Uma moção de congratulação, aprovada na sessão ordinária desta quinta-feira (2), na Câmara Municipal de Campo Grande, dividiu parlamentares e opiniões no plenário da Casa de Leis. O vereador Zeca do PT propôs a congratulação aos vereadores que integram o G6, grupo de vereadores que se declara independente de suas bancadas na tomada de decisões, mas a iniciativa não foi muito bem vista pelos pares.
Ao abrirem a votação da moção de congratulação, a vereadora Grazielle Machado (PR) solicitou à mesa diretora a votação nominal, onde cada parlamentar diz seu voto para todo o plenário e pode ainda justificá-lo, caso queira. O pedido causou furor no plenário, já que seis parlamentares votariam uma congratulação para si mesmos.
O primeiro a manifestar-se foi o vereador Vanderlei Cabeludo (PMDB), que votou contrário à aprovação, por entender que não caberia congratulação a apenas seis vereadores, quando a Câmara tem 29.
Também da bancada do PMDB, o vereador Edil Albuquerque votou favorável à aprovação. Da mesma forma Paulo Siufi, que é um dos integrantes do G6 votou e ainda justificou. “Evidente que vou votar a meu favor”, disse.
A declaração do vereador mexeu ainda mais com os ânimos dos colegas. Delei Pinheiro (PSD) justificou seu voto dizendo que não havia diferenciação entre os parlamentares na Casa de Leis e votou contra. Os outros dois representantes do PSD, Chiquinho Teles e Coringa foram a favor da congratulação.
Zeca do PT, proponente da moção, votou a favor e justificou a iniciativa se pautando no que chamou de “coragem e independência dos vereadores”, em não seguir ordens alheias. Cazuza e Chocolade também aprovaram a congratulação.
Flávio César, Eduardo Romero e Otávio Trad, os três do PT do B, em sequência, dispararam voto negativo, seguidos por Grazielle Machado (PR), João Rocha e Professora Rose, do PSDB.
Alceu Bueno (PSL) e Paulo Pedra (PDT), também integrantes do G6, foram favoráveis, assim como Luíza Ribeiro (MD).
O presidente da Casa de Leis, vereador Mario Cesar (PMDB), não participou da votação por ser o presidente da Casa e presidir a sessão.
A moção de congratulação foi aprovada por 10 votos a 8. Desse total, três votos foram de membros do G6, que aprovaram moção para si mesmos. O MS Repórter consultou a assessoria legislativa da Câmara Municipal, para saber se o regimento interno permitia que vereadores pudessem votar uma moção que tem como objeto seus próprios nomes, mas não há impedimento, ainda que não seja ético, para alguns parlamentares. Caso os integrantes do G6 ficassem impedidos de votar em seu próprio benefício, a moção seria reprovada, por oito votos a sete.
Os vereadores Carlão (PSB), Engenheiro Edson (PTB) e Dr. Jamal (PR), que também fazem parte do G6, não estiveram presentes na sessão ordinária.
A reação
Depois de apurado o resultado da votação, o vereador Paulo Siufi usou a palavra para dizer que lamentava a “pequenês” de alguns colegas. “É lamentável a pequenês de alguns em desprestigiar uma coisa tão simples quanto uma moção de congratulação, como se estivessem despojando, desprestigiando os colegas, mas a Casa é plural, por isso eu só lamento”, comentou.
O vereador João Rocha replicou. “Fiquei triste com a sua colocação vereador Paulo Siufi, em se referir a pequenês dos colegas, considerando a sua grandeza. Em momento algum o voto contrário representou um desprestígio à musculatura política dos homenageados”.
De pé no plenário, Siufi resmungou, “vossa excelência não entende o meu português, vou falar francês”, ironizou.
O vereador Mario Cesar rebateu, com base na justificativa dada pelos integrantes do G6 para a criação do grupo, de “trabalhar por Campo Grande”. “Somos 29 vereadores eleitos pelo povo, com a prerrogativa de trabalhar por Campo Grande”, ponderou.
O vereador Paulo Pedra, destacou que a moção tratava-se de uma manifestação individual do vereador Zeca do PT em querer congratular seus pares, justificando assim seu voto.
Da mesma maneira, Luíza Ribeiro, referiu-se a um momento de articulação política, especialmente na “fase difícil no relacionamento com o executivo”.
Eduardo Romero foi conciso. “É a nossa função trabalhar por Campo Grande, não precisamos reconhecer a aglutinação de grupos”.
Flávio César alegou não ver motivo para congratular o G6. “Não ficou claro pra mim o objetivo desse grupo, trabalhar por Campo Grande é a nossa obrigação”, ressaltou.
Otávio Trad apegou-se ao regimento interno da Casa de Leis. “Essa moção não condiz com o regimento, não há relevância para o município ou para os munícipes nessa moção”, argumentou.
O contexto
Os vereadores Paulo Siufi, Carlão, Engenheiro Edson, Dr. Jamal, Paulo Pedra e Alceu Bueno anunciaram, na última terça-feira (30), a formação do G6, um grupo auto-declarado independente de suas bancadas, que deverá votar em conjunto os trâmites da Casa. Com seis integrantes, o grupo supera a bancada do PMDB, que contava com cinco vereadores.
A justificativa apresentada pelos integrantes do G6, para a sua criação, é a de oferecer maior governabilidade ao prefeito Alcides Bernal na Câmara Municipal, sem se considerarem aliados, nem tampouco opositores.
O vereador Paulo Pedra revelou hoje que o G6 também irá agir estrategicamente, deixando o prefeito Alcides Bernal a mercê de suas próprias ações. “O Bernal é muito competente em se fazer de coitadinho, prova disso é que a eleição caiu no colo dele. Vamos recolher o ‘flap’ pra que a população enxergue que ele é o responsável pela administração, tem um orçamento de R$ 3 bilhões e a caneta na mão para fazer. Então vamos recolher as críticas mais ácidas pra que ele não se faça de vítima”, explicou.
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