Dissimulado. Foi assim que a delegada Maria de Lourdes Cano, titular da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos) definiu Thiago Henrique Ribeiro, 21 anos, apontado como o autor do disparo que resultou na morte do empresário Erlon Peterson Pereira Bernal, 32 anos, em 1º de abril deste ano. Nesta terça-feira (15), os acusados foram novamente apresentados, juntamente com os objetos apreendidos, agora cada um com a sua respectiva participação no crime.
De acordo com a delegada, após ser envolvido por Thiago para ir até a residência onde foi morto, Erlon foi recebido pela menor de 17 anos, e por Rafael Diogo, vulgo Tartaruga, 23 anos. “Eles ficaram sentados na varanda da casa, depois foram para os fundos, perto da fossa onde o corpo foi encontrado”, disse a delegada. A fossa já estava aberta no momento em que Erlon chegou à residência, ele ficou sentado em uma cadeira negociando o veículo com a menor, que era quem supostamente iria comprar o veículo, alegando que receberia uma herança da avó e o pagaria com esse dinheiro.
No momento em que Erlon negociava a venda com a menor e com Rafael, Thiago foi até o interior da casa e pegou o revólver que havia emprestado de Jeferson dos Santos de Souza, 21 anos. Thiago deu um tiro na cabeça de Erlon que estava sentado, de acordo com a delegada, o tiro atravessou a cabeça e saiu na altura dos olhos. “O Rafael disse que a vítima permaneceu agonizando por uns 10 minutos, então não sabemos se ele estava vivo no momento em que foi jogado na fossa”, comentou Maria de Lourdes.
“Thiago, Rafael e a menor jogaram o corpo da vítima na fossa, limparam o sangue da cadeira e jogaram alguns entulhos, como restos de construção e um puff em cima da vítima, para que segundo eles, se chovesse o corpo não aparecesse”, contou a delegada. Os acusados ainda subtraíram alguns pertences da vítima, sendo que o relógio foi encontrado posteriormente junto com a terra da fossa.
Ainda de acordo com a delegada, Thiago que foi o primeiro a ser preso, se mostrou bastante tranquilo. “No momento que ele chegou à delegacia, sem saber porque estava sendo preso, ele perguntou se éramos nós que estávamos investigando o caso do empresário que havia desaparecido e ainda ironizou dizendo que ele deveria estar passeando com o carro por aí”.
Ao ser apreendida, a menor, que estava na casa com o seu namorado, disse que o mau cheiro que exalava do local era devido a um cachorro morto que ela havia enterrado no local.
Para a delegada, Thiago é dissimulado e aparenta ter uma dupla personalidade. “Ele tem perfil para cometer esse tipo de crime, inclusive ele confessou ter cometido outro crime, onde ele matou um homem que teria ganhado um prêmio na loteria”.
Thiago não quis falar sobre o caso, de maneira fria, apenas disse que estava arrependido. “Estou arrependido e vou pagar pelo que eu fiz e vou ser uma nova pessoa”. Questionado se não achava pouco só se arrepender pelo que fez ele disse: “Acho pouco, mas agora do jeito que eu estou é o mínimo que eu posso fazer é me arrepender e pagar pelo que eu fiz”, disse Thiago.
“Não era pra ninguém ter morrido nessa história, eu não sei explicar porque ele morreu, mas não era pra ele ter morrido, não estava nada planejado”, disse Thiago. Já Rafael, disse que sua participação foi somente para levar o veículo para outra pessoa. “O meu papel só era levar o carro na oficina, não sabia que o rapaz iria morrer eu nem teria ido lá”.
Jeferson se mostrou totalmente diferente do jovem nervoso da primeira vez que foi apresentado pela Defurv. Agora calmo, e até chorando, ele pediu perdão para a família, esposa e para a família de Erlon e alegou que só emprestou a arma do crime para Thiago. “Eu queria pedir pra família dele não me culpar porque eu não tive culpa, não estava sabendo de nada disso”. Apesar de todos se mostrarem arrependidos e até chorarem, a delegada afirmou que todo o crime já estava armado, inclusive a morte de Erlon já havia sido planejada.
Thiago Henrique Ribeiro e Rafael Diogo irão responder por roubo qualificado, emprego de arma de fogo, restrição da liberdade da vítima, associação criminosa armada, corrupção de menores, concurso de pessoas e ocultação de cadáver. As penas somadas poderão chegar a 50 anos. Jeferson responderá por posse irregular de arma de fogo e associação criminosa armada. Athaide Pereira dos Santos, o funileiro, pagou fiança no valor de quatro salários mínimos e já foi liberado, mas irá responder por receptação.
A menor que está apreendida na Unei feminina, irá responder por roubo qualificado, concurso de pessoas, ocultação de cadáver, restrição da liberdade da vítima e associação criminosa armada.