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Polícia

Caso Giovanna: Pai de jovem agredida diz que a lei prevalece quem tem dinheiro

11 fevereiro 2014 - 06h29 Por Mariana Anjos

A jovem Giovanna Nantes Tresse, 19 anos, agredida no dia 31 de dezembro de 2013, na noite de réveillon, chegou em Campo Grande nessa segunda-feira para retirar os arames colocados em sua boca após violência causada pelo namorado Matheus George Zadra, também de 19 anos. Ela deve ficar no maximo até esta quarta-feira na cidade e em seguida vai embora para Londrina-PR, onde vai morar com a mãe.

De acordo com o pai de Giovanna, Luiz Carlos de Oliveira, 45 anos, toda a família está revoltada com o andamento do caso. “Estamos todos indignados com esta situação, pois minha filha quase morreu e esse rapaz esta livre, como se nada tivesse acontecido. Que lei é essa? Para mim a lei prevalece quem tem dinheiro. Tem a lei do pobre e a lei do rico. O Matheus é filho de médico, com certeza é influente e sem duvida pagou para conseguir o habeas corpus”, enfatizou revoltado.

O pai de Giovanna contou que ele e a mãe de Giovanna são separados, a filha morava com ele em Campo Grande e a mãe em Londrina. Agora, após o ocorrido, a jovem vai morar com a mãe no Paraná, para própria segurança, já que a família tem medo que Matheus faça alguma outra barbárie com a vítima. “Eu não tenho condições de ficar com ela 24 horas por dia e não temos como pagar um segurança para ela. Estamos com medo de que ele possa vir a fazer alguma outra coisa com ela, até um homicídio e desta forma decidimos que ela irá morar com a mãe e continuará seus estudos e sua vida”, destacou.

Segundo Luiz Carlos, Giovanna namorava cerca de um ano Matheus e até então ele nunca se mostrou ser um rapaz violento. “Eles estavam morando há alguns meses juntos e me garantiu que iria cuidar bem dela e dar seus remédios certinhos, já que ela toma medicamentos controlados por causa de um problema no estomago. No dia do ocorrido, ele me ligou chorando pra contar que ela tinha caído e eu fui desesperado para o hospital, mas no local, todos que atenderam ela falavam que era agressão física, só de olhar os machucados e hematomas”, disse.

Com relação a pena prevista para Matheus, que pode pegar de 1 a 5 anos de prisão, após ser julgado e condenado, o pai de Giovanna considera um absurdo. “Somente isso de prisão é muito pouco pra ele e tinha que ser julgado por tentativa de homicídio, por que minha filha quase morreu, é um inaceitável. sem falar que ele teria que ter sido preso em flagrante, já que só tinha os dois no local e o estado que Giovanna ficou foi terrível”, afirmou.

O pai da jovem também destacou que o caso só foi resolvido, por que a mídia foi em cima e ele entrou no crime da Lei Maria da Penha. “Se não tivesse sido divulgado a agressão, seria mais um caso esquecido. E contou o fato dessa lei que defende as mulheres, mas a esta Lei Maria da Penha tem que ser modificada, pois como que um rapaz que fez o que fez com minha filha, consegue responder em liberdade, não é preso em flagrante e não é julgado por homicídio? Minha filha ficou com o rosto todo desfigurado, estava irreconhecível”, contou.

“Eu não quero ver o Matheus, mas se encontrá-los vou falar pra ele se é homem para bate em outro homem como bateu na minha filha. Minha filha esta consciente que foi agredida e não quer nem passar perto dele. Se ele não fosse de família que tem condições financeiras, sem duvida estaria preso desde o primeiro dia, mas como é de família influente e que tem dinheiro, já que o pai dele é médico, está livre, mas vamos atrás de justiça”, finalizou o pai de Giovanna.

O caso

Giovanna Nantes Tresse teve o rosto quebrado em quatro partes, mas Matheus nega que a tenha espancado e se defende das acusações dizendo que Giovanna teria caído várias vezes após ter ingerido bebida alcoólica.

Matheus ficou foragido por 14 dias, e foi preso no último dia 22. Após mais de seis horas de depoimento ele saiu algemado da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e foi encaminhado para o 4º DP nas Moreninhas. No dia 27 de janeiro, por volta das 19h, ele foi liberado, após seu advogado ter solicitado o habeas corpus e o mesmo ter sido aceito e liberado pelo Tribunal de Justiça.

Após vários dias de investigação e análise do caso, na última sexta-feira (07), na Diretoria Geral da Polícia Civil, o inquérito policial sobre o caso foi finalizado e divulgado.  Na ocasião, disseram que Matheus foi indiciado por lesão corporal, em principio grave e violência doméstica, cujo ele pode pegar de 1 a 5 anos de prisão, porém vai ficar em liberdade até que seja julgado.

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