sala de prova e foi reconhecida, já que alguns fiscais eram os próprios alunos e professores. A acadêmica, segundo a delegada, não chegou a realizar a otoscopia (exame para detectar o uso de ponto eletrônico), pois alegou que estava se sentindo mal e pediu para sair da sala.
De acordo com a delegada, a maioria dos acadêmicos envolvidos na fraude são de fora do Estado, dos 23 envolvidos no flagrante, sendo um adolescente, 13 permaneceram em silêncio. Os acusados que prestaram depoimento disseram que receberam a proposta de usar o ponto em outros estados em saídas de vestibulares ao serem abordados por taxistas.
Segundo Ariene, os acusados informaram que pagaram entre R$ 300 a R$ 500 pelo ponto, e se caso passassem no vestibular pagariam de R$ 1.500 a R$ 5 mil, apenas um dos envolvidos disse ter assinado um contrato onde pagaria R$ 60 mil caso passasse na prova. Eles descreveram pessoas diferentes ao informarem de quem teria adquirido o ponto. “Cada um deu um nome diferente, deram três nomes masculinos e um feminino, além de descreverem pessoas totalmente diferentes umas das outras”, disse a delegada.
Não há indícios de participação de funcionários da Uniderp Anhanguera até o momento, mas outras pessoas podem estar envolvidas, já que um ponto eletrônico foi encontrado no banheiro masculino da instituição e além da acadêmica de medicina da Uniderp, outros três estudantes alegaram estar passando mal e saíram antes de realizar a otoscopia.
O primeiro a ser descoberto usando o ponto eletrônico foi Willian Nascimento, de São Paulo, ele cursa o 9º semestre de medicina na Bolívia e ao demonstrar nervosismo e pedir várias vezes para ir ao banheiro foi descoberto usando o aparelho. Após ele ser descoberto os outros 2.500 candidatos foram submetidos ao exame. Dos 23 envolvidos apenas Joaquim Pereira Gonçalves Neto do Pará permanece preso, pois ainda não conseguiu o dinheiro para pagar a fiança arbitrada em R$ 2 mil. Os outros 21 acusados foram indiciados por Fraude em Certame de Interesse Público que prevê pena de 1 a 4 anos de prisão.