Na última quinta-feira (10), aconteceu na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, a segunda audiência do caso em que os irmãos Alexandre Gonçalves da Rocha e Alexsandro Gonçalves Rocha e Giovani de Oliveira Andrade, além de outros envolvidos, foram acusados de assassinar, com três tiros, o policial civil Dirceu Rodrigues dos Santos. O crime aconteceu no dia 22 de janeiro de 2014, no Bairro Campo Nobre, quando Dirceu e seu parceiro Osmar Ferreira estavam disfarçados em uma investigação para apurar o roubo de uma joia.
Na audiência foram ouvidas uma testemunha de acusação e sete testemunhas de defesa. A primeira testemunha (de acusação) a ser ouvida foi um menor de idade que estava na casa da sua namorada, local onde aconteceu o crime. Ele contou que por volta das 21h30 ouviu Alexsandro chegar gritando com outro homem e disse que o outro irmão Alexandre Gonçalves da Rocha deu uma gravata no policial Osmar Ferreira que ficou desmaiado na cama. O adolescente contou ainda que Alexandre pegou a arma do policial Osmar.
Disse ainda, que pegou o carro dos policiais e foi dirigindo, levando os dois irmãos para casa deles. Afirma que duas quadras depois viu o policial Dirceu caído na rua. Conta que Alexandre pediu para ele parar o carro e deu mais um tiro em direção ao policial e que na hora não soube se o tinha atingido. Além disso, aduziu que não sabia que os homens eram policiais e que soube apenas depois pela internet.
A segunda testemunha ouvida, J. G. A. disse que recebeu um telefonema dos policiais solicitando um programa e quando se encontraram eles o jogaram no carro e o levaram para um beco onde lhe bateram.
Depois disso, conta que teve suas mãos amarradas, foi jogado no banco de trás do carro dos policiais que foram buscar Alexsandro, colocando-o também no carro. Contou que os policiais disseram que eles faziam parte do jogo do bicho e que foram contratados por R$ 50 mil cada para que recuperassem a joia e matassem eles.
No entanto, disse que Alexsandro lhe contou que ganhou a joia como pagamento de um programa. Afirma que em seguida, os policiais os levaram para a casa que aconteceu toda a situação e viu que o policial osmar desceu com Alexsandro, apontando a arma em suas costas, sendo que na primeira oportunidade que teve, fugiu para o fundo da casa onde ficou escondido esperando a confusão passar.
Por fim, disse ter visto seu amigo Alexsandro entrar no carro e que ao se encontrarem depois ele apenas disse que jogou a arma junto com o carro em que os policiais estavam.
Outra testemunha ouvida foi Lucia Helena Barbosa Gonçalves, mãe dos réus. A mãe disse que Alexsandro e J. G. A. foram atrás dela enquanto estava de saída para o trabalho e disseram que seu outro filho havia atirado em um homem para salvar eles. Alegou ainda que não tentou auxiliá-los ou conversou mais com eles sobre o assunto e muito menos foi visitar seus filhos na prisão.
A quarta testemunha a prestar depoimento foi uma menor de idade, namorada de A. G. Ela conta que estava com ele em um quarto da casa quando seu cunhado (Alexsandro) chegou com um homem desconhecido e pediu que seu namorado pegasse um “negócio” que havia guardado e ele voltou com uma corrente.
Contou ainda que quando o policial Osmar viu o objeto na mão de Alexsandro o atacou e seu namorado revidou dando uma gravata nele que o fez desmaiar.
Assim, Alexandre pegou a arma do policial e disse que tinha um outro homem do lado de fora da casa, mantendo seu amigo (J. G. A.) como refém em um carro. A menor disse ainda que no momento da confusão tentou ligar para a polícia duas vezes, mas desistiu, pois ninguém a atendia. Conta que as agressões de seu namorado e cunhado ocorreram como forma de defesa.
Outra menor de idade ouvida, namorada da primeira testemunha ouvida, disse que quando Alexsandro chegou ela estava na varanda com o seu namorado, sendo que foram motivados a entrar na casa depois de ouvirem uma discussão. Disse que quando entraram, Alexsandro já tinha dado uma gravata no policial Osmar.
Alegou por fim, ter visto quando o policial Dirceu entrou na residência e deu um tiro para dentro e Alexandre revidou com outro disparo que fez com que Dirceu saísse correndo. Contou ainda que viu quando J. G. A. fugiu do carro com os braços amarrados e não sabe se seu namorado e os irmãos réus saíram atrás de Dirceu.
A sexta testemunha ouvida foi C. L. de O., mãe do réu G. de O. A., que contou em seu depoimento que estava em sua residência e por volta das 21h o réu A. G. pediu para ir ao banheiro que fica do lado externo da casa. Disse que quando todos já estavam dormindo o portão da sua casa foi arrombado e vários policiais invadiram o local gritando pelo seu filho, sendo que após uma vistoria eles encontraram uma arma no telhado da vizinha.
Alegou ainda que chegou a ser algemada mais não foi levada para a delegacia pois sua neta de 6 anos dependia dela. No entanto, sustentou que os policiais chegaram a agredir a criança porque ela não parava de chorar.
As últimas testemunhas que prestaram depoimento foram uma vizinha do G. de O. A. e seu ex-patrão (A. E. C.). A vizinha contou que ficou sabendo do ocorrido pelos mais de 30 policiais que arrombaram e invadiram sua casa atrás do seu vizinho.
Já A. E. C. que era patrão da oficina mecânica em que G. de O. A. trabalhava disse que o réu é uma ótima pessoa, trabalhador e educado, assim como a vizinha do réu também relatou.
Segundo o juiz titular da Vara, Carlos Alberto Garcete, uma última audiência está marcada para o próximo dia 24 de julho, às 14h, onde todos os réus prestarão a sua versão dos fatos ocorridos.
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