Nessa sexta-feira (4), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Municipal de Campo Grande ouviu dois ex-secretários municipais de Saúde, o atual deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM) e seu sucessor na pasta, Leandro Mazina. Mandetta ocupou o cargo de 2005 a julho de 2010, quando deixou a pasta para sair candidato.
Questionado pelos membros da CPI sobre recursos para a iniciativa privada, Mandetta explicou que, com a ausência de investimentos por parte do poder público no tratamento de radioterapia contra o câncer, esse serviço passou a ser realizado pela iniciativa privada, no caso a Clínica Neorad, de propriedade do ex-diretor do Hospital do Câncer Dr. Alfredo Abrão, Adalberto Siufi.
O ex-secretário disse que procedimentos internos e de gestão do dinheiro eram de responsabilidade do hospital e não do Município, que se preocupava com parcerias, capacitação de profissionais da área e que não havia como identificar os problemas surgidos em abril deste ano com a operação da Polícia Federal.
Ele explicou também que a Prefeitura mantinha convênio com o Hospital do Câncer e este é quem promovia a terceirização do tratamento de pacientes que precisavam de radioterapia, que na época tinham que enfrentar uma fila de até quatro meses para se submeterem ao tratamento.
Questionado sobre o repasse de R$ 46 milhões ao HC no período de 2005 a 2009, Mandetta respondeu que o convênio com o hospital repassava R$ 900 mil mensais à unidade hospitalar, para cirurgias, exames, ambulatório e para os tratamentos de radioterapia e quimioterapia.
Sobre o Hospital Universitário da Capital, explicou que a unidade possuía um aparelho de hemodinâmica, que a Secretaria Municipal de saúde tentou trocar com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), em Brasília, por uma bomba nova de cobalto, já que o aparelho funcionava somente com 4% de sua capacidade.
Segundo Mandetta, o instituto não aceitou a troca e sua direção teria afirmado que o Estado não era prioridade para aquele tipo de aparelho no momento. O deputado também atribuiu à falta de investimentos do governo federal a situação do HU, sucateado no tratamento de radioterapia.
Explicando que mais de 80% dos profissionais de alta complexidade estavam atuando em Campo Grande na época, Mandetta destacou que isso transformou a Capital em destino da maioria dos pacientes do interior, procedentes de todo o Estado e até do Paraguai e Bolívia, o que sobrecarregou as unidades hospitalares que proporcionavam tratamento para o câncer.
A CPI da Saúde da Câmara é formada pelos vereadores Flávio César Mendes de Oliveira (PT do B), presidente; Ademar Vieira Júnior, o Coringa (PSC), Carla Stephanini (PMDB), Derly dos Reis de Oliveira, o Cazuza (PP) e Marcos Alex Azevedo de Melo, o Alex do PT.
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