Nesta manhã (10) a Polícia Civil apresentou o inquérito final que apura a morte do investigador Dirceu Rodrigues dos Santos, 38 anos, morto na noite do dia 28 de janeiro no Jardim Campo Nobre em Campo Grande, junto com ele estava seu colega de trabalho o também Policial Civil Osmar Ferreira, 39 anos agredido fisicamente. A coletiva ocorreu na Delegacia Geral da Polícia Civil (DGPC) e contou com a presença dos delegados Jairo Carlos Mendes do 5º DP, Tiago Macedo dos Santos do 4º DP, Fabio Nagata e João Reis, responsável pelo inquérito Policial.
De acordo com João Reis, ao todo foram seis adultos indiciados pela prisão preventiva e um adolescente representado internado na Unei Los Angeles acusados de participarem da execução do policial Dirceu. “Os presos já foram removidos para o presídio de segurança máxima e o adolescente está na Unei”.
Alexandre Gonçalves da Rocha, 21 anos, foi indiciado por homicídio qualificado referente a morte do policial Dirceu, lesão corporal dolosa referente ao policial Osmar, receptação dolosa, referente a joia que estava na posse dele, furto referente ao veículo que estava com os policiais e o revolver do policial e resistência, e pode ainda responder por corrupção de menores referente ao adolescente N. B. O, 15 anos, que estava com eles. Alexsandro Gonçalves Rocha, a travesti “Alexia”, 19 anos, foi indiciada por homicídio qualificado, combinado e lesão corporal dolosa referente ao policial Osmar, Giovani de Oliveira Andrade, 18 anos, foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo na modalidade ocultar, receptação dolosa, resistência e favorecimento pessoal.
De acordo Reis, Giovani foi quem recebeu as duas armas que foram repassadas pelo Alexandre após a prática dos crimes, uma delas ele repassou para Renato Ferreira Alves, 21 anos, que recebeu a arma de cano curto marca Rossi, revólver calibre 38 que foi a arma utilizada para efetuar o primeiro disparo no policial. A arma que era usada pelo policial um revólver calibre 8 cano longo, foi repassada para Cleber Ferreira Alves, 36 anos, todos eles vão responder por porte ilegal de arma de fogo.
Lucia Helena Barbosa Gonçalves, 50 anos, mãe do Alexandre e da Alexia, foi autuada pelo crime de receptação dolosa pelo fato de ter sido encontrada dentro do guarda-roupa de seu quarto a joia que era objeto de investigação dos policiais. Lucia foi encaminhada para o Presídio Feminino, e o adolescente N.B.O, 15 anos, vai responder na participação do homicídio. São pelo menos três pessoas envolvidas diretamente, autuadas pela pratica do homicídio.
As três armas foram encaminhada para a perícia, duas delas foram usadas para executar o policial e uma terceira estava dentro do veículo usado por ele, uma pistola que pertence ao policial Osmar, o laudo deve ficar pronto só na quinta-feira (13), mas, de acordo com Reis, o Instituto de Criminalística informou hoje pela manhã que já foi identificado de onde partiram os disparos que atingiram a vítima Dirceu, dois dos projéteis partiram da arma calibre 38 cano curto, encontrada na posse de Renato e dois dos outros disparos, os que atingiram a cabeça quando ele foi executado, partiu do revolver que era do próprio policial, o executor subtraiu a arma do policial para efetuar os dois outros disparos.
A Alexia informou às pessoas que estavam dentro da casa que além de Osmar havia outra pessoa lá fora que estava com outra travesti, a Natalia. “Nesse momento Osmar foi dominado e a Alexia foi imediatamente, de posse de um revolver Rossi calibre 38, ordenando que Dirceu liberasse sua amiga ou então mataria o outro policial que estava lá dentro desmaiado. Então ele informou para Alexandre que havia outra pessoa lá fora que estava armada, ele pegou o revolver e efetuou os disparos na direção de Dirceu acertando seu abdome”, contou Reis.
“O que aconteceu, no primeiro momento ainda na residência, o Alexandre efetuou o primeiro disparo que teria atingido o abdome da vítima, em seguida adentrou no veículo usado pelos policiais, juntamente com o adolescente que assumiu a direção, ele falou para o adolescente parar e desceu do veículo, aproximou-se do policial que estava sentado e apoiado com o braço no asfalto, apanhou o revolver do policial que estava próximo ao pé dele e efetuou dois disparos a queima roupa na direção da cabeça, ele executou o policial ali, a intenção era matar mesmo”, concluiu Reis.
De acordo com o laudo do exame necroscópico da vítima, a causa da morte é apontada como hemorragia interna e traumatismo crânio encefálico, conduzido por arma de fogo, ou seja, tanto o disparo no abdome quanto os disparos na cabeça levaram a morte do policial. O Instituto de criminalística já sabe de onde foram disparados os tiros, em relação a quem desferiu os disparos, pelo que foi apurado pela policia no inquérito não há duvidas que quem efetuou todos os disparos foi o Alexandre, tanto o primeiro que atingiu o abdome da vítima quanto os outros dois que atingiram a cabeça.
O delegado responsável pelo inquérito disse ainda que tanto o adolescente quanto a travesti Alexia responderão por homicídio, pois no momento que o Osmar estava sendo dominado, ela ajudou o Alexandre a desmaiá-lo, e depois pegou a arma que foi utilizada pelo Alexandre para que efetuasse os disparos, eles irão responder de acordo com suas participações. “Já o adolescente pelo fato de também ter ajudado a dominar o Osmar, vai responder por lesão corporal, e referente ao homicídio ele, assim que foi solicitado pelo Alexandre, tomou a direção do veículo e foi em perseguição ao policial ferido, parou na esquina e ficou observando e aguardando o Alexandre executar a vítima e em seguida saiu em fuga com o veículo juntamente com o Alexandre”.
Segundo relato da vítima Osmar, no momento em que a Alexia apresentou a corrente de ouro que eles buscavam recuperar e ele pediu para ver essa corente a Alexia mudou de ideia e o empurrou e em seguida, Osmar notou em Alexandre uma mudança de fisionomia acreditando ele que ali o Alexandre o havia reconhecido como sendo policial, porque o Alexandre já tem outras passagens. “O Osmar deixou claro em seu depoimento que naquele momento o Alexandre deu a entender que o reconheceu como sendo policial, por isso passou a agir daquela forma, agora os indiciados alegam que somente tomaram conhecimento que eles eram policiais depois do fato ocorrido”.
“Eu defino o fechamento desse inquérito com grande sucesso, por parte de todos os envolvidos. Com tristeza e pesar que a gente tenha que trabalhar com inquérito desses, é obvio que a morte violenta de qualquer pessoa na sociedade campo-grandense afeta a policia e alguém pode questionar que pelo fato da vítima ser policial a polícia se empenhou mais é que nos afeta mais diretamente aqueles que estão mais próximos da gente, mas analise a estatística e vocês verão que mais de 70 a 80% dos homicídios aqui de Campo Grande tem tido solução e a autoria é identificada e os crimes resolvidos. O que eu quero destacar é que essa ação policial que envolveu mais de 100 policiais ocorreu de forma legal legitima não ouve nenhum só disparo, então é isso que a gente tem que enaltecer”, concluiu Reis.