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Polícia

Acusado de fraudar placas de carro de empresário é preso

29 abril 2014 - 11h14 Por Mariana Rodrigues

 Após a conclusão do caso que resultou na prisão da quadrilha acusada de matar o empresário Erlon Peterson Pereira Bernal, 32 anos, vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte), a delegada titular da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos), Maria de Lourdes Cano, apresentou hoje (29) para a imprensa o acusado de ter fabricado as placas que foram encomendadas por Thiago Henrique Ribeiro, 21 anos, apontado como o executor do empresário.

As placas encontradas no carro de Erlon eram originais, e após investigações concluiu-se que o funcionário da empresa Íons Comércio de Placas,  Luiz Fernando Flores Valenzuela, 26 anos,  forneceu a placa para Thiago. De acordo com a delegada Maria de Lourdes, ele foi preso no local de trabalho, ele confessou o crime e disse que recebeu a encomenda da placa através do telefone. Ele alegou desconhecer para quais fins seria usada a placa que foi encomendada por Thiago.

“Ele diz que encomendava de três a quatro placas semanalmente da própria empresa que ele trabalhava, ele telefonava na empresa e pedia, por telefone, os números e as letras que ele queria e a empresa confeccionava e mandava levar essas placas ao Detran, onde funcionava o container da própria empresa, no local havia pessoas que trabalhavam para a empresa, ao invés dele passar a placa aos demais servidores do Detran especificamente, ele colocava na própria mochila dele e entregava às pessoas que haviam encomendado as placas”, explicou Maria de Lourdes.

Por cada jogo de placa, Luiz Fernando recebia a quantia de R$ 120 reais, ele praticava esse tipo de crime há mais de 4 anos, conforme foi constatado pelas investigações. O proprietário da empresa, José Ribamar Rodrigues Leite da Costa, 66 anos também foi indiciado por adulteração de veículo automotor e por formação de organização criminosa armada devido a sua conduta omissa.

De acordo com Maria de Lourdes, o proprietário da empresa foi indiciado por que no primeiro depoimento prestado, na semana passada, ele afirmou que não sabia e não tinha qualquer anotação para quem teria sido entregue a placa ou quem a teria encomendado.

“Ele tinha o dever de fiscalizar, as placas eram encomendadas há 4 anos, sendo três placas semanalmente, é impossível alguém não sentir e não perceber que alguma coisa diferenciada estava ocorendo em sua empresa”, disse a delegada.

Sobre um possivel esquema de fraudes de placas de veículos, a delegada informou que o autor informou que confeccionava placas para vários garagistas da cidade, despachantes e também para terceiros. “Para não tumultuar as investigações, o procedimento do Erlon está sendo encerrado na data de hoje, com a clonclusão de quem entregou as placas para o Thiago e posteriormente será efetivada pela própria Defurv outra investigação, há inclusive a possibilidade de outras empresas credenciadas estarem praticando delitos como este”.

Luiz Fernando, que até então não possuía antecedentes criminais disse que praticava o crime para poder “complementar a renda”, ele disse ainda que esse foi o único contato que teve com o Thiago.

De acordo com as investigações, não houve qualquer participação do Detran no caso. “As placas realmente foram encaminhadas para o Detran, através de um funcionário da empresa Íons, que levou essas placas para outro funcionário da mesma empresa, que fica instalado em um container dentro do Detran, e esse funcionário deveria ter passado essas placas para o funcionário do Detran, coisa que ele não fez”, esclareceu a delegada.

Os dados do veículo para a confecção da placa foram feitos a partir de um Golf de cor branca que também estava a venda em um site de compra e vendas de automóveis. “O próprio Thiago informou durante depoimento dizendo que vizualizou esse veículo Golf de cor branca, através de um site de compra e vendas de veículos, ele copiou todos os dados do carro e resolveu fazer uma placa igual porque ele conseguiria circular com o carro livremente apostando na impunidade, coisa que não ocorreu, e conseguria seu objetivo”.

Roberto Augusto Roque, gerente regional da Agência do Detran de Campo Grande, disse durante a coletiva que o Detran já instaurou um procedimento administrativo junto a corregedoria de trânsito e suspendeu as atividades da empresa de maneira preventiva até que sejam apuarada as irregularidades.

Sobre possiveis falhas no Detran, ele negou que possa haver esse tipo de irregularidades no órgão. “Não há o que se falar em falha no Departamento, não há envolvimento do órgão, é uma empresa que prestava serviços e estava credenciada ao Departamento e fez isso de maneira sem conhecimento, ou seja, não passou nos trâmites legais do Detran, essa placa não tem registro dentro do Detran, então não enxergo essa falha na fiscalização”, finalizou Roberto.

Investigações

A titular da Defurv afirmou que outras pessoas serão investigadas, mas serão desvinculadas ao procedimento do Erlon, ela ressaltou também que essa empresa, ao ex-proprietário cabia além da ficaslização de todo o controle da sua empresa, “garantir os atos que o próprio funcionário praticava, ou seja, era grande o número de placas que ele encomendava, de qualquer forma ele incentivava os atos criminosos que ocorria aqui fora, tanto os roubos de veículos, furtos, e até mesmo morte, como foi a do caso Erlon”.

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