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Polícia

Autores reproduzem com detalhes crime que vitimou empresário

23 abril 2014 - 07h43 Por Mariana Rodrigues

 Durante a reconstituição do crime que vitimou o empresário Erlon Peterson Pereira Bernal, 32 anos, na manhã de hoje (23), Thiago Henrique Ribeiro, 21 anos, Rafael Diogo, 23 anos e a adolescente de 17 anos reproduziram com detalhes como tudo aconteceu. Nesta quarta-feira eles refizeram desde o encontro com Erlon, que foi representado por um policial, até o momento do crime. A delegada titular da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos), Maria de Lourdes Cano chegou à rotatória na saída para São Paulo, por volta das 9h30 da manhã para dar início à reconstituição.

O encontro entre Thiago e a vítima ocorreu por volta das 15 horas do dia do crime, 1º de abril, na avenida Gury Marques, em frente a uma fábrica de refrigerantes onde trabalhava. Hoje Thiago voltou ao local mostrou aos policiais, delegada e para a imprensa como convenceu Erlon a ir até a casa localizada no bairro São Jorge da Lagoa, local onde foi assassinado e enterrado. A via ficou interditada durante a reconstituição, funcionários da fábrica se aglomeraram para ver o que estava acontecendo, alguns filmaram com o celular toda a ação da Polícia.

Thiago mostrou onde o Golf ficou estacionado enquanto conversava com Erlon. Ele olhou o veículo e combinou com a vítima de ir até a casa da adolescente que se passou por sua tia e supostamente iria comprar o Golf. Da avenida Gury Marques, todo o trajeto feito por Erlon foi refeito. De acordo com a reconstituição, Erlon foi dirigindo o veículo e Thiago foi no banco do carona. “Durante esse trajeto da rotatória da saída para São Paulo até a casa da adolescente, Erlon conversou com Thiago sobre a vida dele, falou que tinha dois filhos, que era casado e que possuía um terreno nas proximidades”, disse Maria de Lourdes.

O trajeto seguiu pela avenida Interlagos até chegar a casa da adolescente de 17 anos, localizada no bairro São Jorge da Lagoa. A adolescente já estava no local, encapuzada, ela aguardava para refazer as cenas do crime. Rafael aguardava em um camburão até que tudo estivesse pronto para que ele pudesse sair e mostrar o que havia ocorrido a partir do momento que Thiago chega a residência com Erlon.

Ao estacionar o veículo Golf em frente a residência, Erlon desceu do carro juntamente com  Thiago e foi recebido ainda no portão, pela adolescente e por Rafael. Eles conversaram por alguns instantes na frente da casa e logo seguiram para os fundos do imóvel. “Quando o Thiago chegou com a vítima no local, ele apresentou o Erlon a menor de idade e também ao Rafael, como se eles fossem as pessoas que estavam interessadas em adquirir  o veículo e assim, o casal convidou a vítima para adentrar a casa e lá a mantiveram. Em momento algum ele foi mantido ali como cativeiro, na realidade o que houve na casa foi uma suposta negociação do veículo, onde a vítima foi iludida que uma pessoa chegaria com o dinheiro  que eles comprariam o carro e na realidade ali eles já tinham preparado e sabiam que iam matar o Erlon naquele local”, concluiu a titular da Defurv.

Erlon sentou em uma cadeira de plástico entre Rafael e a adolescente, Thiago permaneceu em pé. Entre a negociação do veículo até a morte de Erlon foram cerca de 40 minutos, e durante todo esse tempo Erlon permaneceu calmo e em nenhum momento percebeu que se tratava de um assalto. “O Erlon em nenhum momento percebeu que ali ocorreria um assalto, ele estava bastante tranquilo, como disseram os próprios autores. O que se percebe é que o Thiago tem um poder de convencimento muito grande”, esclareceu a delegada.

Thiago deixou a adolescente e Rafael conversando com Erlon e foi até o interior da residência onde pegou a arma de fogo, foi por trás de Erlon e atirou em sua nuca. O empresário caiu da cadeira e logo foi arrastado para a fossa séptica onde foi enterrado e permaneceu por cinco dias até ser encontrado. “Ele foi morto no próprio quintal da residência, arrastado e jogado dentro da fossa. Nós tivemos a versão de todos os autores, onde eles vieram trazer fatos que eles mesmos praticaram, ou seja, a praticidade ali foi visualizada e demonstradas por eles mesmos e vieram a confirmar todos os fatos trazidos no inquérito policial. A participação individualizada de cada um, a frieza que cada um ali teve com a  vítima, inclusive que eles sabiam do histórico familiar do Erlon e mesmo assim a matou, como se fosse um lixo realmente”, disse Maria de Lourdes.

Saindo da residência, o comboio policial seguiu para a funilaria localizada no bairro São Conrado, onde o veículo foi pintado de branco, teve placas e rodas trocadas. No local Thiago refez o momento em que ele trocou as placas do carro que estava estacionado ainda na rua. Depois os policiais levaram o Golf para os fundos do local conforme os acusados haviam informado que foi feito. “O funileiro praticou o crime de receptação, ele recebeu o veículo na sua funilaria. Ele já havia prestado outro serviço para o Thiago, e na realidade demonstrou que ele não tinha conhecimento do roubo e muito menos da morte do Erlon. A troca de placa foi feita na rua e o Thiago alegou para ele, na ocasião, que estava fazendo a transferência do veículo e que eles estavam tirando aquela placa a pedido de um despachante para levá-la ao Detran”, declarou a delegada.

Ainda de acordo com a delegada, a adolescente nega a todo o momento que tenha participado do crime, mesmo todos os autores afirmando passo a passo a participação da jovem. “Ela ainda continua a negar que tenha qualquer envolvimento no crime ocorrido, mas a gente já tem uma longa experiência em lidar com adolescentes infratores e se percebe claramente que ela esta mentindo”, concluiu.

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