A Audiência Pública realizada na tarde desta terça-feira (16) na Câmara Municipal de Campo Grande, foi marcada pela presença quase que absoluta dos vereadores, entidades e empresas ligadas ao setor e usuários do sistema. Com exceção dos empresários, todos concordam num ponto: a eficiência do serviço é questionável.
A reunião foi promovida pela Comissão Permanente de Transporte e Trânsito, composta pelos vereadores Vanderlei Cabeludo (presidente), Alceu Bueno (vice), Carlão, Engenheiro Edson e Flávio César, mas foi solicitada pelo vereador Ayrton Araújo do PT, integrante da base do prefeito Alcides Bernal na Câmara.
Em comum, diversos usuários do transporte coletivo citaram reivindicações e pediram soluções para problemas como a superlotação dos veículos, a necessidade de mais carros nos horários de pico e nas saídas das escolas e universidades, especialmente à noite, o sucateamento dos terminais e carros para executar o serviço, a falta de segurança e conforto, entre outros.
O ponto alto da audiência foi uma reunião de informações apresentadas pelo vereador Ayrton Araújo, em que cita publicações em diário oficial do ano passado, dando conta de contratos e aditivos milionários entre a prefeitura e o Consórcio Guaicurus, em que muitas das questões reivindicadas estavam previstas.
De acordo com o vereador, no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) de 8-3-2010 (n. 2970), a Agetran contratou a empresa Socicam por R$ 8 milhões, em troca de serviços referentes ao transporte coletivo, pelo prazo de 24 meses.
No Diogrande (n. 3472) do dia 5-3-12 a Agetran lançou um termo aditivo prorrogando o contrato por mais 24 meses, pelos quais a Socicam receberia outros R$ 8,5 milhões, aproximadamente, sendo R$ 353,269,30 mensalmente. De acordo com o que ficou estipulado no termo aditivo, a empresa executaria serviços de manutenção e conservação dos terminais da cidade, um dos pontos apontados pelo parlamentar, que se encontram “em condições degradantes”.
Durante sua fala, o vereador Ayrton Araújo chamou os terminais de “terra de ninguém”, referindo-se às questões de segurança, infraestrutura, desconforto, limpeza e conservação.
Nos debates sobre o transporte coletivo os questionamentos sobre a retirada dos cobradores dos ônibus, reajuste da tarifa e o sistema “pegue fácil”, também vêm à tona. Segundo a Agetran, o preço continua congelado até outubro deste ano, só então começarão novas conversas sobre o reajuste.
O vereador Eduardo Romero sugeriu a flexibilização nos horários dos coletivos para eliminar a superlotação. O parlamentar é adepto do transporte alternativo, pedala para o trabalho e também utiliza os ônibus para ir à Câmara Sobre o “pegue fácil”, Romero ressalta a diminuição nos índices de assaltos a ônibus, mas levanta a hipótese de desconto na tarifa para aumentar a utilização dos cartões.
O estudante Rodrigo Santos Silva, de 22 anos, falou sob o ponto de vista dos usuários do transporte coletivo. “Desde que o consórcio Guaicurus assumiu ouvimos muitas promessas e vimos apenas pioras no serviço, principalmente no período noturno. São poucos ônibus e eles ainda trocaram os ônibus alongados pelos mais curtos, que certamente são mais econômicos”, defendeu o estudante.
Maria Diva da Silva, agente comunitária, 38 anos, lembrou a questão da acessibilidade nos coletivos e terminais, garantida por lei.
Jeferson Feitosa Benites, líder comunitário, 48 anos, destacou a segurança nos terminais e ônibus. Para ele a presença de guardas municipais seriam uma boa alternativa para conferir segurança no transbordo.
Zeca do PT, com o característico discurso inflamado, declarou que existe um grande conluio entre as empresas e o poder público e sugeriu uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do transporte coletivo.
O vereador Edil Albuquerque chamou o debate para a análise das competências dos envolvidos. O parlamentar pediu para que o consórcio Guaicurus apresente os benefícios já realizados para o setor e também que cite os que pretende realizar. Ainda segundo Edil, existem oito itens com os quais o consórcio se comprometeu no ato da licitação.
Flávio César cumprimentou Ayrton pela iniciativa, considerando o fato de que o vereador é da base do governo, mas não sem ressaltar o que chamou de “síndrome de perseguição” por parte do prefeito Alcides Bernal. Ainda de acordo com Flávio César, os vereadores e, consequentemente, a população têm tido dificuldades em serem atendidos pelo prefeito.