A onda de protestos pelo país, motivados pelas mais diversas “causas” chegou hoje (20) à sessão ordinária da Câmara Municipal de Campo Grande. Cerca de 30 manifestantes ocuparam o plenário com cartazes, bandeiras, nariz de palhaço, caras pintadas e bastante fôlego, que tumultuou os trabalhos do legislativo.
Entre as ditas “reivindicações” dos manifestantes, o custo da alimentação dos vereadores na Casa de Leis esteve estampado em diversos cartazes. Alguns diziam “não merecem nem pão com mortadela”, outros mandavam os vereadores “enfiarem o dinheiro do café da manhã de luxo nos postos de saúde.
Os gritos, vaias e tumulto marcaram o decorrer de toda a sessão. Alguns parlamentares tentaram dialogar, pedindo calma e paciência, para que, em momento oportuno, pudessem se expressar. Os jovens não deram importância e continuaram com a bagunça.
A impossibilidade de transcorrer a sessão levou o presidente Mario Cesar a pedir que os manifestantes organizassem uma comissão e sugeriu que reivindicassem na tribuna da Câmara, para garantir a compreensão do que motivou o protesto.
Alguns vereadores iniciaram o debate no próprio plenário, mas o que chamou a atenção foi a natureza das reivindicações. Com exceção dos custos de alimentação e do salário dos parlamentares, o grupo pedia por questões de competência do executivo municipal. A vereadora Juliana Zorzo tentou esclarecer. “Aqui somos poder legislativo, fiscalizamos o executivo e fazemos indicações e leis, mas não somos ordenadores de despesas. O que vocês estão reclamando deveria ser ouvido pelo prefeito”, disse.
No auge do tumulto, os gritos pediam por postos de saúde, educação e principalmente a melhoria da alimentação nos ceinfs. “As crianças comem comida com larvas nos ceinfs, comem carne de terceira com custo de filé mignon”, denunciou a estudante Karoline Moreira.
Quatro representantes se pronunciaram na tribuna. Mario Galvão, Maristela Sanches, Fabio Lechuga e Karoline Moreira. Galvão ressaltou a falta de alimentação adequada nos Ceinfs; Maristela alegou que protestava por direitos iguais e Fabio disse que não consegue atendimento para o filho de um ano e seis meses no sistema de saúde público.
Mario Cesar ressaltou o papel da Casa de Leis na participação mais efetiva da população nas questões políticas da Capital. “O papel dessa Casa é esse, por isso temos feito tantas audiências públicas, sessões comunitárias e sessões itinerantes. Estamos atentos e de ouvidos abertos”, declarou.
Ao encerrarem as falas os manifestantes desceram da tribuna e o grupo se retirou.
A Câmara Municipal anunciou ontem que irá rever os custos com a alimentação dos vereadores na Casa de Leis. O presidente explicou que o que fora chamado de "café da manhã", na verdade é alimentação para os parlamentares, durante os dias de trabalho. O custo divulgado, ainda de acordo com o vereador, é um valor estimado, não fixo, que, dividido pelos pares e dias de trabalho no mês, gira em torno de R$ 10 por vereador.